a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
50

Queda da Babilónia e regresso de Israel

501Esta é a mensagem que o Senhor transmitiu ao profeta Jeremias acerca da cidade da Babilónia e dos seus habitantes:

2«Dai as notícias às nações de modo que todos ouçam!

Anunciem-nas; não façam segredo!

Babilónia caiu!

O deus Bel foi humilhado; Marduc, despedaçado!

Os ídolos da Babilónia foram humilhados

e as suas horríveis imagens foram quebradas!

3Uma nação veio do norte50,3 Do norte vem a desgraça. Ver 1,14. atacar a Babilónia

e fazer dela um deserto.

Homens e animais fugiram e ninguém mais lá habita.

4Quando chegar esse dia,

os filhos de Israel e de Judá virão chorar,

à procura do Senhor, seu Deus.

Palavra do Senhor!

5Procurarão saber o caminho para Sião

e seguirão por ele.

Farão comigo uma aliança eterna

que nunca mais será revogada.

6O meu povo é como as ovelhas

que se perderam do pastor

e se dispersaram pelos montes.

Vaguearam por toda a parte

e já não sabem onde moram.

7Todos os inimigos que os encontram

atacam-nos e dizem:

“Eles pecaram contra o Senhor;

por isso, podemos afligi-los à vontade;

eles deviam ter confiado no Senhor,

como fizeram os seus antepassados.”

8Filhos de Israel e de Judá, fujam da Babilónia50,8 Comparar com Ap 18,4.!

Deixem o país! Sejam os primeiros a sair;

como os carneiros, sempre à frente do rebanho!

9Do norte vou mandar nações poderosas

para atacarem a Babilónia.

Farão guerra ao país e tomá-lo-ão.

Caçadores experimentados que são,

a sua pontaria nunca erra o alvo.

10A Babilónia será pilhada

e quem a pilhar nadará em abundância.

Palavra do Senhor!

11Habitantes da Babilónia,

vocês saquearam a minha nação

e estão orgulhosos e satisfeitos com isso.

Ficaram inchados como uma bezerra gorda

e portaram-se como cavalos que relincham.

12Porém a vossa terra natal será humilhada e desgraçada.

A Babilónia será pequena entre todas as nações;

será como um deserto árido, sem água.

13Por causa da minha ira,

ninguém habitará na Babilónia;

cairá em ruínas; e quem por lá passar

ficará impressionado com tais desgraças.

14Arqueiros, preparem-se para atacar a Babilónia,

e cerquem-na de todos os lados.

Atirem as vossas setas contra ela,

porque pecou contra o Senhor.

15Façam ouvir o grito de guerra

à volta dessa cidade!

Eis que a Babilónia se entregou.

Os seus muros e torres cederam

e foram deitados abaixo

É a vingança do Senhor contra os babilónios.

Vinguem-se deles

e tratem-nos como eles fizeram a outros.

16Não os deixem semear os seus campos,

nem fazer as suas colheitas.

Todo o estrangeiro que lá habitar

terá medo do exército invasor

e fugirá para o seu próprio país.

17O povo de Israel tornou-se como ovelhas,

perseguidas e espalhadas pelos leões.

Primeiro foram devorados pelo rei da Assíria; em seguida o rei Nabucodonosor da Babilónia triturou os seus ossos50,17 Alusão à tomada de Samaria em 722 a.C. Ver 39,1–10; 52,1–30.. 18Por isso, declara o Senhor todo-poderoso, Deus de Israel: “Vou castigar o rei Nabucodonosor e o seu país, tal como fiz com o rei da Assíria.

19Reconduzirei o povo de Israel ao seu país. Comerão do fruto do monte Carmelo e da região de Basã; alimentar-se-ão sem restrições do fruto dos territórios de Efraim e Guilead. 20Quando vier esse tempo, não se encontrará pecado em Israel, nem maldade em Judá, porque perdoarei a esse povo, a quem salvei a vida. Palavra do Senhor!”»

Condenação da Babilónia

21«Assaltem a terra de Merataim

e os moradores de Pecod50,21 Pecod. Parte da região de Merataim. Ver Ez 23,23..

Matem-nos e destruam-nos.

Façam tudo o que eu vos ordenar.

Palavra do Senhor!

22Ouve-se o ruído da batalha por toda a terra;

a derrocada é enorme.

23Como é possível?

A Babilónia, que esmagou o mundo como um martelo,

está agora destruída diante das outras nações!

24Tu fizeste guerra contra mim, ó Babilónia,

e foste apanhada na armadilha que te coloquei;

sem o saberes, ficaste prisioneira.

25Abri o arsenal das minhas armas

e na minha ira as tirei cá para fora,

porque eu, o Senhor todo-poderoso,

tenho uma obra a realizar na Babilónia.

26Ataquem-na por todos os lados

e abram os seus celeiros!

Amontoem os despojos, como se fosse trigo!

Destruam o país sem deixar nada!

27Matem as suas tropas, deem cabo deles!

Os habitantes da Babilónia estão condenados!

Chegou o momento de serem castigados.

28Ouçam como os que fugiram da Babilónia

vêm anunciar a Jerusalém

como o Senhor se vingou dos babilónios,

pelo que fizeram ao seu templo.

29Chamem todos os que manejam o arco e as flechas

para que cerquem e ataquem a Babilónia,

de modo que ninguém escape.

Façam-nos pagar tudo o que fizeram

e tratem-nos como eles trataram os outros50,29 Comparar com Ap 18,6.,

porque se comportaram com orgulho contra mim, o Senhor,

o santo de Israel.

30Por isso, os seus jovens serão mortos nas ruas da cidade, e os seus soldados serão desbaratados num só dia. Palavra do Senhor!

31Tu, Babilónia, estás cheia de orgulho.

Por isso, eu me volto contra ti!

Chegou o dia em que te vou castigar.

Palavra do Senhor, Deus todo-poderoso!

32A tua nação orgulhosa tropeçará e cairá

e ninguém virá em teu auxílio.

Deitarei fogo às tuas cidades

e tudo à sua volta será destruído.»

33Assim diz o Senhor todo-poderoso: «O povo de Israel e de Judá está oprimido. São guardados em segurança pelos que os capturaram e não deixam ir embora. 34Mas aquele que vem em seu socorro é poderoso! É o Senhor todo-poderoso. Ele defenderá a sua causa e trará paz à terra, juntamente com o castigo sobre o povo da Babilónia.

35Morte à Babilónia! — declara o Senhor.

Morte aos seus habitantes,

aos seus governantes e aos seus sábios.

36Morte aos seus profetas mentirosos!

Morte aos seus soldados, que ficaram aterrorizados!

37Destruam os seus cavalos e carros!

Morte aos seus mercenários, pois são fracos!

Apoderem-se dos seus tesouros e despojos.

38Tragam a seca à sua terra, e sequem-lhes os rios.

Pois a Babilónia tem ídolos horríveis,

que fizeram perder o juízo aos habitantes.

39Por isso, a Babilónia será assolada por chacais e por aves de mau agouro. E nunca mais será habitada50,39 Comparar com Ap 18,2.. 40Terá o mesmo fim de Sodoma e Gomorra, que eu destruí junto com as cidades vizinhas. Nunca mais serão habitadas50,40 Sodoma e Gomorra. Ver Gn 18,20—19,29; Jr 49,18.. Palavra do Senhor!

41Eis que vem aí um povo do norte50,41 Ver 6,22–24., de longe, que é uma nação poderosa. São reis poderosos que se preparam para a guerra. 42Pegaram em arcos e espadas; são cruéis e não têm piedade. O seu ruído é semelhante ao mar bravo, quando galopam a cavalo. Estão prontos para fazer guerra contra a Babilónia. 43O rei da Babilónia ouve as notícias e as suas mãos desfalecem. Está angustiado, como se fosse uma mulher que vai dar à luz.

44Eu, o Senhor, virei como um leão50,44 Para os v. 44–46, ver 49,19–21. que sai das matas do Jordão e farei com que os babilónios fujam da sua cidade. Escolherei um chefe para governar a nação. Quem se me pode comparar? Quem ousa enfrentar-me? Que governante poderá resistir diante de mim?

45Por isso, prestem atenção aos planos que tenho contra a cidade da Babilónia e contra os seus habitantes. Até os seus filhos serão arrastados para fora e todos ficarão horrorizados. 46Quando a Babilónia cair, haverá tal ruído, que a terra tremerá e os gritos de alarme serão ouvidos pelas outras nações.»

51

Continuação dos juízos sobre a Babilónia

511Eis o que diz o Senhor:

«Vou trazer um vento devastador

contra a Babilónia e contra os seus habitantes.

2Enviarei estrangeiros a destruí-la,

como vento que espalha a palha.

Quando chegar esse dia de calamidade,

acometerão a cidade de todos os lados

e deixarão o país deserto.

3Não deem oportunidade aos seus soldados

de disparar as suas setas

ou de pôr a armadura.

Não os deixem sobreviver!

Destrocem por completo o seu exército.

4Eles cairão feridos na Babilónia,

e mortos nas ruas da cidade.

5Pois o Senhor todo-poderoso,

não abandonou os habitantes de Israel e de Judá,

embora tivessem cometido tantos pecados

contra o Deus santo de Israel.

6Fujam da Babilónia, para salvarem a vida!

Não se deixem matar pelo pecado da Babilónia.

Chegou o tempo em que o Senhor se vai vingar,

dando-lhes o castigo que merecem51,6 Ver Ap 18,4..

7Babilónia era como uma taça de ouro

com a qual o Senhor embriagava o mundo inteiro.

As nações beberam do seu vinho

e ficaram transtornadas51,7 Comparar com Ap 17,2–4; 18,3..

8A Babilónia caiu de repente destruída!

Chorem por ela!

Tragam bálsamo para as suas feridas;

talvez a possam curar.»

9«Já tentámos curar a Babilónia,

mas era tarde demais.

Deixemo-la e voltemos para os nossos países.

O castigo que ela recebeu é enorme;

atinge da terra ao céu51,9 Comparar com Ap 18,5..

10O Senhor fez saber que temos razão.

Vamos contar aos habitantes de Jerusalém

o que fez o Senhor, nosso Deus.»

11O Senhor convocou os reis da Média,

com a intenção de aniquilar a Babilónia

e se vingar da destruição do seu templo:

«Agucem as vossas setas!

Preparem os escudos para o combate!

12Deem o sinal para atacar os muros da Babilónia.

Reforcem a guarda!

Que as sentinelas estejam nos seus postos!

Preparai as emboscadas!»

Na verdade, o Senhor cumpriu o que disse

a respeito dos habitantes da Babilónia.

13Ó Babilónia, tu tinhas muitos rios e eras rica.

Porém chegou o teu fim,

e a tua vida está por um fio.

14O Senhor todo-poderoso jurou

que fará com que muitos homens te ataquem,

como se fossem um enxame de gafanhotos,

e os seus gritos serão de vitória.

Hino de louvor a Deus

15O Senhor fez a terra pelo seu poder51,15 Para os 15–19, ver 10,12–16.;

pela sua sabedoria criou o mundo

e estendeu os céus pela sua inteligência.

16À sua ordem rugem as águas nos céus;

eis que ele faz vir as nuvens dos confins da terra;

faz com que o relâmpago traga a chuva;

e o vento sopre do lugar onde o tem guardado.

17Diante disto, sentem-se ignorantes,

sem conseguirem compreender;

os que produzem ídolos ficaram desiludidos,

por terem feito deuses falsos e sem vida.

18São uma desilusão! Coisas ridículas!

Serão destruídos, quando o Senhor intervier contra eles!

19O Deus de Jacob não é como eles;

foi ele que fez o mundo inteiro

e escolheu a Israel como seu povo.

O seu nome é

Senhor todo-poderoso.

O martelo do Senhor

20Babilónia, tu és para mim um martelo,

uma arma de guerra;

por teu intermédio destrocei nações e reinos;

21destrocei cavalos e cavaleiros,

carros e os seus condutores;

22destrocei homens e mulheres,

velhos e novos, rapazes e meninas;

23destrocei pastores e os seus rebanhos,

bem como os que lavravam as terras, e as juntas de bois;

destrocei os governantes e os seus oficiais.

Castigo da Babilónia

24«Haveis de ver — declara o Senhor,

que eu vou obrigar a Babilónia e o seu povo

a pagar todo o mal que fizeram a Jerusalém.

25Babilónia, tu és como uma montanha

que domina o mundo inteiro;

mas eu vou voltar-me contra ti:

vou atacar-te e atirar-te abaixo do rochedo

e ficarás num monte de cinzas.

Palavra do Senhor!

26Ninguém mais usará as pedras dos teus muros

para os alicerces ou para o ângulo doutra construção.

Ficarás deserta para sempre.

Palavra do Senhor!

27Deem o sinal para o combate!

Toquem a trombeta para que as nações ouçam!

Que se preparem para a guerra contra a Babilónia!

Chamem contra ela os reinos de Ararat, Mini e Asquenaz51,27 Os três reinos mencionados estendem-se a norte da Mesopotâmia..

Nomeiem um oficial para assumir o comando.

Façam vir cavalos como uma praga de gafanhotos.

28Que as nações se preparem

para a guerra contra a Babilónia.

Mandem vir os reis da Média,

com os seus generais e oficiais,

bem como os seus exércitos.

29A terra treme porque o Senhor vai realizar

o seu plano de transformar a Babilónia num deserto,

onde mais ninguém voltará a habitar.

30Os soldados da Babilónia pararam de lutar

e ficaram nos seus refúgios.

Perderam a coragem, como mulheres sem força.

As portas da cidade caem por terra

e as casas estão a arder.

31Um após outro, os arautos correm

até junto do rei da Babilónia

com as notícias de que a sua cidade

foi conquistada duma ponta à outra.

32O inimigo cortou o acesso ao rio

e deitou fogo às fortalezas.

Os soldados da Babilónia entraram em pânico.

33Eis que o inimigo os destroçará

e pisará como trigo numa eira.

Em breve chegará para ela

o tempo de ser ceifada!

Quem o declara é o Deus de Israel;

o Senhor, todo-poderoso!»

Queixa de Jerusalém e resposta do Senhor

34Nabucodonosor, rei da Babilónia,

cercou Jerusalém e destruiu-a;

deixou a cidade como a um prato vazio;

engoliu-a como se fosse um monstro.

Encheu a barriga com o que havia de melhor

e deitou fora o resto.

35O povo de Sião exclama:

«Que a Babilónia seja castigada

pela violência com que nos tratou!»

Os habitantes de Jerusalém gritam:

«Que os habitantes da Babilónia sejam culpados

pelas mortes que provocaram entre nós.»

36Pois esta é a resposta do Senhor:

«Defenderei a vossa causa

e obrigarei os vossos inimigos

a pagar pelo que vos fizeram.

Secarei as nascentes de água da Babilónia

e farei secar os seus rios.

37Esse país ficará num montão de ruínas,

onde só vivem animais selvagens.

Será um espetáculo horrível e terrível;

ninguém mais lá quererá habitar!

38Os babilónios rugem como leões;

os seus urros são como os dos animais selvagens.

39Enquanto se entusiasmam, vou preparar-lhes uma festa;

vou deixá-los embriagados e delirantes51,39 Embriagados. Imagem do juízo de Deus. Ver 25,15–29..

hão de adormecer e nunca mais acordarão.

Palavra do Senhor!

40Vou fazer com que sejam degolados,

como quem mata cordeiros, cabritos e ovelhas.»

Lamentação e queixas pela Babilónia

41«Como é possível?

A cidade de Chechac51,41 Checac. Ver 25,26 e nota.,

a Babilónia famosa no mundo inteiro foi tomada!

Transformou-se num espetáculo horrível

diante das nações!

42O mar invadiu a Babilónia

e cobriu-a com as suas ondas alterosas.

43As cidades transformaram-se num espetáculo desolador

e ficaram como um deserto sem água,

onde ninguém habita nem passa.

44Castigarei Bel, o deus da Babilónia,

e obrigá-lo-ei a devolver o que roubou;

as nações nunca mais lhe prestarão culto.

Os muros da Babilónia caíram.

45Filhos de Israel e de Judá, fujam todos dessa cidade,

para poderem salvar a vida

e não sofrerem os efeitos da minha ira.

46Não se deixem desanimar, nem tenham medo por tudo o que ouvem. Cada ano, há um novo rumor de violência na terra, de um rei que se bate com outro.

47Eis que vem o tempo em que vou intervir contra os ídolos da Babilónia. Todo o país será humilhado e o seu povo será morto. 48A terra e o céu gritarão de alegria, quando Babilónia cair, diante do povo que virá do norte para a destruir51,48 Ver Ap 18,20.. 49A Babilónia matou gente em todo o mundo, e agora chegou a sua vez de cair, por ter causado a morte a tantos israelitas51,49 Comparar com Ap 18,24.. Palavra do Senhor

50Vocês escaparam à morte? Agora fujam, sem tardar! Embora a vossa terra esteja longe, pensem no Senhor e lembrem-se de Jerusalém.

51Nós ficámos desgraçados e humilhados; sentimo-nos indefesos, por causa dos estrangeiros que se apoderaram do lugar santo, o templo do Senhor!

Deus promete castigar a Babilónia

52«Esta é a mensagem do Senhor! Vem aí o dia em que intervirei contra os ídolos da Babilónia e os feridos uivarão por todo o país. 53Mesmo que a Babilónia subisse até ao céu e ali edificasse uma fortaleza sólida, mesmo ali lhes enviaria quem os destruísse. Palavra do Senhor!

54Escutem os lamentos dos que choram na Babilónia, dos que pranteiam por causa da destruição do país. 55Vou dar cabo da Babilónia, vou fazer calar os seus gritos. Os exércitos vão invadi-la, quais ondas encapeladas: o seu ataque faz-se ao som de gritos estridentes. 56Vieram para se apoderarem da Babilónia, cujos soldados foram derrotados e cujos arcos foram quebrados. Eu sou um Deus que castiga o mal e que tratará a Babilónia como merece. 57Farei com que os seus governantes se embriaguem — sábios, chefes, oficiais e os melhores soldados. Irão dormir, para nunca mais acordar. Palavra do grande rei que é o Senhor todo-poderoso!

58Esta é a mensagem do Senhor, todo-poderoso!

Os muros da imponente Babilónia

serão deitados por terra;

os seus altos portões serão incendiados.

A obra das nações de nada vale.

Os seus esforços são pasto das chamas.»

A mensagem de Jeremias é enviada à Babilónia

59Seraías era o oficial às ordens de Sedecias. Era filho de Néria e neto de Masseias. No quarto ano do reinado de Sedecias, de Judá, Seraías51,59 No ano 594 a.C., ou seja, mais de cinquenta anos antes da tomada da Babilónia., dirigia-se para a Babilónia com o rei, e o profeta Jeremias deu-lhe algumas instruções. 60Escreveu num rolo o relato de toda a destruição que havia de cair sobre a Babilónia, bem como outros pormenores acerca dela e 61disse a Seraías: «Quando chegares à Babilónia, não te esqueças de ler ao povo, em voz alta, tudo o que vai aqui escrito. 62Em seguida, faz a seguinte oração: “Senhor, tu disseste que destruirias este lugar, de modo que aqui não ficasse um único ser vivo, nem homem nem animal, pois ficaria deserto para sempre!” 63E quando tiveres acabado de ler este rolo ao povo, ata-o a uma pedra e atira-o ao rio Eufrates, 64pronunciando as seguintes palavras: “Assim acontecerá à Babilónia, afundar-se-á e nunca mais se levantará, tal a destruição que o Senhor vai fazer cair sobre ela.”»

Os discursos de Jeremias terminam nas palavras: «Os seus esforços são pasto das chamas51,64 Referência ao final do v. 58. Comparar com Ap 18,21.

52

A queda de Jerusalém

521Sedecias tinha vinte e um anos de idade quando subiu ao trono de Judá. Reinou durante onze anos em Jerusalém. A sua mãe chamava-se Hamutal e era filha de um certo Jeremias, que vivia na cidade de Libna52,1 Libna. Ver 2 Rs 8,22.. 2O rei Sedecias pecou contra o Senhor, tal como Joaquim tinha feito, 3pelo que o Senhor se irritou contra os habitantes de Jerusalém e Judá e os baniu para longe da sua presença. Sedecias revoltou-se contra o rei Nabucodonosor da Babilónia, 4e este veio com o seu exército atacar Jerusalém, no décimo dia do décimo mês do nono ano52,4 Em finais de dezembro de 589 a.C. do reinado de Sedecias. As tropas cercaram a cidade e edificaram muros para consolidarem o cerco, 5que se manteve até ao décimo primeiro ano do reinado de Sedecias52,5 Princípio do verão de 587 a.C..

6No dia nove do quarto mês daquele ano52,6 Finais de junho de 587 a.C., quando a fome se agravou a ponto de ninguém ter nada para comer, 7os muros da cidade cederam. Embora os babilónios mantivessem o cerco, os soldados conseguiram fugir durante a noite. Escaparam pela saída dos jardins reais e passaram pela entrada que ligava os dois muros, fugindo em direção ao vale do Jordão. 8Mas o exército babilónio foi no encalço do rei Sedecias e apanhou-o no vale, perto de Jericó, e todos os soldados de Sedecias o abandonaram. 9Sedecias foi levado à presença do rei Nabucodonosor, que se encontrava na cidade de Ribla, no território de Hamat52,9 Ver 39,5 e nota.; ali Nabucodonosor proferiu a sentença contra ele. 10Em Ribla mandou que os filhos de Sedecias fossem mortos à vista do pai e ordenou também que os oficiais de Judá fossem executados. 11Em seguida, mandou tirar os olhos a Sedecias e levou-o preso com correntes para a Babilónia. Sedecias permaneceu preso na Babilónia até à morte52,11 Ver Ez 12,13..

A destruição do templo

12No décimo dia do quinto mês do décimo nono ano52,12 Corresponde a agosto de 587 a.C. do reinado de Nabucodonosor da Babilónia, Nebuzaradan, conselheiro do rei e comandante do seu exército, entrou em Jerusalém. 13Deitou fogo ao templo52,13 Comparar com 1 Rs 9,8., ao palácio e às casas dos nobres da cidade; 14e os seus soldados que estavam com ele derrubaram igualmente os muros da cidade.

15Em seguida, Nebuzaradan levou cativos para a Babilónia os habitantes que sobreviveram, os artífices e os que se tinham entregado voluntariamente. 16Deixou porém em Judá alguns dos habitantes mais pobres e pô-los a trabalhar nas vinhas e nos campos.

17Os babilónios deitaram abaixo as colunas de bronze52,17 Ver 1 Rs 7,15–22. do templo, bem como os seus suportes; partiram a grande bacia de bronze52,17 Ver 1 Rs 7,23–26., levando o metal para a Babilónia. 18Também se apoderaram dos grandes cinzeiros, das pás, canivetes, bacias de aspersão, conchas e dos restantes utensílios de bronze utilizados no serviço do templo. 19Levaram ainda todos os utensílios feitos de ouro ou de prata: os copos, os turíbulos, as bacias de aspersão, os cinzeiros e os candelabros; as conchas e as taças para as ofertas de vinho52,19 Ver 1 Rs 7,45–50..

20Era impossível calcular o peso de bronze das duas colunas de bronze, com os seus suportes, da grande bacia e dos doze bois que a sustentavam, que Salomão tinha mandado fazer para o templo do Senhor. 21As duas colunas eram idênticas: cada uma tinha nove metros de altura e seis metros de circunferência. Eram ocas e o metal tinha setenta e cinco milímetros de espessura. 22Sobre cada coluna assentava um capitel de bronze de mais de dois metros de altura, decorado a toda a volta por uma grinalda com romãs, também feitas de bronze. 23Havia em cada coluna cem romãs, das quais noventa e seis eram visíveis do chão.

O povo de Judá é levado para a Babilónia

24Além disso, Nebuzaradan, o comandante chefe, levou prisioneiros o sumo sacerdote Seraías, o seu subalterno Sofonias e os outros três oficiais mais importantes do templo. 25Da cidade levou prisioneiros o oficial que comandava as tropas, sete conselheiros do rei, que ainda se encontravam na cidade, o assistente do comando, que tinha a responsabilidade do recrutamento militar e mais sessenta outros homens, tudo pessoas que se encontravam na altura em Jerusalém. 26Nebuzaradan conduziu-os à presença do rei da Babilónia, que se encontrava na cidade de Ribla, 27no território de Hamat. E ali mesmo o rei os mandou matar. Em seguida os habitantes de Judá foram levados para o exílio.

28Eis o registo dos prisioneiros de Nabucodonosor: no sétimo ano do seu reinado52,28 Em 598 ou 597 a.C. Ver 2 Rs 24,10–17. levou três mil e vinte e três; 29no décimo oitavo ano52,29 Em 587 ou 586 a.C. levou oitocentos e trinta e dois de Jerusalém; 30e no vigésimo terceiro ano52,30 Em 582 ou 581 a.C. setecentos e quarenta e cinco; estes conduzidos por Nebuzaradan. Ao todo, foram levados para o exílio quatro mil e seiscentas pessoas.

31No ano em que Evil-Merodac subiu ao trono da Babilónia, mostrou misericórdia para com o rei Jeconias de Judá e pô-lo em liberdade. Isto aconteceu no dia quinze do décimo segundo mês do ano trinta e sete do cativeiro de Jeconias52,31 Sobre a deportação do rei Jeconias, ver 2 Rs 24,10–17; Jr 22,24–27.. 32Evil-Merodac tratou-o com brandura e honrou-o mais do que a qualquer outro dos reis que estavam prisioneiros na Babilónia. 33Por isso, Jeconias pôde trocar a sua roupa de prisioneiro e assentar-se à mesa do rei, durante o resto da sua vida. 34E assim, durante toda a vida, até ao dia da sua morte, Jeconias recebeu diariamente do rei da Babilónia tudo aquilo de que precisava.