a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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A morte de Lázaro

111Um homem chamado Lázaro estava doente. Era natural de Betânia, aldeia onde viviam também as suas irmãs Maria e Marta11,1 Lázaro. Forma abreviada de Eleazar que significa Deus ajuda. Ver Lc 10,38–39. Betânia. Ver Mc 11,1.. 2Maria foi aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe enxugara os pés com os cabelos11,2 Ver 12,3.. Lázaro, o doente, era seu irmão. 3Por isso as duas irmãs enviaram este recado a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente.» 4Quando Jesus recebeu o recado, respondeu: «Essa doença não é de morte, mas sim para mostrar a glória de Deus. Por ela vai Deus manifestar a glória de seu Filho.»

5Jesus tinha uma grande amizade por Marta, pela sua irmã e por Lázaro. 6Mesmo assim, quando recebeu a notícia da doença de Lázaro, ficou ainda dois dias no mesmo lugar. 7Só depois é que disse aos discípulos: «Vamos outra vez para a Judeia.» 8Os discípulos comentaram: «Mestre, ainda há tão pouco tempo que os judeus te queriam matar e vais agora voltar para lá?» 9Jesus respondeu-lhes: «O dia não tem doze horas? Se alguém andar de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele.» 11E acrescentou: «O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas eu vou acordá-lo.» 12Os discípulos disseram então: «Senhor, se está a dormir, é sinal que vai melhorar!» 13Jesus queria dizer que Lázaro estava morto, mas os discípulos julgavam que falava do sono normal. 14Então afirmou-lhes claramente: «Lázaro morreu. 15E ainda bem que eu não estava lá, pois assim é melhor para a vossa fé. Mas vamos ter com ele.» 16Tomé, conhecido por Gémeo, disse então aos outros discípulos: «Vamos nós também para morrer com o Mestre!»

Jesus promete a ressurreição

17Ao chegar a Betânia, Jesus teve conhecimento que Lázaro já estava sepultado havia quatro dias. 18Betânia fica a uns três quilómetros11,18 Literalmente: quinze estádios. Ver 6,19. de Jerusalém. 19E muitos judeus foram ver Marta e Maria para as consolar da morte do irmão.

20Quando Marta soube que Jesus estava a chegar, foi ao seu encontro. Entretanto, Maria ficou sentada em casa. 21Marta disse a Jesus: «Senhor, se cá tivesses estado, meu irmão não teria morrido. 22Mas também sei que quanto pedires a Deus, mesmo agora, ele to concede.» 23Jesus garantiu-lhe: «Teu irmão há de ressuscitar.» 24«Eu sei», respondeu ela, «que no último dia, quando todos ressuscitarem, também ele há de ressuscitar para a vida11,24 Ver Dn 12,2.25Jesus então declarou-lhe: «Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim, mesmo que morra, há de viver. 26E todo aquele que está vivo e crê em mim, nunca mais há de morrer. Crês tu nisto?» 27Marta respondeu: «Sim, Senhor! Eu creio que tu és o Messias, o Filho de Deus, aquele que havia de vir ao mundo.»

Jesus chora por Lázaro

28Depois destas palavras, Marta foi chamar a sua irmã Maria e disse-lhe em particular: «Está cá o Mestre e mandou-te chamar.» 29Logo que Maria ouviu isto, levantou-se apressada e foi ter com Jesus. 30Ele ainda não tinha entrado na aldeia mas continuava no lugar onde Marta o tinha encontrado. 31Os judeus que estavam em casa de Maria para a consolar, quando viram que ela se levantou à pressa e saíra, foram atrás dela, pois pensavam que ia à sepultura para chorar.

32Ao chegar onde estava Jesus, Maria lançou-se-lhe aos pés, mal o viu, e disse: «Senhor, se cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.» 33Quando Jesus viu Maria a chorar, e os judeus que tinham chegado com ela a chorar também, comoveu-se muito e ficou perturbado. 34Depois quis saber: «Onde é que o sepultaram?» Responderam-lhe: «Senhor, vem ver.» 35Nesta altura, Jesus chorou. 36Os judeus reconheceram: «Vejam como era amigo dele!» 37Mas alguns murmuravam: «Ele que deu vista ao cego11,37 Ver 9,6., não podia ter evitado que este homem morresse?»

Jesus ressuscita Lázaro

38Jesus, comovendo-se de novo, aproximou-se do túmulo. Era uma caverna e a entrada estava tapada com uma pedra. 39Jesus disse: «Tirem a pedra.» Mas Marta, irmã do defunto, adiantou-se: «Senhor, já cheira mal! Há já quatro dias que morreu.» 40«Não te disse há pouco», lembrou-lhe Jesus, «que se acreditasses, havias de ver a glória de Deus?» 41Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos ao Céu e disse: «Dou-te graças, ó Pai, por me teres ouvido. 42Eu bem sei que sempre me ouves, mas digo-o agora para as pessoas que estão aqui acreditarem que tu me enviaste.» 43Tendo dito isto, clamou em alta voz: «Lázaro, sai cá para fora!» 44Ele saiu, com as mãos e os pés ligados em faixas e a cara tapada com a mortalha11,44 Comparar com 20,6–7.. Jesus ordenou aos presentes: «Desatem-lhe as ligaduras para ele poder andar.»

Conspiração contra Jesus

(Mateus 26,1–5; Marcos 14,1–2; Lucas 22,1–2)

45Muitos dos judeus que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus acabava de realizar, creram nele. 46Mas alguns foram ter com os fariseus e contaram-lhes o que Jesus fizera. 47Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus reuniram o Sinédrio: «Que devemos fazer? Este homem realiza muitos sinais. 48Se o deixamos à vontade, toda a gente vai acreditar nele e os romanos virão destruir o nosso lugar santo e o nosso povo.» 49Caifás, um deles, que naquele ano era o sumo sacerdote, disse: «Não percebem nada! 50Não veem que é melhor que morra um só homem pelo povo do que toda a nação ser destruída?» 51Ora Caifás não declarou isto por si mesmo. Como era o sumo sacerdote naquele ano, foi por inspiração de Deus que ele afirmou que Jesus devia morrer pela nação judaica11,51 Segundo a mentalidade religiosa judaica daquele tempo, o sumo sacerdote tinha o dom da profecia.. 52Aliás, Jesus devia morrer não apenas pela nação judaica, mas também para reunir todos os filhos de Deus que andam dispersos.

53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54Por isso, ele já não aparecia publicamente na Judeia. Saiu dali e foi para uma região perto do deserto, para uma cidade chamada Efraim11,54 Efraim. Cidade situada uns vinte quilómetros a nordeste de Jerusalém.. E por lá ficou com os discípulos.

55Faltava pouco para a festa da Páscoa dos judeus e muita gente das aldeias ia a Jerusalém para as cerimónias da purificação, antes da Páscoa. 56Eles procuravam descobrir Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Acham que ele não vem à festa?» 57Os chefes dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordens para que, se alguém soubesse onde estava Jesus, os informasse para eles o prenderem.

12

Maria perfuma os pés de Jesus

(Mateus 26,6–13; Marcos 14,3–9)

121Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia12,1 Ver Mc 11,1., onde vivia Lázaro, a quem ele tinha ressuscitado. 2Ofereceram lá um jantar a Jesus. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus. 3Apareceu então Maria com um frasco de perfume muito caro, feito de nardo12,3 Ver Mc 14,3. puro. Deitou-o sobre os pés de Jesus e depois secou-os com os seus cabelos. E toda a casa ficou a cheirar a perfume.

4Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de atraiçoar, contestou: 5«Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas para distribuir pelos pobres?» 6Judas não disse aquilo por ter amor aos pobres, mas porque era ladrão, pois era ele que tinha a bolsa do dinheiro e roubava do que lá se metia. 7Mas Jesus declarou: «Deixem-na em paz! Isto que ela fez serve para o dia do meu enterro12,7 Outra tradução: deixa que ela guarde isso para o dia do meu enterro.. 8Pobres, sempre haverá no vosso meio, mas a mim nem sempre hão de ter.»

Conspiração contra Lázaro

9Muitos judeus tiveram conhecimento de que Jesus estava em Betânia. Foram lá, não só para ver Jesus, mas também Lázaro, que ele ressuscitara. 10Os chefes dos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, 11porque muitos judeus, por causa dele, os abandonavam e passavam a acreditar em Jesus.

Entrada de Jesus em Jerusalém

(Mateus 21,1–11; Marcos 11,1–11; Lucas 19,28–40)

12No dia seguinte, a grande multidão que tinha ido a Jerusalém para a festa da Páscoa teve conhecimento de que Jesus ia entrar na cidade. 13Toda aquela gente pegou em ramos de palmeira para ir ao seu encontro e gritava:

«Glória12,13 Literalmente: Hosana, expressão hebraica que significava Salve, por favor e que nos tempos de Jesus tinha o significado de aclamação: Glória a Deus! Ver Mt 21,9.!

Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor12,13 Ver Sl 118,25–26.!

Aquele que é o rei de Israel!»

14Jesus ia montado num jumento que encontrou. Assim se cumpriu o que diz a Sagrada Escritura:

15Não tenhas medo, filha de Sião

O teu rei está a chegar

montado num jumentinho12,15 Ver Zc 9,9..

16Os seus discípulos não entenderam logo estas coisas. Mas quando Jesus foi glorificado, deram-se conta que tinham feito com ele o que já estava prescrito na Sagrada Escritura.

17As pessoas que estavam junto de Jesus, quando ele ressuscitou Lázaro dos mortos, tinham espalhado o que acontecera. 18Por essa razão é que grande multidão foi ao seu encontro, pois ouviram dizer que Jesus tinha feito esse sinal.

19Em face disto, os fariseus diziam uns para os outros: «Está visto que nada podemos fazer! Toda a gente vai atrás dele!»

Morrer para dar fruto

20Entre os que tinham ido a Jerusalém para adorar a Deus na festa da Páscoa, encontravam-se alguns gregos12,20 Trata-se de simpatizantes do judaísmo ou talvez mesmo de prosélitos, isto é, não-judeus que aderiram à religião judaica.. 21Foram ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e fizeram-lhe o seguinte pedido: «Por favor, nós queríamos conhecer Jesus.» 22Filipe foi dizer isso a André. Então André e Filipe levaram o pedido a Jesus. 23Ele respondeu-lhes: «Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24Ouçam com atenção: se um grão de trigo lançado à terra não morrer, não dá fruto. Mas se morrer dá muito fruto. 25Quem se ama a si mesmo, perde-se, mas quem se despreza a si mesmo neste mundo, ganha a vida eterna12,25 Comparar com Mt 10,39; 16,25; Mc 8,35; Lc 9,24.. 26Se alguém quer servir-me, tem que seguir o meu caminho e onde eu estiver também o meu servo lá estará. E o Pai há de honrar todo aquele que me servir.»

Jesus fala da sua morte

27«Neste momento, o meu coração está perturbado. Mas que posso eu fazer? Pedir ao Pai que me livre desta hora? Mas eu vim ao mundo precisamente por causa desta hora! 28Pai, manifesta o teu poder!» Veio então uma voz do céu que dizia: «Já o manifestei e voltarei ainda a manifestá-lo.»

29A multidão que ali estava ouviu aquela voz. Uns diziam: «Foi um trovão!» Outros afirmavam: «Foi um anjo que lhe falou.» 30Então Jesus esclareceu: «Não foi por minha causa que esta voz se fez ouvir, mas por vossa causa. 31Chegou o momento em que este mundo vai ser julgado. Chegou o momento em que o senhor deste mundo vai ser expulso. 32E eu, quando for levantado da terra12,32 Expressão com duplo sentido, como acontece muitas vezes em João. Ver 3,3.8 e respetivas notas. Aqui significa a elevação de Jesus na cruz e a sua elevação à glória. Ver 3,14–15; 8,28., hei de atrair todos a mim.» 33Por estas palavras Jesus queria indicar o género de morte que o esperava.

34A multidão quis saber: «Nós aprendemos na Lei de Moisés que o Messias há de viver para sempre12,34 Ver Sl 110,4; Is 9,6; Dn 7,14. há de viver para sempre refere-se à vida no Messias na terra, à frente dos judeus.. Como é que tu afirmas que o Filho do Homem deve ser levantado da terra? Afinal quem é esse Filho do Homem?» 35Jesus respondeu-lhes: «A luz ainda está convosco, mas só por um pouco de tempo. Caminhem enquanto houver luz, para que a escuridão não vos apanhe! Quem anda na escuridão não sabe para onde vai. 36Enquanto tiverem luz acreditem nela, para serem luz também.»

Isaías profetiza descrença em Jesus

Depois de ter dito estas palavras, Jesus foi-se embora e escondeu-se dos judeus. 37Embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, os judeus não acreditavam nele. 38Assim se cumpria aquilo que o profeta Isaías escreveu:

Senhor, quem acreditou na nossa mensagem?

E o poder do Senhor a quem foi manifestado12,38 Ver Is 53,1. Citação segundo a antiga tradução grega.?

39Eles não podiam acreditar, porque Deus disse também pela palavra de Isaías:

40Deus fechou-lhes os olhos

e endureceu-lhes os corações:

para não poderem ver com os seus olhos,

nem compreender com o seu entendimento,

nem poderem converter-se a mim,

de modo a ter que os curar12,40 Ver Is 6,9–10. Citação segundo a antiga tradução grega..

41Isaías disse isto de Jesus, porque viu antecipadamente a sua glória e falou dele.

42No entanto, mesmo entre os chefes dos judeus, muitos creram em Jesus. Mas por causa dos fariseus, não o declaravam publicamente, para não serem expulsos da sinagoga12,42 Ver 9,22 e nota e 7,13 e nota.. 43É que eles apreciavam mais a aprovação dos homens do que a de Deus.

Jesus fala com autoridade do Pai

44Jesus declarou ainda em voz alta: «Quem acredita em mim, não acredita em mim, mas naquele que me enviou. 45E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. 46Eu sou a luz que veio ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não ande na escuridão. 47Se alguém ouve aquilo que eu digo mas não o cumpre, não sou eu que o vou condenar por isso, porque eu não vim para condenar o mundo mas para o salvar. 48Aquele que me despreza e não quer aceitar a minha doutrina, já tem quem o condene: são as palavras que eu ensinei que o hão de condenar no último dia. 49É que eu não falo por minha autoridade. O Pai que me enviou deu-me ordens sobre o que devia dizer e ensinar. 50E eu sei que aquilo que o Pai me ordena dá a vida eterna. Portanto, as coisas que eu digo tenho que as dizer como o Pai mas comunicou.»

13

Jesus lava os pés aos discípulos

131Foi antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de deixar este mundo para ir para o Pai. E ele, que amou sempre os seus que estavam no mundo, quis dar-lhes provas desse amor até ao fim.

2Estavam a cear. O Diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a ideia de atraiçoar Jesus. 3Jesus sabia que o Pai lhe tinha dado toda a autoridade, que tinha vindo de Deus e que voltaria em breve para Deus. 4Levantou-se então da mesa, tirou a capa e pegou numa toalha que pôs à cintura. 5Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha.

6Aproximou-se Simão Pedro que lhe disse: «Senhor, tu vais lavar-me os pés?» 7Jesus respondeu-lhe: «O que eu faço, tu não o podes entender agora, mas hás de compreendê-lo mais tarde.» 8Pedro insistiu: «Nunca hei de consentir que me laves os pés.» «Se eu não te lavar», respondeu-lhe Jesus, «não podes partilhar da minha vida.» 9Simão Pedro replicou: «Senhor, nesse caso não me laves só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» 10Disse-lhe Jesus: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vocês estão limpos, mas não todos.» 11Jesus sabia qual era o discípulo que o havia de atraiçoar. Por isso disse: «Nem todos estão limpos.»

12Depois de lhes lavar os pés, Jesus pôs a capa pelas costas, sentou-se de novo à mesa e perguntou-lhes: «Compreendem o que eu acabo de vos fazer? 13Chamam-me Mestre e Senhor e têm toda a razão, porque o sou. 14Se eu, que sou Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também de agora em diante devem lavar os pés uns aos outros. 15Dei-vos o exemplo para que, assim como eu fiz, o façam também uns aos outros. 16Reparem bem no que vos digo: o servo não é maior que o seu senhor, nem o enviado é maior que aquele que o envia13,16 Comparar os v. 12–16 com Lc 22,24–27.. 17Já sabem o que é preciso fazer. Felizes serão se o puserem em prática.

18Não me refiro a todos vós, pois bem sei os que escolhi. Mas é preciso que se cumpra a palavra da Sagrada Escritura: O homem que come o pão comigo voltou-se contra mim13,18 Ver Sl 41,10.. 19Desde já vos digo estas coisas, antes que elas aconteçam para que, quando acontecerem, acreditem que Eu sou aquele que sou13,19 Ver 8,24 e nota.. 20Fiquem a saber que se alguém receber aquele que eu enviar, recebe-me a mim. E quem me receber, recebe também aquele que me enviou.»

Jesus anuncia que vai ser atraiçoado

(Mateus 26,20–25; Marcos 14,17–21; Lucas 22,21–23)

21Depois de ter pronunciado estas palavras, Jesus sentiu-se muito comovido. Então declarou abertamente: «Fiquem a saber que um de vós me vai atraiçoar.» 22Os discípulos olhavam uns para os outros sem saberem de quem falava.

23Um dos discípulos, aquele que Jesus amava de modo especial, estava reclinado ao seu lado. 24Simão Pedro fez-lhe sinal para perguntar a Jesus a quem é que ele se referia. 25Esse discípulo inclinou-se para Jesus e perguntou-lhe: «Senhor, quem é ele?» 26«É aquele a quem eu der o bocado de pão que vou molhar no prato.» Jesus pegou depois num pedaço de pão, molhou-o e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.

27Logo que Judas comeu o pedaço de pão, Satanás apoderou-se dele. Depois Jesus disse-lhe: «Faz depressa o que tens a fazer.»

28Nenhum dos que estavam à mesa compreendeu por que é que Jesus disse aquilo a Judas. 29Como este estava encarregado da bolsa do dinheiro, muitos pensaram que Jesus lhe estava a pedir para comprar as coisas necessárias para a festa da Páscoa, ou então para dar alguma coisa aos pobres. 30Judas comeu o pão e saiu imediatamente. Era noite.

O novo mandamento

31Depois de Judas sair, Jesus falou assim: «Agora mesmo se manifestou a glória do Filho do Homem e a glória de Deus através dele. 32E se a glória de Deus se manifestou pelo Filho, Deus mesmo há de fazer com que a glória do Filho apareça. E isto vai acontecer sem demora.

33Meus filhos, já não vou estar convosco por muito tempo. Hão de me procurar, mas digo-vos, desde já, o mesmo que disse aos judeus: Não podem ir para onde eu vou13,33 Ver 7,34.. 34Deixo-vos agora um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu vos amei, é preciso que se amem também uns aos outros. 35Se tiverem amor uns aos outros, toda a gente reconhecerá que são meus discípulos

Jesus avisa Pedro

(Mateus 26,31–35; Marcos 14,27–31; Lucas 22,31–34)

36Perguntou-lhe Simão Pedro: «Para onde vais, Senhor?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas hás de seguir-me mais tarde.» 37Pedro insistiu: «Senhor, por que razão te não posso seguir agora? Estou pronto a morrer por ti!» 38Jesus replicou: «Pronto a morrer por mim? Fica sabendo que antes do cantar do galo me vais negar três vezes.»