a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Os assírios atacam Betúlia

71No dia seguinte, Holofernes chamou o seu exército e as tropas, que tinham vindo ajudá-lo na guerra, e ordenou que marchassem contra Betúlia, tomassem as passagens de subida das montanhas e atacassem os israelitas. 2Na mesma hora o seu grande exército saiu em marcha. Eram cento e setenta mil soldados de infantaria e doze mil de cavalaria, sem contar o grande número de soldados que iam a pé, tomando conta da bagagem e dos mantimentos. 3Acamparam no vale que fica perto de Betúlia, ao lado da fonte. O acampamento era tão largo, que ia até Belbaim, na direção de Dotã, e tão comprido, que ia de Betúlia até Cinamom, que fica em frente ao vale de Esdrelon. 4Quando os israelitas viram aquele enorme exército, ficaram apavorados e disseram uns aos outros: «Essa gente vai devorar tudo o que existe na região, pois as montanhas, os vales e os morros não podem suportar o seu peso.» 5Mas mesmo assim eles pegaram nas armas, acenderam fogueiras nas torres de vigia e ficaram de guarda a noite toda. 6No dia seguinte, Holofernes fez a cavalaria passar em desfile, para que os israelitas de Betúlia a vissem. 7Depois de examinar as passagens que subiam até à cidade, foi até às fontes, ocupou-as e deixou nelas soldados de guarda. Em seguida, voltou para o acampamento. 8Os chefes dos edomeus e dos filhos de Esaú e os generais do litoral do mar Mediterrâneo foram falar com Holofernes. Disseram: 9«Comandante supremo, aceita o nosso conselho, e do teu exército nem um soldado será morto. 10Os israelitas confiam mais nas montanhas onde moram do que nas suas armas. Essas montanhas são muito altas e não é fácil subir até lá acima. 11Portanto, comandante supremo, dá ordens para que os seus soldados não marchem muito juntos, como é o costume, e assim nenhum deles será morto. 12Fica no acampamento e ordena que os soldados não saiam das suas tendas. Manda alguns deles ocuparem as fontes de água que ficam ao pé da montanha, 13pois é ali que os moradores de Betúlia vão buscar água. Quando estiverem a morrer de sede, entregar-te-ão a cidade. Nós e os nossos soldados subiremos as montanhas que ficam perto dali, acamparemos e não deixaremos ninguém escapar da cidade. 14E os homens, as mulheres e as crianças morrerão de fome. Antes mesmo de entrarmos na cidade, com as nossas espadas, as ruas já estarão cobertas com os corpos dos mortos. 15Assim, comandante supremo, os israelitas pagarão caro por se terem revoltado contra ti, em vez de se entregarem sem luta.» 16Holofernes e os seus oficiais gostaram da ideia dos chefes e mandaram fazer o que tinham sugerido. 17As tropas moabitas7,17 Segundo algumas versões antigas. O texto grego diz: amonitas. e cinco mil soldados assírios foram, acamparam no vale e ocuparam as fontes que abasteciam de água a cidade de Betúlia. 18As tropas dos edomeus e amonitas subiram e acamparam nas montanhas que ficam em frente de Dotã. Dali mandaram um grupo de soldados para sudeste, na direção da cidade de Egrebel, perto de Cuche, à beira do ribeiro de Mocmur. O resto do exército assírio acampou na planície e cobriu toda a região. As suas tendas e bagagens formavam um enorme acampamento, porque o exército era imenso. 19Então os israelitas perderam toda a coragem e oraram alto, pedindo socorro ao Senhor, seu Deus, pois os inimigos tinham-nos cercado completamente e não havia maneira de escaparem. 20O exército assírio, com toda a sua infantaria, os seus carros de guerra e a sua cavalaria, cercou Betúlia durante trinta e quatro dias. Então acabou-se toda a água, que os moradores da cidade tinham guardado em jarros, 21e os reservatórios já estavam a ficar vazios. Foi preciso racionar a água e não havia um dia em que as pessoas pudessem beber o que quisessem. 22As crianças estavam a ficar fracas, as mulheres e os jovens perdiam as forças, desmaiavam de sede e ficavam caídos nas ruas e nas praças. 23Então todos os homens, mulheres, jovens e crianças, isto é, todos os moradores da cidade, reuniram-se ao redor de Uzias e das autoridades e começaram a reclamar e a gritar em frente de todos os chefes. Disseram: 24«Deus que decida quem tem razão, se vocês ou nós! Vocês fizeram-nos passar por um grande sofrimento, pois não quiseram fazer um acordo de paz com os assírios. 25Agora não há ninguém para nos socorrer. Deus entregou-nos nas mãos dos nossos inimigos. Eles vão encontrar-nos caídos de sede, no chão, e sem forças para resistir. 26Portanto, mandem chamar os assírios e entreguem a cidade a Holofernes, para que os seus soldados levem tudo o que há nela. 27É melhor que eles nos levem como prisioneiros. Seremos escravos, mas continuaremos vivos e não teremos de ver a morte das nossas crianças, e também não morrerão as nossas mulheres e os nossos filhos. 28Que o céu e a terra sejam testemunhas contra vós e o nosso Deus, o Senhor dos nossos antepassados. Ele está a castigar-nos por causa dos nossos próprios pecados e por causa dos pecados dos nossos antepassados. Atendam ao nosso pedido e entreguem-se hoje ao inimigo7,28 Segundo algumas versões antigas. O texto grego diz: Peçam que Deus não deixe essas desgraças acontecerem hoje.29Todos os que estavam reunidos ali começaram a chorar ao mesmo tempo e a orar em voz alta a Deus, o Senhor. 30Então Uzias disse: «Coragem, irmãos! Vamos esperar mais cinco dias para ver se o Senhor, nosso Deus, tem misericórdia de nós. Não é possível que ele nos abandone completamente! 31Mas se daqui a cinco dias não chegar socorro, farei o que estão a pedir.» 32Então Uzias mandou o povo embora. Os homens voltaram para os seus lugares, a fim de ficarem de guarda nas muralhas e nas torres, e as mulheres e as crianças voltaram para casa. Todos os moradores da cidade tinham perdido completamente a esperança.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»