a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Jeremias compra um campo

321No décimo ano do reinado de Sedecias32,1 Ver a nota de 27,1. de Judá, que corresponde ao décimo oitavo ano do reinado de Nabucodonosor da Babilónia, Jeremias recebeu uma mensagem do Senhor. 2Nesse tempo, o exército do rei da Babilónia cercava Jerusalém e o profeta Jeremias encontrava-se sem poder sair do pátio da guarda do palácio real. 3O rei Sedecias tinha-o mandado prender ali, acusando-o de anunciar estas palavras do Senhor: «Vou permitir ao rei da Babilónia que conquiste esta cidade. Palavra do Senhor! 4E o rei Sedecias não escapará. Será entregue ao rei da Babilónia; encontrar-se-á com ele frente a frente e falará pessoalmente com ele. 5Sedecias será levado para a Babilónia e ali ficará, até que eu me ocupe dele. Palavra do Senhor! Mesmo que tentem resistir aos babilónios, não conseguirão!»

6Jeremias diz o seguinte: «O Senhor informou-me 7que Hanamiel, filho do meu tio Salum, viria visitar-me e pedir-me que comprasse o seu terreno em Anatot, no território de Benjamim, por eu ser o seu parente mais chegado, com direito a adquiri-lo para mim32,7 Ver Lv 25,25..

8Com efeito, tal como o Senhor dissera, Hanamiel veio ter comigo ao pátio da guarda e pediu-me para comprar o seu campo em Anatot de Benjamim, insistindo que eu tinha o direito de compra por ser o parente mais chegado.

E assim fiquei seguro de que fora o Senhor que falara comigo.

9Comprei o campo de Hanamiel e contei o dinheiro para lhe dar; paguei dezassete moedas de prata. 10Assinei e selei o contrato, diante de algumas testemunhas, e pesei o dinheiro na balança. 11Então peguei nas duas cópias do contrato de compra, a cópia selada que continha o contrato e as suas condições, e a cópia aberta 12e entreguei-as a Baruc32,12 Baruc. Secretário e amigo de Jeremias. Ver 36,4., filho de Néria, e neto de Masseias. Dei-lhe o contrato de compra na presença de Hanamiel e das testemunhas que assinaram o contrato de compra, bem como das pessoas que estavam sentadas no pátio da guarda. 13Disse em seguida a Baruc, diante de todos os presentes: 14“O Senhor todo-poderoso, Deus de Israel, ordena-te que pegues nestes contratos, o que está selado e a cópia aberta, e os deposites num jarro de barro, para que possam ser conservados durante muitos anos.

15O Senhor todo-poderoso, o Deus de Israel, anuncia que, de futuro, se hão de comprar novamente casas, campos e vinhas, nesta terra.”»

Oração de Jeremias

16Depois de entregar o contrato de compra a Baruc, dirigi ao Senhor a seguinte oração:

17«Ó Senhor Deus, tu fizeste a Terra e os Céus pela tua força e imenso poder; nada é demasiado difícil para ti. 18Tu mostras amor constante a milhares de gerações, mas também castigas o povo por causa do pecado dos seus pais. Tu és um Deus grande e poderoso; tu és o Senhor todo-poderoso. 19És tu que fazes planos sábios e obras magníficas. Tu vês tudo o que fazem os seres humanos, e dás a recompensa segundo o que merecem, segundo o seu comportamento.

20Fizeste milagres e prodígios no Egito e não deixaste de os realizar até ao dia de hoje, quer em Israel, quer entre as restantes nações, de maneira que o teu nome é conhecido em toda a parte. 21Por meio de milagres e prodígios, que puseram o inimigo em debandada, fizeste sair do Egito o teu povo, Israel, com mão forte e imenso poder. 22Tal como tinhas prometido aos seus antepassados, deste-lhe esta terra, onde o leite e o mel correm como água. 23Mas quando chegaram a esta terra e a conquistaram, eles não obedeceram aos teus mandamentos, nem viveram segundo as tuas instruções; não fizeram nada do que lhes ordenaras. Por essa razão, fizeste cair sobre eles a destruição.

24Os babilónios edificaram plataformas para cercar a cidade e para a conquistar e eis que a estão presentemente a atacar. Guerra, fome e doença farão com que a cidade caia nas suas mãos. Bem vês que tudo o que disseste se cumpriu. 25Todavia, Senhor Deus, foste tu que me mandaste comprar o terreno, na presença de testemunhas, apesar de a cidade estar prestes a cair nas mãos dos babilónios.»

Resposta do Senhor

26Então o Senhor disse a Jeremias: 27«Eu sou o Senhor, Deus de toda a Humanidade. Nada é demasiado difícil para mim. 28Vou entregar esta cidade aos babilónios e ao seu rei Nabucodonosor; será tomada por ele32,28 Sobre o cerco e tomada de Jerusalém, ver 2 Rs 25,1–11; 2 Cr 36,17–21., 29e incendiada. Deitar-lhe-ão o fogo, juntamente com as casas onde me provocaram, queimando sobre os telhados incenso ao deus Baal e oferecendo vinho a outros deuses.

30Desde o princípio, o povo de Israel e de Judá me desagradou e me irritou com o seu modo de proceder. 31Os habitantes desta cidade provocaram a minha indignação, desde o dia em que ela começou a ser construída. Por isso, decidi destruí-la, 32por causa de toda a maldade que o povo de Judá e Jerusalém cometeu, juntamente com os seus reis e governantes, os seus sacerdotes e profetas. 33Voltaram-me as costas; e apesar de não ter deixado de os ensinar, dia a dia, não quiseram ouvir nem aprender a lição. 34Colocaram os seus abomináveis ídolos no templo, que é o meu santuário, profanando-o assim. 35Edificaram altares ao deus Baal, no vale de Hinom32,35 Ver 7,31; 31,40., a fim de oferecerem em sacrifício os seus filhos e filhas ao deus Moloc. Eu não os mandei fazer tal coisa, nem tal me passaria pelo pensamento. E assim levaram o povo de Judá a cometer tão grande pecado.

36Mas eu, o Senhor, Deus de Israel, quero dizer o seguinte a esta cidade que dizem que caiu nas mãos do rei da Babilónia pela guerra, pela fome e pela peste32,36 Ver 14,12 e nota.: 37“Vou reunir o meu povo que anda disperso por todas as nações, por causa da minha ira e da minha indignação, e vou trazê-lo de novo a este lugar, para aqui viverem em segurança. 38Então eles serão verdadeiramente o meu povo e eu serei o seu Deus. 39Farei com que o seu objetivo único na vida seja honrar-me em todos os momentos, para seu benefício e dos seus descendentes. 40Farei uma aliança eterna com eles. Nunca deixarei de os cumular de bens, e farei com que me respeitem de todo o seu coração, de maneira que nunca mais me abandonem. 41Terei prazer em os abençoar, e hei de pôr todo o empenho em os fixar para sempre nesta terra.

42E tenho algo mais a dizer ainda! Assim como trouxe a calamidade a este povo, assim também lhes hei de trazer todas as bênçãos que lhes prometi. 43Vocês dizem que esta terra ficou de tal maneira deserta, que nem gente, nem animais, aqui habitarão, pois será dada aos babilónios. Mas virá o dia em que aqui se voltará novamente a comprar terrenos. 44O povo há de comprá-los e os respetivos contratos serão assinados e selados diante de testemunhas. Assim acontecerá no território de Benjamim, nas povoações à volta de Jerusalém, nas cidades de Judá e das regiões montanhosas, na planície costeira e no Negueve32,44 Negueve. Zona desértica no sul do país.. Farei com que este povo se fixe novamente na sua terra. Palavra do Senhor!”»

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Promessa renovada de redenção

331Enquanto se encontrava ainda encerrado no pátio da guarda, a mensagem do Senhor foi de novo dirigida a Jeremias: 2«Esta é a mensagem do Senhor, que fez a terra, que lhe deu forma e a colocou em órbita, daquele cujo nome é o Senhor. 3Chama por mim e responder-te-ei; mostrar-te-ei coisas magníficas, que não conheces. 4Eu, o Senhor, Deus de Israel, declaro acerca das casas de Jerusalém e das casas dos reis de Judá que foram deitadas abaixo com rampas e à espada: 5Vêm para lutar contra os babilónios e encher a cidade com os cadáveres daqueles que destruí na minha ira e furor. Retirei-me desta cidade por causa do mal praticado pelos seus habitantes.

6Mas hei de restabelecê-la e ao seu povo; hei de curá-la e hei de mostrar-lhes paz e segurança plenas. 7Farei prosperar Judá e Israel e serão o que eram antes da destruição33,7 Ver 30,3 e nota.. 8Hei de purificá-los dos pecados que cometeram contra mim, e hei de perdoar-lhes a sua rebelião. 9Jerusalém será para mim uma fonte de alegria, honra e orgulho; todas as nações da terra tremerão de medo, quando ouvirem falar do bem que vou fazer pelos habitantes da cidade, e da paz que os farei gozar.»

10Pois o Senhor declara o seguinte: «As pessoas afirmam que este lugar é como um deserto, que não há gente nem animais a viver aqui. E têm razão. As cidades de Judá e as ruas de Jerusalém estão desertas; ninguém lá vive. Mas nestes mesmos lugares se ouvirá de novo 11o som de festa e de alegria, as vozes do noivo e da noiva no banquete de casamento. Ouvir-se-á gente a cantar ao trazerem ofertas de gratidão ao meu templo; assim dirão:

“Dai graças ao Senhor todo-poderoso,

porque ele é bom

e o seu amor é eterno33,11 Ver Sl 106,1..”

Farei voltar esta terra à sua antiga prosperidade. Palavra do Senhor

12O Senhor todo-poderoso declara que nesta terra, que agora está deserta, onde nem pessoas nem animais vivem, haverá de novo pastagens para onde os pastores poderão levar os rebanhos. 13Nas cidades das regiões montanhosas, nas da planície costeira, na região do Negueve33,13 Negueve. Ver 32,44 e nota., no território de Benjamim, nas povoações à volta de Jerusalém e nas cidades de Judá, os pastores contarão de novo as suas cabeças de gado. Palavra do Senhor!

Deus não volta atrás

14O Senhor declara: «Há de vir o tempo em que cumprirei a promessa que fiz ao povo de Israel e a Judá. 15Então escolherei para rei um descendente justo, da família de David, que há de governar o país com justiça e equidade. 16Então os habitantes de Judá e de Jerusalém serão libertados e viverão em segurança. A cidade será chamada “O Senhor é a nossa salvação33,16 Comparar com 23,5–6.”.

17Eu, o Senhor, prometo que haverá sempre um descendente de David33,17 Ver 2 Sm 7,12–16; 1 Rs 2,4; 1 Cr 17,11–14. no trono de Israel 18e que haverá sempre sacerdotes da tribo de Levi33,18 Levi. Terceiro filho de Jacob (Gn 29,34) e antepassado de Aarão (Ex 4,14). Ver Nm 18,7. Sobre outros descendentes de Levi e suas funções, ver Nm 3,5–10., para me oferecerem holocaustos e apresentarem sacrifícios e ofertas de comida.»

19O Senhor dirigiu ainda a Jeremias a seguinte mensagem: 20«Fiz um pacto com o dia e com a noite, para que a sua sequência não falhe: este pacto nunca será quebrado. 21Da mesma maneira fiz um pacto com o meu servo David, que haveria sempre um descendente seu sobre o trono; fiz ainda um pacto com os sacerdotes da tribo de Levi, para que me sirvam para sempre. Esses pactos nunca serão anulados. 22Aumentarei o número dos descendentes do meu servo David e o número dos sacerdotes da tribo de Levi, de maneira que será tão impossível contá-los, como é impossível contar as estrelas do céu, ou os grãos de areia da praia do mar.»

23O Senhor dirigiu a Jeremias a seguinte mensagem: 24«Não vês como as nações dizem que rejeitei Israel e Judá, as duas famílias que escolhi? Por isso, olham para eles com desprezo; já não os consideram como nação. 25Mas eu, o Senhor, fiz um pacto com o dia e com a noite e formulei as leis que regem a terra e os céus. 26É tão certo que as fiz, como é certo que manterei o pacto que fiz com os descendentes de Jacob e com o meu servo David. Escolherei um dos seus descendentes para governar os descendentes de Abraão, Isaac e Jacob. Mostrarei misericórdia para com o meu povo e de novo lhes darei prosperidade33,26 Ver 30,3 e nota.

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Mensagem para Sedecias

341O Senhor falou a Jeremias quando o rei Nabucodonosor da Babilónia com o seu exército, apoiados pelas tropas aliadas de outras nações e raças, atacaram Jerusalém e as cidades circunvizinhas34,1 Ver 2 Rs 25,1–11; 2 Cr 36,17–21; comparar com Jr 21,2.. 2O Senhor, Deus de Israel, ordenou-lhe que se apresentasse diante do rei de Judá, Sedecias, e dissesse: «Eu, o Senhor, entregarei esta cidade ao rei da Babilónia e ele vai incendiá-la. 3Não escaparás; serás capturado e cairás nas suas mãos. Com os teus olhos verás o rei da Babilónia e falarás com ele em pessoa; e, depois, serás levado para a Babilónia.

4Presta atenção ao que tenho para te dizer, rei Sedecias: tu não serás morto na batalha. 5Vais morrer em paz. E assim como se queimava incenso, quando os teus antepassados, que reinaram antes de ti, eram sepultados, assim queimarão incenso em tua honra, e te lamentarão e chorarão por ti. Sou eu, o Senhor, que to declaro. Palavra do Senhor

6Em seguida, o profeta Jeremias entregou esta mensagem ao rei Sedecias, em Jerusalém. 7Entretanto o exército do rei da Babilónia atacava a cidade e sitiava simultaneamente Láquis e Azaca, as outras cidades fortificadas de Judá, que ainda ofereciam resistência.

Tratamento infligido aos escravos

8O Senhor falou a Jeremias, depois de o rei Sedecias e o povo de Jerusalém terem chegado a acordo para porem em liberdade 9os escravos hebreus de ambos os sexos, que tinham em seu poder, para que ninguém tivesse um judeu, seu compatriota, como escravo. 10Tanto o povo como os seus dirigentes concordaram em libertar definitivamente os seus escravos e escravas. E puseram-nos, de facto, em liberdade. 11Mas mais tarde, mudaram de ideias e apoderaram-se deles novamente, fazendo-os outra vez escravos.

12Então o Senhor, Deus de Israel, falou a Jeremias 13e mandou-o ir dizer ao povo: «Eu fiz uma aliança com os vossos antepassados, quando os fiz sair do Egito, da terra da escravidão. Disse-lhes que, 14ao fim de cada período de sete anos, cada um devia pôr em liberdade34,14 Ver Ex 21,2–3; Dt 15,1215. os escravos hebreus, que os tivessem servido durante seis anos. Mas os vossos antepassados não me quiseram dar ouvidos nem me obedeceram. 15Há poucos dias, mudaram de opinião e agiram segundo a minha vontade. Concordaram em libertar os vossos compatriotas e fizeram um pacto na minha presença, no templo que é o meu santuário. 16Mas depois mudaram de novo e desprezaram-me. Voltaram a apoderar-se deles, reduzindo outra vez à escravidão os escravos e escravas que tinham libertado.

17Por isso, eu, o Senhor, vos declaro: “Não me obedeceram, não libertaram os vossos compatriotas. Pois bem, eu vou libertar contra vós a guerra, a doença e a fome. Farei com que as nações da terra fiquem horrorizadas diante de vós.

18Entregarei nas mãos dos seus inimigos aqueles que transgrediram a minha aliança e não cumpriram o acordo que fizeram na minha presença, ao passarem entre as duas metades dum boi, que cortaram ao meio. 19Entregarei ao inimigo os governantes de Judá e Jerusalém, juntamente com os eunucos do palácio, os sacerdotes e os habitantes do país, que fizeram o pacto, passando pelas metades do boi34,19 Ver Gn 19,9–18 e nota ao v. 10.. 20Ficarão à mercê daqueles que procuram matá-los e os seus cadáveres serão comidos pelas aves e animais selvagens. 21Entregarei ainda o rei Sedecias de Judá e os seus oficiais aos inimigos que procuram matá-los. Vou entregá-los ao exército da Babilónia. Pois, se eles levantaram o cerco que faziam contra vocês e se retiraram34,21 Ver 37,5–11., 22darei ordens para que voltem a esta cidade e a ataquem, a conquistem e lhe deitem o fogo. Transformarei as cidades de Judá num deserto, onde ninguém vive. Palavra do Senhor!”»