a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Confiança sem fundamento

71Jeremias recebeu do Senhor uma ordem, 2para ir à porta do templo e lá proclamar a seguinte mensagem: «Ouçam a palavra do Senhor, ó gente de Judá, que aqui me vem adorar. 3Ouçam o que diz o Senhor, todo-poderoso, Deus de Israel! Mudem a vossa maneira de viver e de agir, e hei de deixar-vos viver aqui7,3 Duas antigas versões traduzem: eu continuarei a habitar convosco neste lugar.. 4Não acreditem quando vos disserem: “É o templo do Senhor! É o templo do Senhor! É o templo do Senhor! Estamos em segurança!” Pois isso é uma ilusão!

5Se na verdade mudarem a vossa maneira de viver e de agir e forem justos uns para com os outros; 6se não oprimirem os estrangeiros, os órfãos e as viúvas, e não matarem ninguém inocente nesta minha terra; se deixarem de prestar culto a outros deuses, para vossa desgraça; 7se de facto mudarem, hei de deixar-vos viver neste lugar7,7 Ver nota ao v. 3., na terra que, de há muito, dei aos vossos antepassados, para sempre.

8Porém confiam em palavras mentirosas, que não valem nada; 9roubam, matam, cometem adultério, fazem falsos juramentos, oferecem incenso ao deus Baal, e adoram a deuses, que antes não conheciam. 10Vêm à minha presença, ao meu templo, e dizem: “Estamos em segurança!” e depois vão continuar a praticar essas coisas abomináveis! 11Pensam que o meu templo é um covil de ladrões7,11 Ver Mt 21,13; Mc 11,17; Lc 19,46. e que eu não vejo o que vocês fazem?

12Vão ver o meu santuário de Silo7,12 Ver 1 Sm 1,3; 3,21; 4,3. que foi o primeiro lugar que escolhi para nele habitar. Vejam o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo, Israel. 13Tudo isso fizeram, apesar de vos ter admoestado vezes sem conta. Mas não quiseram saber. Chamei-vos à razão, mas não me deram ouvidos! Palavra do Senhor! 14Por isso, tal como fiz com Silo, assim farei com este templo, que é meu santuário e no qual se sentem em segurança. O que aconteceu a Silo, acontecerá a este lugar, que outrora dei a vossos antepassados. 15Hei de afastar-vos da minha presença, tal como fiz com os descendentes de Efraim, vossos irmãos7,15 Isto é, as dez tribos do reino do Norte.

Jeremias não deve interceder pelo povo

16«E tu, Jeremias, não intercedas por este povo. Não venhas suplicar nem pedir por ele. Não insistas comigo, porque não te escutarei. 17Não vês o que eles estão a fazer nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém? 18As crianças apanham lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos, destinados à deusa que chamam Rainha dos Céus7,18 Rainha dos Céus. Nome dado à deusa Ishtar (Astarté), venerada na Alta Mesopotâmia e identificada com o planeta Vénus. Ver 44,17–19.. Fazem ofertas de vinho a deuses falsos e provocam-me com tudo isso. 19Mas será a mim que eles provocam, ou a eles próprios, cobrindo-se de vergonha? Palavra do Senhor!

20Por isso, farei recair a minha indignação sobre este templo, sobre os habitantes, os animais e as plantas, bem como sobre a produção agrícola — diz o Senhor Deus; a minha ira será como fogo, que ninguém pode extinguir.»

Inutilidade dos sacrifícios

21Assim diz o Senhor do Universo, o Deus de Israel: «Juntam a carne dos holocaustos à de outros sacrifícios, para terem mais carne para comer7,21 No holocausto a vítima era totalmente oferecida a Deus e queimada. Noutros sacrifícios uma parte da carne era comida por quem fazia a oferta.? 22Quando tirei do Egito os vossos antepassados, não lhes mandei oferecer esses holocaustos e sacrifícios. 23Apenas lhes ordenei que me obedecessem, para que eu fosse o seu Deus e eles fossem o meu povo. Ordenei-lhes que vivessem segundo os meus mandamentos, para serem felizes. 24Mas eles não me obedeceram nem me deram ouvidos. Antes agiram segundo a teimosia e a maldade dos seus corações, e ficaram para trás em vez de andarem para a frente.

25Desde o dia em que os vossos antepassados saíram do Egito até hoje, tenho-vos enviado constantemente os meus servos, os profetas7,25 Comparar com 25,4; 26,5; 29,19; 35,15., dia após dia. 26Mas não me deram ouvidos, nem fizeram caso de mim. Pelo contrário, tornaram-se mais teimosos e rebeldes do que os seus antepassados.

27Por isso, tu, Jeremias, deves apresentar ao meu povo, tudo o que eu te disse, embora não te deem ouvidos; deves comunicar-lhes o meu apelo, mas não te darão resposta. 28Diz-lhes que este povo não obedeceu à voz do Senhor, seu Deus, nem o castigo lhes serviu de emenda. A fé desapareceu; já nem falam dela.»

O pecado do povo e o seu castigo

29«Cortem o vosso cabelo consagrado7,29 Ver Nm 6,1–21. e deitem-no fora,

lamentem-se no cimo dos montes;

porque eu, o Senhor, estou irado,

e rejeito esta geração que me provoca.

30Os filhos de Judá comportaram-se mal para comigo! Palavra do Senhor! Puseram os seus ídolos abomináveis no meu templo e profanaram-no. 31Edificaram altares pagãos, que chamaram Tofet, no vale do filho de Hinom7,31 Situado a sudeste de Jerusalém; ver Jr 19,2–6; 32,35. Sobre o sacrifício de crianças, ver Lv 18,21; 2 Rs 23,10.. Ali queimaram os filhos e filhas em sacrifícios. E eu nunca lhes ordenei tal coisa; tal procedimento não vem do meu coração.

32Por isso, tempo virá em que não se chamará mais Tofet, ou vale de Hinom, mas vale da Matança. Ali sepultarão os mortos, porque não haverá mais nenhum lugar para os sepultar7,32 A presença de cadáveres tornava o lugar ritualmente impuro, mesmo para o culto pagão.. 33Os cadáveres deste povo serão pasto das aves e dos animais selvagens e ninguém os espantará. 34Farei cessar, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, o som de festa e alegria, as vozes do noivo e da noiva; porque a terra ficará deserta7,34 Comparar com Jr 16,9; 25,10; Ap 18,23.

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81«Nesse tempo, os ossos dos reis e dos governantes de Judá, assim como os ossos dos sacerdotes, dos profetas e das outras pessoas que viveram em Jerusalém, serão retirados do sepulcro. 2Em vez de serem ajuntados e sepultados, os seus ossos serão como esterco, espalhados pelo chão. Ficarão expostos diante do sol, da lua e das estrelas, a quem este povo amou e serviu, a quem buscou e prestou culto. 3E os sobreviventes desta nação pecadora, que vivem espalhados pelos países por onde os dispersei, preferirão morrer, a continuar vivos! Palavra do Senhor, Deus do Universo!»

Pecado e castigo

4«Jeremias, deves dizer ao povo o seguinte:

“Esta é a mensagem do Senhor!

Quando alguém cai, não se levanta?

Se alguém se desvia do caminho, não volta para ele?

5Então por que se desvia o meu povo de mim,

e Jerusalém não quer arrepender-se?

Apega-se aos ídolos e não quer voltar para mim.

6Prestei atenção às vossas palavras,

mas vocês não falaram verdade.

Ninguém se arrependeu da sua maldade;

ninguém se interrogou: Que mal fiz eu?

Todos vão em correria louca,

como cavalos em galope para a guerra.

7Até as cegonhas conhecem a estação da migração.

A rola, o grou e a andorinha,

sabem quando devem migrar.

Mas o meu povo não conhece a vontade do seu Senhor.

8Como podem então afirmar que são sábios,

e que têm convosco as leis do Senhor?

Não veem que elas foram mudadas

por escribas desonestos?

9Os sábios foram envergonhados;

ficaram confundidos e apanhados;

rejeitaram a palavra do Senhor

e já não têm sabedoria8,9 Ou: e a sua sabedoria para que serve?.

10Por isso8,10 Comparar os v. 10–12 com 6,12–15., entregarei a outros

as suas terras e as suas mulheres.

Pois, todos, sem exceção,

procuram o seu próprio interesse.

Todos praticam burlas,

até os profetas e os sacerdotes.

11Tratam mal as feridas do meu povo

como se tudo estivesse bem.

Tudo vai bem, dizem eles,

quando sabem que isso não é verdade8,11 Ver Ez 13,10..

12Será que eles se envergonham

das coisas abomináveis que fizeram?

Não, não se envergonham,

nem sequer sabem corar!

Por isso, cairão como outros caíram.

Quando eu os castigar, será o fim.

Sou eu, o Senhor, quem o diz.

13Quis recolher deles alguma coisa!

Palavra do Senhor!

Mas são como as vinhas sem uvas,

como as figueiras sem figos e sem folhas.

E deixei que os que passavam se apoderassem deles8,13 Ver Mc 11,1214..”»

(O povo)

14O povo pergunta:

«Por que estamos ainda assentados?

Juntemo-nos e entremos nas cidades fortificadas,

para ali morrermos.

O Senhor nosso Deus condenou-nos à morte.

Deu-nos veneno para beber,

por termos pecado contra ele.

15Esperávamos que viesse o sossego

e a cura dos nossos males,

e nada! Apenas terror nos sobreveio.

16Já se ouve em Dan8,16 Dan. Ver 4,15 e nota.

o relinchar dos cavalos do inimigo8,16 Comparar com 4,15..

Toda a terra treme à sua passagem.

O inimigo veio destruir a nossa terra

e tudo o que possuímos,

a nossa cidade e os seus habitantes.»

(Deus)

17«Cuidado!

Eu vou mandar-vos serpentes venenosas

contra as quais não há encantamento,

serpentes que vos picarão.

Palavra do Senhor

Jeremias lamenta o povo

18Não encontro remédio

para curar a minha tristeza.

O meu coração está apertado!

19Escutem! Ouço o meu povo que clama,

dum extremo ao outro da terra:

«Será que o Senhor já não está em Sião

e esta terra já não tem o seu rei?»

(Deus)

«Por que me provocaram, adorando ídolos,

deuses desconhecidos, sem valor?»

(Jeremias)

20O verão passou, a colheita está feita,

mas nós continuamos à espera de auxílio.

21O meu coração sente-se angustiado

por causa do sofrimento do meu povo.

Estou de luto e horrorizado!

22Será que já não há o bálsamo de Guilead?

Onde estão os seus médicos?

Por que é que o meu povo não foi curado?

Um povo dominado pela mentira

23Quem me dera que a minha cabeça

fosse uma nascente de água

e os meus olhos uma fonte de lágrimas.

Para poder chorar de dia e de noite,

pelo meu povo que foi morto.

9

91Quem me dera estar no deserto,

longe do meu povo.

É um povo adúltero,

fez-se um bando de traidores.

2Têm a língua afiada como flechas.

Governam o país com desonestidade e não com fidelidade.

(Deus)

«O meu povo fez o mal continuamente,

e não me reconhece como seu Deus.

Palavra do Senhor!

3Cada qual se acautele dos amigos;

não confiem uns nos outros.

Porque cada um age por meio de artimanhas,

e calunia o seu próximo.

4Engana o vizinho

e diz só mentiras.

Habituaram a língua a falar sem verdade,

e cometem atrocidades sem fim.

5Vivem no meio do engano

e recusam conhecer-me!

Palavra do Senhor!

6Por isso, vou purificá-los com o fogo.

Palavra do Senhor, todo-poderoso.

Que outra coisa posso fazer ao meu povo?

7As suas línguas são como setas mortais.

Falam sempre enganosamente.

Falam amigavelmente ao seu vizinho,

mas planeiam armadilhas contra ele.

8Não os castigarei por tudo isto?

Palavra do Senhor!

Não me vingarei de uma nação assim9,8 Ver 5,9.29.

(Jeremias)

9Vou chorar e lamentar-me pelos montes

porque secaram as pastagens da estepe.

Já ninguém passa por lá.

Já não se ouve o mugido do rebanho.

As aves e os animais selvagens fugiram.

(Deus)

10«Farei de Jerusalém um monte de ruínas,

um covil de chacais.

As cidades de Judá ficarão desertas,

ninguém ali morrerá.»

(Jeremias)

11Mas Senhor, por que está a terra devastada

e desolada como um deserto,

para que ninguém por lá passe mais?

Quem é capaz de o entender?

A quem fizeste saber,

para que o passe a outros?

12O Senhor respondeu: «Aconteceu assim, porque o meu povo abandonou os ensinamentos, que eu lhe tinha dado e não me obedeceu nem fez o que lhe disse. 13Foram teimosos e prestaram adoração aos ídolos de Baal, tal como os seus antepassados.

14Por isso, eis o que vou fazer, eu, o Senhor todo-poderoso, o Deus de Israel: darei ao meu povo ervas amargas para comer e fel para beber. 15Vou dispersá-los pelas nações que não conheciam, nem eles nem os seus pais, e enviarei exércitos contra eles, para que sejam totalmente destruídos. 16É isto o que diz o Senhor, todo-poderoso.»

Ais e lamentos

(O povo)

«Ouçam! Mandem vir carpideiras,

venham mulheres hábeis em cânticos fúnebres.

17Que elas se apressem e cantem por nós uma lamentação;

que os nossos olhos se encham de lágrimas

até ficarem inchados de tanto chorar.»

(Jeremias)

18Do lado de Sião ouvem-se lamentações:

«Estamos perdidos e desgraçados!

Temos de sair da nossa terra;

os nossos lares foram destruídos.»

19Ouçam a palavra do Senhor, ó mulheres;

prestem atenção às suas admoestações.

Ensinem as vossas filhas a fazer lamentações

e as vossas amigas a cantar cânticos fúnebres.

20A morte entrou pelas janelas

e penetrou nas nossas casas.

Dizimou as crianças nas ruas

e jovens nas praças públicas.

(Deus)

21«Acrescenta mais isto:

“Por toda a parte jazem cadáveres,

como se fosse estrume nos campos,

como trigo abandonado após a debulha,

trigo que ninguém recolhe.

Assim diz o Senhor.

22Que os sábios não se envaideçam da sua sabedoria;

— diz ainda o Senhor,

nem os fortes, da sua força;

nem os abastados, da sua riqueza.

23Em vez de se envaidecer,

deve antes mostrar que me conhece e compreende

que eu sou um Senhor cheio de misericórdia,

e o que faço é justo e reto.

São essas as coisas que me agradam.

Palavra do Senhor!

24Dias vêm, diz o Senhor, em que castigarei todos aqueles que fizeram a circuncisão, mas não a cumprem: 25os habitantes do Egito, de Judá, Edom, Amon e Moab, os que vivem no deserto, que rapam os cantos do cabelo9,25 Os nómadas cortavam assim o cabelo em honra do seu deus. Comparar com Lv 19,27; Jr 25,23.. Estes últimos não receberam a circuncisão, porém o coração do povo de Israel é como se a não tivesse recebido.”»