a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Judite

81Logo depois, uma viúva chamada Judite veio a saber todas essas coisas. Ela era filha de Merari, que era filho de Uz, filho de José, filho de Uziel, filho de Helcias, filho de Ananias, filho de Gedeão, filho de Rafaim, filho de Aitube, filho de Elias, filho de Hilquias, filho de Eliabe, filho de Natanael, filho de Selumiel, filho de Surasadai, filho de Israel. 2O marido de Judite, que se chamava Manassés e era da mesma tribo e família, tinha morrido durante a colheita de cevada. 3Ele estava no campo a dirigir os trabalhadores que amarravam os feixes de cevada, quando teve uma insolação. Morreu em sua casa, na cidade de Betúlia, e foi enterrado com os seus antepassados no campo que fica entre Dotã e Balamon. 4Havia três anos e quatro meses que Judite tinha ficado viúva. Morava sozinha, 5numa tenda que tinha armado no terraço. Usava sempre roupas de luto, feitas de pano grosseiro. 6Jejuava todos os dias, menos nos dias em que isso era proibido, isto é, na véspera do sábado, no sábado, na festa da Lua Nova, na véspera dessa festa e nas outras festas e feriados dos israelitas. 7Judite era muito bonita de rosto e de corpo. Manassés, o seu marido, tinha-lhe deixado ouro, prata, escravos, escravas, gado e terras, e ela continuava a tomar conta de tudo isso. 8Não havia quem falasse mal dela, pois era muito temente a Deus.

Judite fala com os chefes da cidade

9Judite soube que o povo tinha falado mal de Uzias, pois todos estavam desanimados por causa da falta de água. Ela ouviu falar também da resposta de Uzias, de como tinha jurado que dentro de cinco dias entregaria a cidade aos assírios. 10Então chamou a escrava que tomava conta de todos os seus negócios e mandou que convidasse Uzias8,10 Esta última parte do v. 10 não se encontra em alguns dos melhores e mais antigos manuscritos., Cabriz e Carmiz, que eram os chefes da cidade, para virem até à sua casa. 11Quando chegaram, ela disse: «Peço-vos que me escutem, chefes dos habitantes de Betúlia. Não está bem que tenham falado ao povo como o fizeram hoje. Comprometeram-se contra Deus ao determinarem entregar a cidade aos nossos inimigos, se o Senhor não nos salvar dentro de cinco dias. 12Quem são vocês para porem Deus à prova, como fizeram hoje? Por acaso pensam que podem tomar o lugar de Deus na direção das coisas que os seres humanos fazem? 13Estão a pôr à prova o Deus Todo-Poderoso! Será que sabem o que estão a fazer? 14Não é possível saber o que está no coração de uma pessoa nem entender os seus pensamentos. Como seria possível, então, saber quais são os pensamentos de Deus ou entender a sua maneira de pensar? Quem poderá conhecer as intenções de Deus, o Criador de todas as coisas? Irmãos, não provoquem a ira do Senhor, nosso Deus! 15Se não quiser socorrer-nos nestes cinco dias, poderá socorrer-nos quando quiser, ou poderá deixar que os nossos inimigos nos matem. 16Vocês não podem exigir nada do Senhor, nosso Deus. Ele não é como uma pessoa, que se pode ameaçar ou convencer por meio de promessas. 17Portanto, vamos pedir a sua ajuda e esperar que nos socorra. E, se quiser, atenderá o nosso pedido. 18Nas nossas tribos, famílias ou cidades não há ninguém que hoje em dia esteja a adorar, ou há pouco tempo tenha adorado, deuses feitos por mãos humanas. Antigamente os nossos antepassados fizeram isso, 19e foi por esse motivo que Deus deixou que os inimigos os matassem e levassem tudo o que eles tinham. Foi uma grande desgraça! 20Mas nós adoramos apenas o nosso Deus e, portanto, esperamos que ele não nos rejeite, nem a nós nem a qualquer pessoa do nosso povo. 21Pois, se o inimigo tomar a nossa cidade, conquistará também toda a região da Judeia e levará tudo o que há no templo de Jerusalém; e Deus far-nos-á pagar com as nossas vidas a profanação do templo. 22O inimigo matará muitos dos nossos irmãos, levará outros como prisioneiros e arrasará a nossa terra, e Deus culpar-nos-á por tudo isso. Seremos prisioneiros em países pagãos e as pessoas dali vão rir-se e troçar de nós. 23A nossa escravidão não nos trará nada de bom; pelo contrário, o Senhor, nosso Deus, fará com que seja uma desonra para nós. 24E agora, meus irmãos, vamos servir de exemplo para os da nossa terra, pois a vida deles depende de nós, e o que vai acontecer com o santíssimo lugar, com o templo e com o altar depende de nós também. 25O Senhor, nosso Deus, está a pôr-nos à prova, como fez com os nossos antepassados, e devemos agradecer-lhe isso. 26Lembrem-se do que Deus fez com Abraão, e de como pôs Isaac à prova, e do que aconteceu com Jacob na Mesopotâmia da Síria, quando estava a tomar conta das ovelhas de Labão, que era seu tio materno. 27Deus não se está a vingar de nós, nem nos está a fazer passar por uma prova de fogo tão dura como aquela pela qual passaram os nossos antepassados. É para corrigir os que o adoram que o Senhor os castiga.» 28Uzias respondeu: «Tens razão, Judite; tudo o que dizes é verdade e ninguém pode negar isso. 29Esta não é a primeira vez que mostras a tua sabedoria; desde que eras menina, todos nós temos notado como és inteligente e ajuizada. 30Mas o povo está a morrer de sede e forçou-nos a dizer o que dissemos e a fazer uma promessa que não podemos quebrar. 31Ora por nós, pois és piedosa, e pede ao Senhor que mande chuva para encher os nossos reservatórios. Então ficaremos fortes de novo.» 32Judite respondeu: «Escutem o que vou dizer. Eu vou fazer uma coisa que o povo de hoje e as gerações futuras vão lembrar para sempre. 33Peço-vos aos três que esta noite estejam no portão da cidade para me deixarem sair junto com a minha escrava. Antes de chegar o dia que marcaram para entregar a cidade aos nossos inimigos, o Senhor salvará o nosso povo por meio de uma coisa que eu vou fazer. 34Mas não me perguntem o que é; depois de ter feito o que for preciso, eu explicarei tudo.» 35Uzias e os outros chefes responderam: «Vai em paz e que Deus, o Senhor, te proteja na sua vingança contra os nossos inimigos.» 36Então eles saíram da tenda do terraço da casa de Judite e voltaram para os lugares onde estavam de guarda.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»