a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Acampamento em Guilgal

51Todos os reis dos amorreus, a ocidente do Jordão, e todos os reis dos cananeus, na costa do mar Mediterrâneo, souberam que o Senhor tinha secado o rio Jordão, enquanto os israelitas passavam; por isso, ficaram desanimados e perderam toda a coragem diante dos israelitas.

2Foi então que o Senhor disse a Josué: «Faz umas facas de pedra para celebrar outra vez o ritual da circuncisão dos israelitas.» 3Josué fez o que o Senhor mandou e circuncidou os israelitas, num lugar chamado colina da circuncisão. 4A razão por que Josué os circuncidou foi esta: o povo saído do Egito, quer dizer, todos os homens em idade de combater morreram durante a viagem pelo deserto, depois da saída do Egito. 5À saída do Egito todos estavam circuncidados, mas os que nasceram no deserto não tinham recebido a circuncisão. 6É que os israelitas viajaram pelo deserto durante quarenta anos, desaparecendo assim os que tinham saído do Egito em idade de combater. Uma vez que não obedeceram ao Senhor, ele garantiu-lhes que não veriam a terra onde corre leite e mel, que ele tinha prometido aos antepassados que nos havia de dar. 7Vieram depois os filhos e foram estes que Josué circuncidou, por não terem recebido a circuncisão durante a viagem. 8Depois da circuncisão ficaram no acampamento até estarem curados. 9Disse então o Senhor a Josué: «Hoje retirei do vosso meio o opróbrio da geração que saiu do Egito.» Por causa disso, chamou-se àquele lugar Guilgal5,9 Guilgal tem, em hebraico, um som semelhante ao do verbo usado para “circuncidar”., nome que dura até hoje.

10Os israelitas celebraram a Páscoa na tarde do dia catorze daquele mês, enquanto estavam acampados em Guilgal, na planície de Jericó. 11Nesse dia, comeram pão sem fermento e espigas de trigo assadas. No dia seguinte, já comeram dos frutos da região. 12Um dia depois de terem comido dos frutos da terra, não caiu mais o maná e nesse ano passaram a alimentar-se do que produzia a terra de Canaã.

Aparição de um guerreiro misterioso

13Certa ocasião, quando Josué se encontrava perto de Jericó, viu à sua frente um homem, de pé, com uma espada desembainhada na mão. Josué aproximou-se e perguntou-lhe: «Tu és dos nossos ou dos nossos inimigos?» 14Ele respondeu: «Nem uma coisa nem outra. Estou aqui como chefe do exército do Senhor.» Perante isto, Josué inclinou-se até ao chão e perguntou-lhe: «Que tem o meu Senhor a dizer a este seu servo15Então o chefe do exército do Senhor respondeu-lhe: «Descalça-te, porque é santo o lugar onde estás5,15 Descalçar-se era um sinal de respeito pela santidade do lugar. Ver Ex 3,5.!» Josué assim fez.

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Plano para a conquista de Jericó

61As portas de Jericó estavam muito bem fechadas, por causa dos israelitas; ninguém podia entrar nem sair. 2Apesar disso, o Senhor disse a Josué: «Verás que te entreguei Jericó com o seu rei e os seus soldados.» 3E ordenou-lhe o seguinte: «Durante seis dias, tu e os teus soldados desfilem em volta da cidade uma vez por dia. 4À frente da arca da aliança, irão sete sacerdotes, cada um com uma trombeta de chifre de carneiro. No sétimo dia, darão sete voltas à cidade, enquanto os sacerdotes tocam as trombetas. 5Quando emitirem um som mais prolongado, o povo deve gritar com toda a força e então as muralhas da cidade cairão por terra. Imediatamente o povo entrará na cidade, cada um pelo caminho que lhe ficar em frente.»

6Josué, filho de Nun, chamou os sacerdotes e disse-lhes: «Peguem na arca do Senhor e sete de vós vão à frente da arca com trombetas de chifre de carneiro.» 7Depois disse ao povo: «Avancem e deem a volta à cidade e os guerreiros vão à frente da arca do Senhor

8Quando Josué acabou de falar, os sete sacerdotes puseram-se em marcha à frente da arca do Senhor, tocando as trombetas. 9Os guerreiros iam à frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas. E o resto do exército atrás da arca. Durante toda a marcha, as trombetas não deixavam de tocar. 10Entretanto Josué tinha dado estas ordens ao povo: «Não gritem nem levantem a voz nem digam sequer uma palavra, antes de eu dar ordem para gritar. Só então é que gritarão com força.»

Marcha dos guerreiros em volta da cidade

11A arca do Senhor deu uma volta em torno da cidade e, depois, os israelitas voltaram para o acampamento, onde passaram a noite. 12No dia seguinte, Josué levantou-se cedo e os sacerdotes pegaram na arca do Senhor. 13Os sete sacerdotes que tocavam trombeta iam à frente da arca do Senhor. Adiante deles iam os guerreiros e o resto do exército seguia atrás da arca. Durante a marcha, as trombetas não deixavam de tocar. 14No segundo dia, deram novamente uma volta à cidade e regressaram ao acampamento. E fizeram a mesma coisa, durante seis dias. 15No sétimo dia, levantaram-se de madrugada e, na forma habitual, deram a volta à cidade, mas, nesse dia, deram a volta sete vezes. 16À sétima vez os sacerdotes emitiram um som de trombeta mais prolongado e Josué disse ao povo: «Gritem com força, porque o Senhor vai entregar-vos a cidade. 17A cidade, com tudo o que nela existe, está destinada à destruição total. Só será poupada a prostituta Raab e todos os que estiverem em casa dela, porque foi ela quem escondeu os espiões que nós mandámos. 18Mas livrem-se de ficar com alguma coisa daquilo que está destinado à destruição, pois, nesse caso, atrairiam a desgraça e a destruição para o acampamento de Israel6,18 As coisas destinadas ao Senhor não podiam ser usadas pelos homens; por isso, tinham de ser destruídas. É dessas que se fala neste versículo.. 19Tudo o que houver de prata, ouro, bronze ou ferro pertence ao Senhor. Irá para o seu tesouro.»

20Os sacerdotes tocaram as trombetas. E, logo que o povo ouviu o som prolongado, gritou com toda a força e as muralhas desabaram. Toda a gente entrou na cidade, cada um pelo lugar que tinha na sua frente, e a cidade foi conquistada. 21Destruíram tudo o que havia, matando à espada homens e mulheres, novos e velhos, e também os bois, as ovelhas e os jumentos.

22Josué disse então aos dois homens que tinham ido como espiões: «Vão à casa da prostituta e façam-na vir, a ela e à família, como lhe prometeram.» 23Eles foram e trouxeram Raab com o pai, a mãe, os irmãos e o resto da família, com tudo o que lhe pertencia, e puseram-nos em segurança, fora do acampamento de Israel. 24Em seguida, lançaram fogo à cidade e queimaram tudo o que lá havia, com exceção da prata, do ouro, do bronze e do ferro, que entregaram no tesouro do Senhor. 25Entretanto Josué poupou a vida à prostituta Raab e a todos os seus familiares e poupou tudo o que lhe pertencia, por ela ter escondido os dois homens que tinham ido a Jericó como espiões. Os seus descendentes vivem ainda hoje entre os israelitas.

26Naquela ocasião, Josué fez a seguinte ameaça: «Maldito seja pelo Senhor quem tentar reconstruir a cidade de Jericó! Morra o filho mais velho a quem lhe lançar os alicerces e o mais novo a quem lhe levantar as portas6,26 Alusão ao sacrifício humano como ritual usado na construção de cidades.

27O Senhor estava com Josué e a sua fama espalhou-se por todo o país.

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Dificuldades na conquista de Ai

71Mas os israelitas transgrediram as ordens do Senhor sobre aquilo que estava destinado à destruição. Com efeito, um homem chamado Acan apoderou-se de algumas coisas destinadas à destruição e o Senhor ficou profundamente irado com os israelitas. Este Acan era descendente de Carmi, de Zabedi e de Zera, pertencentes à tribo de Judá.

2Josué tinha mandado alguns homens de Jericó a Ai, localidade situada perto de Bet-Aven, a oriente de Betel, com o fim de espiarem aquela região. Depois de terem espiado Ai, 3eles voltaram para junto de Josué e sugeriram o seguinte: «Não há necessidade de irem todos. Bastam dois ou três mil homens para conquistar Ai. Não mandes todo o exército, porque os habitantes de Ai são poucos.» 4Por tal razão, subiram apenas cerca de três mil homens, mas tiveram de fugir. 5Os habitantes de Ai mataram-lhes cerca de trinta e seis homens e perseguiram-nos desde a porta da cidade até Sebarim, atacando-os pela encosta do monte. E assim os israelitas perderam a coragem e desanimaram completamente. 6Então Josué e os anciãos de Israel rasgaram as roupas em sinal de tristeza e inclinaram-se com o rosto por terra, diante da arca do Senhor, cobrindo de pó as suas cabeças, e ficaram assim até à tarde. 7Josué exclamava: «Senhor, nosso Deus! Por que nos fizeste atravessar o Jordão? Para nos entregares nas mãos dos amorreus e nos destruíres? Antes tivéssemos ficado do outro lado do rio! 8Ó Senhor! Que poderei dizer agora, depois de Israel fugir diante do seu inimigo? 9Os cananeus e todos os habitantes do país vão ter conhecimento disto, e depois vão atacar-nos e destruir-nos e ninguém mais se recordará de nós. Que farás tu para defender o teu prestígio?» 10O Senhor respondeu-lhe: «Levanta-te! Por que estás assim com o rosto por terra? 11Os israelitas pecaram; não cumpriram a aliança que eu tinha feito com eles. Apoderaram-se de coisas que estavam destinadas à destruição, roubaram-nas, esconderam-nas e meteram-nas nas suas bagagens. 12Foi por isso que eles não puderam resistir aos inimigos. Não conseguiram enfrentar o inimigo, porque também eles ficaram condenados à destruição. E eu não estarei mais do vosso lado, enquanto não destruírem o que estava destinado à destruição e que se encontra em vosso poder. 13Levanta-te, pois, e vai convocar o povo. Diz-lhes que estejam preparados para amanhã se apresentarem puros diante do Senhor. Pois, assim fala o Senhor, Deus de Israel: “Vocês apoderaram-se de coisas destinadas à destruição. Por isso, não poderão resistir aos inimigos, enquanto se não desfizerem de tais coisas. 14Apresentem-se amanhã, cada tribo por sua vez. A tribo que o Senhor indicar terá de se apresentar família por família. A família deverá aproximar-se casa por casa e a casa designada há de apresentar-se por indivíduos. 15Aquele que for designado e for encontrado na posse das coisas destinadas à destruição será queimado com tudo o que lhe pertence, porque transgrediu a aliança do Senhor e cometeu um crime que envergonha o povo de Israel.”»

Castigo do culpado

16No dia seguinte, Josué levantou-se cedo e deu ordem para todo o povo se apresentar, tribo por tribo. Foi designada a tribo de Judá. 17Mandou aproximar essa tribo e foi indicada a família de Zera. Aproximou-se então a família de Zera, casa por casa, e foi designada a casa de Zabedi. 18Fez aproximar essa casa, pessoa por pessoa, e foi indicado Acan, descendente de Carmi, de Zabedi e de Zera da tribo de Judá. 19Disse-lhe então Josué: «Meu filho, para glória de Deus, conta-me a verdade, aqui diante do Senhor, Deus de Israel. Diz-me o que fizeste e não me escondas nada.» 20Acan respondeu: «É verdade, pequei contra o Senhor, Deus de Israel. O que aconteceu foi isto: 21vi no meio dos despojos uma linda capa da Mesopotâmia, cerca de dois quilos de prata e uma barra de ouro com cerca de meio quilo. Cobicei essas coisas e fiquei com elas. Depois escondi-as na terra dentro da minha tenda, ficando a prata por baixo de tudo.»

22Josué mandou então alguns homens revistar a tenda e lá encontraram as tais coisas e a prata estava por baixo. 23Pegaram nelas, levaram-nas a Josué e a todos os israelitas, e colocaram-nas diante do Senhor7,23 Diante do Senhor significa diante da arca da aliança, que era considerada como trono do Senhor.. 24Josué, na presença de todo o povo de Israel, tomou Acan com a prata, o manto e a barra de ouro, com os filhos e filhas, bois, jumentos e ovelhas, a tenda e tudo o que ele tinha e levou-o até ao vale de Acor. 25Chegados lá, Josué disse: «Já que foste a nossa desgraça, que agora o Senhor te desgrace a ti!» E todas as pessoas o apedrejaram e, em seguida, lançaram-nos ao fogo a eles e a tudo o que tinham. 26Puseram depois sobre Acan um grande monte de pedras, que ainda dura até hoje. Por tal razão, aquele lugar ficou a chamar-se até agora vale de Acor7,26 Em hebraico, Acor quer dizer desgraça..

Assim se acalmou a ira do Senhor.