a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
2

O dia do Senhor está próximo

21Deus diz: «Toquem a trombeta em Sião,

deem o alarme na minha santa montanha!

Tremam de medo, ó habitantes do país,

porque vem aí e já está próximo

o dia do castigo do Senhor

2É um dia de trevas e escuridão,

dia de nuvens sombrias!

Como o crepúsculo se estende sobre os montes,

assim é o exército denso e numeroso2,2 O texto não qualifica a natureza deste exército. A deduzir por 1,4.6 e 2,25 tratar-se-ia do exército dos insetos.;

como ele não apareceu outro,

nem aparecerá jamais, até ao fim dos tempos.

3O fogo devora pela frente

e as chamas queimam por trás.

Antes a terra era como o jardim do Éden2,3 Ver Gn 2,8–9; Ez 36,35.,

depois, fica devastada como um deserto;

e nada se lhe consegue escapar!

4Parece um exército de cavalos

e de ginetes a galopar.

5É como o ruído de carros

aos solavancos sobre as montanhas,

como o crepitar do fogo

que devora a palha,

como um exército poderoso

formado para o combate.

6Diante dele os povos tremem,

com o rosto pálido de medo.

7Correm como valentes soldados

e como guerreiros escalam as muralhas;

cada qual avança pela sua fila,

sem se desviar do seu caminho.

8Nenhum deles embaraça os outros,

cada qual segue o seu caminho.

Afrontam os perigos sem romperem fileiras.

9Correm pela cidade, escalam as muralhas,

sobem às casas e entram pelas janelas como os ladrões.

10Diante deles a terra treme e o céu fica abalado,

o Sol e a Lua escurecem2,10 Ver Is 13,10; Am 8,9. e as estrelas perdem o brilho.

11O Senhor dá a voz de comando ao seu exército;

são numerosos os seus batalhões,

são poderosos os que cumprem as suas ordens.

Grande e terrível é o dia do castigo do Senhor!

Quem lhe poderá resistir?

Penitência e súplica

12Mas ainda é tempo de voltarem para mim

com todo o vosso coração,

jejuando e chorando de arrependimento.

Palavra do Senhor!

13Não basta rasgarem os vossos vestidos2,13 O ato de rasgar os vestidos era um sinal de arrependimento.,

o que é preciso é mudar o vosso coração.

Convertam-se, portanto, ao Senhor, vosso Deus,

que é generoso e cheio de compaixão,

paciente e cheio de bondade,

pronto a renunciar às suas ameaças.

14Talvez ele mude de ideia

e, ao passar, vos deixe as suas bênçãos.

Podereis então oferecer ao Senhor, vosso Deus,

as ofertas de trigo e de vinho.

Convite ao jejum e à súplica

15Toquem a trombeta em Sião,

proclamem um jejum,

convoquem uma assembleia solene!

16Ordenem ao povo que se purifique para a assembleia,

reúnam o conselho dos anciãos,

congreguem jovens, crianças e bebés de peito

e que os recém-casados deixem o seu quarto de núpcias.

17Os sacerdotes que servem o Senhor chorem no templo,

entre o pórtico e o altar2,17 Ver Ez 40—43.,

e supliquem assim ao Senhor:

«Senhor, tem piedade deste povo, que te pertence;

não deixes que a vergonha caia sobre eles;

não permitas que os estrangeiros escarneçam deles,

dizendo: “Onde está o poder do seu Deus?”»

18Que o Senhor defenda ciosamente a sua terra

e tenha compaixão do seu povo.

Resposta do Senhor

19Então o Senhor responde às súplicas do seu povo:

«Vou dar-vos trigo, vinho e azeite com fartura.

E nunca mais deixarei

que os estrangeiros vos insultem.

20Afastarei de vós os inimigos do norte2,20 Referência aos assírios e babilónios.,

afastá-los-ei para terras desertas e áridas,

lançarei os da frente no mar Morto

e os da retaguarda no Mediterrâneo.

Os seus cadáveres espalharão um cheiro pestilento!

Eles que ambicionavam realizar grandes coisas!

21Ó terra, não tenhas mais medo!

Alegra-te e rejubila

porque é o Senhor que faz grandes maravilhas.

22Animais selvagens, não tenham mais medo!

As pastagens ficarão de novo verdejantes,

as árvores darão fruto,

as figueiras e as vinhas vão ficar carregadas.

23Alegrem-se e façam festa em honra do Senhor, vosso Deus,

ó habitantes de Sião!

É ele que, a seu devido tempo, vos dá a chuva de outono

e a da primavera, como antigamente,

e que faz cair os aguaceiros.

24As eiras vão encher-se de trigo

e os lagares extravasar de vinho e azeite.

25Vou compensar-vos dos anos

em que as colheitas foram devoradas

pelos gafanhotos, saltões, lagartas e outros insetos

do grande exército que enviei contra vós.

26Hão de comer até ficarem saciados

e irão louvar o Senhor, vosso Deus,

que fez maravilhas a vosso favor.

Nunca mais o meu povo ficará desiludido.

27Então sabereis que eu estou no meio de Israel,

que o Senhor, vosso Deus, sou eu e mais ninguém;

e nunca mais o meu povo ficará desiludido.»

3

O dom do Espírito

31Depois derramarei o meu Espírito sobre toda a gente3,1 Os v. 1–5 são citados em At 2,16–21, no discurso do apóstolo Pedro no dia de Pentecostes.:

os vossos filhos e filhas serão profetas,

os vossos anciãos e os vossos jovens

terão sonhos e visões proféticas.

2Até sobre os escravos e escravas

derramarei o meu espírito naqueles dias.

3Farei aparecer prodígios no céu e na terra:

sangue, fogo e nuvens de fumo.

4O Sol ficará escuro e a Lua cor de sangue,

antes que chegue o dia do castigo do Senhor,

dia grande e terrível.

5Então todos os que invocarem o Senhor serão salvos.

No monte Sião, em Jerusalém, ficará um resto,

como o Senhor prometeu.

Esses são os sobreviventes que o Senhor convoca.

4

O Senhor julga as nações

41Fiquem a saber que, naqueles dias e no momento

em que restaurar Judá e Jerusalém,

2eu reunirei todos os povos estrangeiros

e farei com que desçam ao vale de Josafat4,2 Josafat. Significa “vale do juízo do Senhor”. Não corresponde a qualquer lugar geográfico, pois tem um valor puramente simbólico..

Então pedirei contas a esses povos

por causa do que fizeram aos israelitas,

o povo que me pertence:

dispersaram-no entre as nações estrangeiras

e repartiram entre si o meu país.

3Repartiram o meu povo, à sorte:

vendiam rapazes para comprarem prostitutas,

vendiam raparigas para comprarem vinho para beber.

4E vós também, cidades de Tiro e Sídon

e todos os territórios dos filisteus,

que quereis de mim?

Querem vingar-se de mim? Querem receber a paga?

Se é essa a vossa intenção,

pronta e rapidamente farei

com que a paga caia sobre vós.

5Roubaram o meu dinheiro e o meu ouro,

levaram para os vossos templos

os meus objetos preciosos.

6Venderam os habitantes de Judá e de Jerusalém aos gregos,

para os afastarem dos seus territórios.

7Mas eu vou fazer com que eles regressem

dos lugares onde os venderam

e farei com que a paga caia sobre vós.

8Venderei os vossos filhos

e as vossas filhas aos habitantes de Judá,

e eles os venderão ao povo longínquo dos sabeus4,8 Sabeus. Povo que vivia a sul da península da Arábia. Ver Is 60,6..

Sou eu, o Senhor, quem o declara.

Combate final e julgamento

9Apregoem isto entre as nações:

«Declarem a guerra santa, alistem os soldados,

que todos os guerreiros se aproximem

e se ponham em ordem de batalha.

10Transformem os vossos arados em espadas,

as vossas foices em lanças,

e que até o medroso diga: “Sou um herói!”

11Venham depressa, povos das redondezas,

reúnam-se no mesmo vale!»

E tu, Senhor, conduz os teus guerreiros contra eles.

12«Que as nações se ponham em marcha

e venham ao vale de Josafat4,12 Ver 4,2 e nota..

É lá que eu, o Senhor, me vou sentar,

para julgar todos os povos das redondezas.

13Peguem na foice, porque a seara está madura,

venham pisar, porque o lagar está cheio,

as tinas transbordam porque a maldade deles é grande.»

14Multidões e mais multidões chegam ao vale da Decisão4,14 O mesmo vale dos v. 2 e 12.:

aproxima-se o dia do castigo do Senhor nesse vale.

15O Sol e a Lua obscurecem-se,

as estrelas perdem o seu brilho.

16O Senhor rugirá desde Sião,

levantará a sua voz em Jerusalém.

O céu e a terra hão de tremer,

mas o Senhor protege o seu povo,

pois é um refúgio para os israelitas.

17Então conhecereis que eu sou o Senhor, vosso Deus,

que habito em Sião, minha montanha santa.

Jerusalém será de novo um lugar santo

e nunca mais os estrangeiros a irão conquistar.

Restauração de Israel

18Naqueles dias, os montes destilarão mosto,

as colinas jorrarão leite,

a água correrá em todos os regatos de Judá;

do templo do Senhor brotará uma fonte,

que aumentará a ribeira das Acácias4,18 Não conhecemos a sua localização geográfica, mas devia ficar perto do mar Morto..

19O Egito será terra desolada,

Edom será um deserto seco e desolado,

porque usaram de violência contra Judá

matando pessoas inocentes.

20Judá e Jerusalém existirão sempre

e serão continuamente habitadas.

21Vingarei a sua morte,

os inimigos não ficarão impunes,

e o Senhor habitará em Sião.