a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Plano para a conquista de Jericó

61As portas de Jericó estavam muito bem fechadas, por causa dos israelitas; ninguém podia entrar nem sair. 2Apesar disso, o Senhor disse a Josué: «Verás que te entreguei Jericó com o seu rei e os seus soldados.» 3E ordenou-lhe o seguinte: «Durante seis dias, tu e os teus soldados desfilem em volta da cidade uma vez por dia. 4À frente da arca da aliança, irão sete sacerdotes, cada um com uma trombeta de chifre de carneiro. No sétimo dia, darão sete voltas à cidade, enquanto os sacerdotes tocam as trombetas. 5Quando emitirem um som mais prolongado, o povo deve gritar com toda a força e então as muralhas da cidade cairão por terra. Imediatamente o povo entrará na cidade, cada um pelo caminho que lhe ficar em frente.»

6Josué, filho de Nun, chamou os sacerdotes e disse-lhes: «Peguem na arca do Senhor e sete de vós vão à frente da arca com trombetas de chifre de carneiro.» 7Depois disse ao povo: «Avancem e deem a volta à cidade e os guerreiros vão à frente da arca do Senhor

8Quando Josué acabou de falar, os sete sacerdotes puseram-se em marcha à frente da arca do Senhor, tocando as trombetas. 9Os guerreiros iam à frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas. E o resto do exército atrás da arca. Durante toda a marcha, as trombetas não deixavam de tocar. 10Entretanto Josué tinha dado estas ordens ao povo: «Não gritem nem levantem a voz nem digam sequer uma palavra, antes de eu dar ordem para gritar. Só então é que gritarão com força.»

Marcha dos guerreiros em volta da cidade

11A arca do Senhor deu uma volta em torno da cidade e, depois, os israelitas voltaram para o acampamento, onde passaram a noite. 12No dia seguinte, Josué levantou-se cedo e os sacerdotes pegaram na arca do Senhor. 13Os sete sacerdotes que tocavam trombeta iam à frente da arca do Senhor. Adiante deles iam os guerreiros e o resto do exército seguia atrás da arca. Durante a marcha, as trombetas não deixavam de tocar. 14No segundo dia, deram novamente uma volta à cidade e regressaram ao acampamento. E fizeram a mesma coisa, durante seis dias. 15No sétimo dia, levantaram-se de madrugada e, na forma habitual, deram a volta à cidade, mas, nesse dia, deram a volta sete vezes. 16À sétima vez os sacerdotes emitiram um som de trombeta mais prolongado e Josué disse ao povo: «Gritem com força, porque o Senhor vai entregar-vos a cidade. 17A cidade, com tudo o que nela existe, está destinada à destruição total. Só será poupada a prostituta Raab e todos os que estiverem em casa dela, porque foi ela quem escondeu os espiões que nós mandámos. 18Mas livrem-se de ficar com alguma coisa daquilo que está destinado à destruição, pois, nesse caso, atrairiam a desgraça e a destruição para o acampamento de Israel6,18 As coisas destinadas ao Senhor não podiam ser usadas pelos homens; por isso, tinham de ser destruídas. É dessas que se fala neste versículo.. 19Tudo o que houver de prata, ouro, bronze ou ferro pertence ao Senhor. Irá para o seu tesouro.»

20Os sacerdotes tocaram as trombetas. E, logo que o povo ouviu o som prolongado, gritou com toda a força e as muralhas desabaram. Toda a gente entrou na cidade, cada um pelo lugar que tinha na sua frente, e a cidade foi conquistada. 21Destruíram tudo o que havia, matando à espada homens e mulheres, novos e velhos, e também os bois, as ovelhas e os jumentos.

22Josué disse então aos dois homens que tinham ido como espiões: «Vão à casa da prostituta e façam-na vir, a ela e à família, como lhe prometeram.» 23Eles foram e trouxeram Raab com o pai, a mãe, os irmãos e o resto da família, com tudo o que lhe pertencia, e puseram-nos em segurança, fora do acampamento de Israel. 24Em seguida, lançaram fogo à cidade e queimaram tudo o que lá havia, com exceção da prata, do ouro, do bronze e do ferro, que entregaram no tesouro do Senhor. 25Entretanto Josué poupou a vida à prostituta Raab e a todos os seus familiares e poupou tudo o que lhe pertencia, por ela ter escondido os dois homens que tinham ido a Jericó como espiões. Os seus descendentes vivem ainda hoje entre os israelitas.

26Naquela ocasião, Josué fez a seguinte ameaça: «Maldito seja pelo Senhor quem tentar reconstruir a cidade de Jericó! Morra o filho mais velho a quem lhe lançar os alicerces e o mais novo a quem lhe levantar as portas6,26 Alusão ao sacrifício humano como ritual usado na construção de cidades.

27O Senhor estava com Josué e a sua fama espalhou-se por todo o país.

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Dificuldades na conquista de Ai

71Mas os israelitas transgrediram as ordens do Senhor sobre aquilo que estava destinado à destruição. Com efeito, um homem chamado Acan apoderou-se de algumas coisas destinadas à destruição e o Senhor ficou profundamente irado com os israelitas. Este Acan era descendente de Carmi, de Zabedi e de Zera, pertencentes à tribo de Judá.

2Josué tinha mandado alguns homens de Jericó a Ai, localidade situada perto de Bet-Aven, a oriente de Betel, com o fim de espiarem aquela região. Depois de terem espiado Ai, 3eles voltaram para junto de Josué e sugeriram o seguinte: «Não há necessidade de irem todos. Bastam dois ou três mil homens para conquistar Ai. Não mandes todo o exército, porque os habitantes de Ai são poucos.» 4Por tal razão, subiram apenas cerca de três mil homens, mas tiveram de fugir. 5Os habitantes de Ai mataram-lhes cerca de trinta e seis homens e perseguiram-nos desde a porta da cidade até Sebarim, atacando-os pela encosta do monte. E assim os israelitas perderam a coragem e desanimaram completamente. 6Então Josué e os anciãos de Israel rasgaram as roupas em sinal de tristeza e inclinaram-se com o rosto por terra, diante da arca do Senhor, cobrindo de pó as suas cabeças, e ficaram assim até à tarde. 7Josué exclamava: «Senhor, nosso Deus! Por que nos fizeste atravessar o Jordão? Para nos entregares nas mãos dos amorreus e nos destruíres? Antes tivéssemos ficado do outro lado do rio! 8Ó Senhor! Que poderei dizer agora, depois de Israel fugir diante do seu inimigo? 9Os cananeus e todos os habitantes do país vão ter conhecimento disto, e depois vão atacar-nos e destruir-nos e ninguém mais se recordará de nós. Que farás tu para defender o teu prestígio?» 10O Senhor respondeu-lhe: «Levanta-te! Por que estás assim com o rosto por terra? 11Os israelitas pecaram; não cumpriram a aliança que eu tinha feito com eles. Apoderaram-se de coisas que estavam destinadas à destruição, roubaram-nas, esconderam-nas e meteram-nas nas suas bagagens. 12Foi por isso que eles não puderam resistir aos inimigos. Não conseguiram enfrentar o inimigo, porque também eles ficaram condenados à destruição. E eu não estarei mais do vosso lado, enquanto não destruírem o que estava destinado à destruição e que se encontra em vosso poder. 13Levanta-te, pois, e vai convocar o povo. Diz-lhes que estejam preparados para amanhã se apresentarem puros diante do Senhor. Pois, assim fala o Senhor, Deus de Israel: “Vocês apoderaram-se de coisas destinadas à destruição. Por isso, não poderão resistir aos inimigos, enquanto se não desfizerem de tais coisas. 14Apresentem-se amanhã, cada tribo por sua vez. A tribo que o Senhor indicar terá de se apresentar família por família. A família deverá aproximar-se casa por casa e a casa designada há de apresentar-se por indivíduos. 15Aquele que for designado e for encontrado na posse das coisas destinadas à destruição será queimado com tudo o que lhe pertence, porque transgrediu a aliança do Senhor e cometeu um crime que envergonha o povo de Israel.”»

Castigo do culpado

16No dia seguinte, Josué levantou-se cedo e deu ordem para todo o povo se apresentar, tribo por tribo. Foi designada a tribo de Judá. 17Mandou aproximar essa tribo e foi indicada a família de Zera. Aproximou-se então a família de Zera, casa por casa, e foi designada a casa de Zabedi. 18Fez aproximar essa casa, pessoa por pessoa, e foi indicado Acan, descendente de Carmi, de Zabedi e de Zera da tribo de Judá. 19Disse-lhe então Josué: «Meu filho, para glória de Deus, conta-me a verdade, aqui diante do Senhor, Deus de Israel. Diz-me o que fizeste e não me escondas nada.» 20Acan respondeu: «É verdade, pequei contra o Senhor, Deus de Israel. O que aconteceu foi isto: 21vi no meio dos despojos uma linda capa da Mesopotâmia, cerca de dois quilos de prata e uma barra de ouro com cerca de meio quilo. Cobicei essas coisas e fiquei com elas. Depois escondi-as na terra dentro da minha tenda, ficando a prata por baixo de tudo.»

22Josué mandou então alguns homens revistar a tenda e lá encontraram as tais coisas e a prata estava por baixo. 23Pegaram nelas, levaram-nas a Josué e a todos os israelitas, e colocaram-nas diante do Senhor7,23 Diante do Senhor significa diante da arca da aliança, que era considerada como trono do Senhor.. 24Josué, na presença de todo o povo de Israel, tomou Acan com a prata, o manto e a barra de ouro, com os filhos e filhas, bois, jumentos e ovelhas, a tenda e tudo o que ele tinha e levou-o até ao vale de Acor. 25Chegados lá, Josué disse: «Já que foste a nossa desgraça, que agora o Senhor te desgrace a ti!» E todas as pessoas o apedrejaram e, em seguida, lançaram-nos ao fogo a eles e a tudo o que tinham. 26Puseram depois sobre Acan um grande monte de pedras, que ainda dura até hoje. Por tal razão, aquele lugar ficou a chamar-se até agora vale de Acor7,26 Em hebraico, Acor quer dizer desgraça..

Assim se acalmou a ira do Senhor.

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Estratégia para a conquista da cidade

81O Senhor disse a Josué: «Não tenhas medo nem percas a coragem. Leva contigo os teus soldados e avança contra a cidade de Ai. Eu irei entregar-ta com o seu rei, o seu povo e o seu território. 2Farás a Ai e ao seu rei o mesmo que fizeste a Jericó e ao seu rei. E desta vez podem ficar com os despojos e os animais.» Prepara uma emboscada à cidade pela parte de trás.

3Desta forma Josué preparou-se com todos os seus soldados para atacar Ai. Escolheu trinta mil guerreiros e mandou-os seguir de noite 4com estas orientações: «Preparem uma emboscada à cidade pela parte de trás, mas a pouca distância, e estejam prontos para o ataque. 5Eu e o povo que for comigo vamos aproximar-nos de Ai. Quando os seus habitantes saírem contra nós, como da primeira vez, fugiremos diante deles. 6Irão perseguir-nos até ficarem longe da cidade. Hão de pensar que estamos a fugir deles como da primeira vez. 7Nessa altura, sairão da emboscada e tomarão a cidade, pois o Senhor, vosso Deus, vo-la entregará. 8Depois de terem tomado a cidade, lancem-lhe o fogo. Façam como o Senhor mandou. São estas as minhas ordens.»

9Josué mandou-os então partir e eles foram para a emboscada, ficando escondidos entre Betel e Ai, a oeste da cidade. Josué, por seu lado, passou a noite com o povo. 10No dia seguinte, levantou-se cedo, passou revista ao povo e, à frente de todos, subiu com os chefes de Israel contra Ai. 11As pessoas que estavam com ele foram para a frente da entrada principal da cidade e acamparam do lado norte, ficando um vale entre eles e a cidade. 12Levou cerca de cinco mil homens que se foram esconder a oeste da cidade, entre Ai e Betel, 13enquanto o povo tomou posição a norte da cidade e os homens da emboscada ficavam do lado poente. Josué, por sua vez, avançou durante a noite pelo meio do vale.

14Ao ver isto, o rei de Ai saiu apressadamente, logo ao amanhecer, com a sua gente, em direção ao vale do Jordão, em perseguição dos israelitas. Não sabia que estava armada uma emboscada contra ele por detrás da cidade. 15Josué e os seus homens fingiram-se vencidos e fugiram em direção do deserto. 16Diante disto os habitantes de Ai foram todos convocados para saírem em perseguição dos israelitas. E à medida que os perseguiam iam-se afastando da cidade, 17sem ficar ninguém em Ai nem em Betel. Toda a gente saiu em perseguição do povo de Israel, deixando a cidade de portas abertas.

Conquista da cidade de Ai

18O Senhor disse então a Josué: «Aponta a lança que tens na mão contra Ai, pois vou entregar-te a cidade.» E Josué assim fez. 19Quando apontou a lança, os homens que estavam na emboscada levantaram-se rapidamente e puseram-se a correr em direção à cidade, conquistaram-na e logo a seguir deitaram-lhe o fogo. 20Quando os habitantes de Ai olharam para trás e viram o fumo que se erguia da cidade para o céu, já não puderam fugir para nenhum lado, porque o povo que fingia estar a retirar-se para o deserto voltou-se contra eles. 21Por sua vez, Josué e os que o acompanhavam, ao verem que os homens da emboscada já tinham tomado a cidade e que ela já estava a arder, voltaram para trás e atacaram os habitantes de Ai. 22Então os israelitas que estavam na cidade saíram também contra os inimigos, ficando estes cercados de todos os lados e foram completamente destruídos. Ninguém escapou nem houve sobreviventes. 23Somente o rei de Ai é que foi apanhado com vida e levado à presença de Josué.

24Os israelitas mataram todos os habitantes de Ai que tinham saído em sua perseguição tanto no campo como no deserto onde os tinham seguido. E, havendo todos caído ao fio da espada até serem consumidos, os israelitas voltaram para Ai e destruíram o resto da população também ao fio da espada. 25Foram doze mil, incluindo homens e mulheres, os que morreram naquele dia, ou seja toda a população de Ai. 26Josué manteve a mão estendida, com a lança apontada para Ai, até serem mortos todos os seus habitantes.

27Os israelitas apropriaram-se dos animais e das coisas que havia na cidade, como o Senhor dissera a Josué. 28Josué incendiou Ai, deixando-a num montão de ruínas, e assim ficou até hoje. 29Mandou enforcar o rei de Ai numa árvore e deixou lá o corpo até à tarde8,29 Os corpos dos supliciados não podiam ficar suspensos durante a noite. Ver Dt 21,23.. Ao pôr do sol, deu ordens para retirarem o cadáver e para o lançarem à entrada da cidade. Colocaram sobre ele um grande monte de pedras que ainda dura atualmente.

Leitura da lei no monte Ebal

30Josué levantou no monte Ebal um altar ao Senhor, Deus de Israel. 31Cumpriu assim as instruções que Moisés, servo do Senhor, tinha dado aos israelitas, conforme está escrito no livro da Lei de Moisés: «um altar feito de pedras toscas, não trabalhadas com instrumentos de ferro.» E sobre ele ofereceram ao Senhor sacrifícios e ofertas de reconciliação. 32Sobre as pedras, Josué gravou a lei que Moisés tinha escrito diante do povo de Israel. 33Os israelitas, com os seus anciãos, chefes, escribas e juízes, juntamente com os estrangeiros que viviam no meio deles, conservavam-se de pé dos dois lados da arca da aliança, diante dos sacerdotes levitas que a transportavam. Metade das pessoas estava do lado do monte Garizim e a outra metade do lado do monte Ebal. Já Moisés, servo do Senhor, tinha mandado fazer assim, em tempos idos, ao abençoar o povo de Israel.

34Depois disso, Josué leu toda a lei, incluindo bênçãos e maldições, conforme estão escritas no livro da lei. 35Tudo aquilo que Moisés tinha ordenado foi lido por Josué a toda a assembleia de Israel, que incluía mulheres e crianças, bem como aos estrangeiros que viviam entre eles.