a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Estratégia para a conquista da cidade

81O Senhor disse a Josué: «Não tenhas medo nem percas a coragem. Leva contigo os teus soldados e avança contra a cidade de Ai. Eu irei entregar-ta com o seu rei, o seu povo e o seu território. 2Farás a Ai e ao seu rei o mesmo que fizeste a Jericó e ao seu rei. E desta vez podem ficar com os despojos e os animais.» Prepara uma emboscada à cidade pela parte de trás.

3Desta forma Josué preparou-se com todos os seus soldados para atacar Ai. Escolheu trinta mil guerreiros e mandou-os seguir de noite 4com estas orientações: «Preparem uma emboscada à cidade pela parte de trás, mas a pouca distância, e estejam prontos para o ataque. 5Eu e o povo que for comigo vamos aproximar-nos de Ai. Quando os seus habitantes saírem contra nós, como da primeira vez, fugiremos diante deles. 6Irão perseguir-nos até ficarem longe da cidade. Hão de pensar que estamos a fugir deles como da primeira vez. 7Nessa altura, sairão da emboscada e tomarão a cidade, pois o Senhor, vosso Deus, vo-la entregará. 8Depois de terem tomado a cidade, lancem-lhe o fogo. Façam como o Senhor mandou. São estas as minhas ordens.»

9Josué mandou-os então partir e eles foram para a emboscada, ficando escondidos entre Betel e Ai, a oeste da cidade. Josué, por seu lado, passou a noite com o povo. 10No dia seguinte, levantou-se cedo, passou revista ao povo e, à frente de todos, subiu com os chefes de Israel contra Ai. 11As pessoas que estavam com ele foram para a frente da entrada principal da cidade e acamparam do lado norte, ficando um vale entre eles e a cidade. 12Levou cerca de cinco mil homens que se foram esconder a oeste da cidade, entre Ai e Betel, 13enquanto o povo tomou posição a norte da cidade e os homens da emboscada ficavam do lado poente. Josué, por sua vez, avançou durante a noite pelo meio do vale.

14Ao ver isto, o rei de Ai saiu apressadamente, logo ao amanhecer, com a sua gente, em direção ao vale do Jordão, em perseguição dos israelitas. Não sabia que estava armada uma emboscada contra ele por detrás da cidade. 15Josué e os seus homens fingiram-se vencidos e fugiram em direção do deserto. 16Diante disto os habitantes de Ai foram todos convocados para saírem em perseguição dos israelitas. E à medida que os perseguiam iam-se afastando da cidade, 17sem ficar ninguém em Ai nem em Betel. Toda a gente saiu em perseguição do povo de Israel, deixando a cidade de portas abertas.

Conquista da cidade de Ai

18O Senhor disse então a Josué: «Aponta a lança que tens na mão contra Ai, pois vou entregar-te a cidade.» E Josué assim fez. 19Quando apontou a lança, os homens que estavam na emboscada levantaram-se rapidamente e puseram-se a correr em direção à cidade, conquistaram-na e logo a seguir deitaram-lhe o fogo. 20Quando os habitantes de Ai olharam para trás e viram o fumo que se erguia da cidade para o céu, já não puderam fugir para nenhum lado, porque o povo que fingia estar a retirar-se para o deserto voltou-se contra eles. 21Por sua vez, Josué e os que o acompanhavam, ao verem que os homens da emboscada já tinham tomado a cidade e que ela já estava a arder, voltaram para trás e atacaram os habitantes de Ai. 22Então os israelitas que estavam na cidade saíram também contra os inimigos, ficando estes cercados de todos os lados e foram completamente destruídos. Ninguém escapou nem houve sobreviventes. 23Somente o rei de Ai é que foi apanhado com vida e levado à presença de Josué.

24Os israelitas mataram todos os habitantes de Ai que tinham saído em sua perseguição tanto no campo como no deserto onde os tinham seguido. E, havendo todos caído ao fio da espada até serem consumidos, os israelitas voltaram para Ai e destruíram o resto da população também ao fio da espada. 25Foram doze mil, incluindo homens e mulheres, os que morreram naquele dia, ou seja toda a população de Ai. 26Josué manteve a mão estendida, com a lança apontada para Ai, até serem mortos todos os seus habitantes.

27Os israelitas apropriaram-se dos animais e das coisas que havia na cidade, como o Senhor dissera a Josué. 28Josué incendiou Ai, deixando-a num montão de ruínas, e assim ficou até hoje. 29Mandou enforcar o rei de Ai numa árvore e deixou lá o corpo até à tarde8,29 Os corpos dos supliciados não podiam ficar suspensos durante a noite. Ver Dt 21,23.. Ao pôr do sol, deu ordens para retirarem o cadáver e para o lançarem à entrada da cidade. Colocaram sobre ele um grande monte de pedras que ainda dura atualmente.

Leitura da lei no monte Ebal

30Josué levantou no monte Ebal um altar ao Senhor, Deus de Israel. 31Cumpriu assim as instruções que Moisés, servo do Senhor, tinha dado aos israelitas, conforme está escrito no livro da Lei de Moisés: «um altar feito de pedras toscas, não trabalhadas com instrumentos de ferro.» E sobre ele ofereceram ao Senhor sacrifícios e ofertas de reconciliação. 32Sobre as pedras, Josué gravou a lei que Moisés tinha escrito diante do povo de Israel. 33Os israelitas, com os seus anciãos, chefes, escribas e juízes, juntamente com os estrangeiros que viviam no meio deles, conservavam-se de pé dos dois lados da arca da aliança, diante dos sacerdotes levitas que a transportavam. Metade das pessoas estava do lado do monte Garizim e a outra metade do lado do monte Ebal. Já Moisés, servo do Senhor, tinha mandado fazer assim, em tempos idos, ao abençoar o povo de Israel.

34Depois disso, Josué leu toda a lei, incluindo bênçãos e maldições, conforme estão escritas no livro da lei. 35Tudo aquilo que Moisés tinha ordenado foi lido por Josué a toda a assembleia de Israel, que incluía mulheres e crianças, bem como aos estrangeiros que viviam entre eles.

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Acordo com os habitantes de Guibeon

91Tiveram conhecimento destas coisas os reis a ocidente do Jordão, os que habitavam nas montanhas, os da planície e do litoral do mar Mediterrâneo, que se estende para norte em direção ao Líbano. Eram os reis dos hititas, dos amorreus, dos cananeus, dos perizeus, dos heveus e dos jebuseus. 2Por isso, aliaram-se todos para combaterem Josué e os israelitas. 3Mas os habitantes de Guibeon, ao terem conhecimento do que Josué tinha feito a Jericó e a Ai, resolveram preparar-lhe uma armadilha. 4Recorreram a um estrategema, juntando provisões como para uma viagem; carregaram os seus jumentos com uns sacos velhos, com odres de vinho também velhos e cheios de remendos; 5calçaram sandálias velhas e remendadas e vestiram roupas já muito usadas. E até o pão que levaram era seco e bolorento.

6Dirigiram-se ao acampamento de Guilgal e disseram a Josué e aos israelitas: «Nós viemos duma terra distante e queríamos que fizessem um acordo connosco.» 7Mas os israelitas responderam àqueles homens, que eram heveus: «Se calhar, vivem aqui perto. Como vamos nós fazer esse acordo?» 8Eles responderam a Josué: «Estamos às tuas ordens.» Entretanto ele fez-lhes esta pergunta: «Quem são e donde vêm?» 9Então eles falaram deste modo: «Nós viemos de muito longe, por causa da fama do Senhor, vosso Deus. É que ouvimos falar de tudo o que ele fez no Egito 10e da maneira como tratou os dois reis dos amorreus a oriente do Jordão, Seon, rei de Hesbon e Og, rei de Basã, que habitavam em Astarot. 11Por tudo isso, os nossos chefes e toda a gente que vive na nossa terra disseram-nos: “Preparem as coisas para a viagem, vão ter com os israelitas e digam-lhes que estamos prontos a servi-los e que estabeleçam um acordo connosco.” 12Olhem para o nosso pão! Quando saímos de casa para vir ter convosco, ainda estava quente. Agora está seco e bolorento. 13Estes odres de vinho eram novos quando os enchemos. Agora já estão rotos. Até as nossas roupas e calçados se romperam com esta longa viagem!»

14Em face disto, os israelitas aceitaram alguma comida deles, sem consultarem o Senhor. 15Josué fez com eles um tratado de paz e comprometeu-se a poupar-lhes a vida. Os chefes do povo confirmaram isso com juramento.

16Três dias depois de terem concluído este acordo, souberam que os guibeonitas eram seus vizinhos e que habitavam perto deles. 17Os israelitas puseram-se então a caminho e, passados três dias, chegaram às cidades onde eles habitavam, que eram Guibeon, Cafira, Berot e Quiriat-Iarim. 18Entretanto os israelitas não os mataram, porque os chefes do povo tinham jurado em nome do Senhor, Deus de Israel, que lhes haviam de poupar a vida. Apesar de todo o povo murmurar contra os chefes, 19responderam: «Fizemos-lhes um juramento em nome do Senhor, Deus de Israel, e agora não podemos fazer-lhes mal. 20Temos de deixá-los viver para que o Senhor não nos castigue, por não cumprirmos o nosso juramento.» 21Os chefes acrescentaram ainda: «Poupamos-lhes a vida, mas ficarão encarregados de cortar a lenha e ir buscar água para todo o povo9,21 Os guibeonitas ficavam numa condição social inferior, como se pode ver por estes trabalhos, próprios dos escravos..» Foi isto o que os chefes decidiram.

22Josué mandou então vir os guibeonitas e falou-lhes assim: «Por que razão nos enganaram, dizendo que eram de muito longe, quando afinal vivem junto de nós? 23Uma vez que procederam assim, caiu sobre vós uma maldição. Terão de trabalhar sempre para o santuário do meu Deus, cortando lenha e transportando água.» 24Eles responderam: «Nós procedemos assim porque soubemos que o Senhor, vosso Deus, tinha prometido a Moisés, seu servo, que vos havia de dar todo este território e que havia de destruir e tirar da vossa frente todos os seus habitantes. Por causa disso ficámos com muito medo de vocês e fizemos aquilo. 25Agora estamos nas tuas mãos. Trata-nos conforme te parecer bom e justo

26Josué fez como tinha dito. Não os matou nem consentiu que os israelitas os exterminassem. 27Mas pô-los a cortar lenha e a transportar água, ao serviço da comunidade e do santuário do Senhor, no lugar que o Senhor escolhesse. E é isto que eles continuam a fazer até ao dia de hoje.

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Derrota dos amorreus

101Adonisedec, rei de Jerusalém, soube que Josué tinha tomado a cidade de Ai, que a tinha destruído e tinha morto o seu rei, tal como fizera também a Jericó e ao seu rei. Soube ainda que os habitantes de Guibeon tinham feito a paz com os israelitas e viviam com eles. 2Ora os habitantes de Jerusalém ficaram alarmados com isso, porque Guibeon era uma grande cidade, tão grande como as outras que tinham rei. Era mesmo maior que a cidade de Ai e os seus homens eram valentes guerreiros. 3Por isso, Adonisedec mandou levar o seguinte recado a Hoam, rei de Hebron, a Piram, rei de Jarmut, a Jafia, rei de Láquis e a Debir, rei de Eglon: 4«Venham juntar-se a mim para atacarmos os guibeonitas, já que Josué e os israelitas fizeram com eles um tratado de paz.» 5Uniram-se, pois, os cinco reis amorreus, isto é o rei de Jerusalém, o de Hebron, o de Jarmut, o de Láquis e o de Heglon e saíram com os seus exércitos para cercarem e atacarem Guibeon.

6Perante isto, os habitantes de Guibeon, mandaram dizer a Josué, que estava acampado em Guilgal: «Não abandones os teus servos. Vem depressa ajudar-nos e salvar-nos, porque todos os reis amorreus que habitam nas montanhas se juntaram para nos atacarem.» 7Então Josué subiu de Guilgal com todos os seus homens de combate e valentes guerreiros. 8O Senhor disse-lhe: «Não tenhas medo deles porque hei de entregá-los nas tuas mãos. Nem um só te poderá resistir.»

9Josué partiu imediatamente de Guilgal, caminhou durante toda a noite e atacou de surpresa os reis amorreus. 10O Senhor fez com que os amorreus se enchessem de pânico, ao verem os israelitas. Estes derrotaram os amorreus, junto de Guibeon, perseguindo-os depois na direção da subida de Bet-Horon e até Azeca e Maqueda, vencendo sempre. 11Enquanto fugiam dos israelitas na descida de Bet-Horon, o Senhor fez desabar sobre eles uma tempestade de grandes pedras de granizo, até chegarem a Azeca. E foram mais os que morreram por causa das pedras de granizo do que aqueles que os israelitas mataram à espada.

12No dia em que o Senhor deu aos israelitas a vitória sobre os amorreus, Josué disse diante do Senhor e na presença do povo de Israel:

«Sol, para sobre Guibeon

e tu, ó Lua, para sobre o vale de Aialon.»

13E o Sol parou e a Lua não se moveu, até que o povo se vingou dos seus inimigos.

Isto está escrito no livro do Justo10,13 O livro do Justo seria provavelmente uma recolha de poemas. Não chegou até nós, mas era conhecido dos autores dos livros de Josué e de 2 Samuel. Ver 2 Sm 1,18.. Durante quase um dia inteiro, o Sol parou no meio do céu sem pressa de se pôr. 14Nem antes nem depois houve um dia como aquele, em que o Senhor deu ouvidos à voz de um homem, porque o Senhor combatia por Israel.

Morte dos reis amorreus

15Depois disto, Josué e os israelitas voltaram para o acampamento de Guilgal. 16Os cinco reis inimigos fugiram e foram-se esconder na gruta de Maqueda, 17mas alguém foi avisar Josué de que eles estavam lá escondidos. 18Ele deu então as seguintes ordens: «Rolem umas pedras grandes para a entrada da gruta e ponham lá homens a vigiar. 19E não fiquem parados, mas continuem a perseguir e a atacar os inimigos. Não os deixem voltar para as suas terras, porque o Senhor, vosso Deus, os entregou nas vossas mãos.»

20Josué e os israelitas derrotaram-nos e destruíram-nos. Foi uma grande derrota; só alguns escaparam, refugiando-se nas suas cidades fortificadas. 21Os israelitas voltaram em paz ao acampamento em Maqueda, para junto de Josué, e ninguém mais se atreveu a abrir a boca contra os filhos de Israel.

22Depois Josué disse: «Destapem a entrada da gruta e tragam-me os reis que lá se encontram.» 23Eles assim fizeram e levaram-lhe aqueles cinco reis, o rei de Jerusalém, o de Hebron, o de Jarmut, o de Láquis e o de Eglon. 24Quando estavam diante de Josué, este chamou todos os homens de Israel e deu ordens aos chefes militares, que o tinham acompanhado, para se aproximarem e colocarem os pés sobre o pescoço daqueles reis10,24 Este gesto significava a suprema derrota do inimigo.. Eles então aproximaram-se e fizeram como lhes foi ordenado. 25Em seguida Josué disse aos chefes militares: «Não tenham medo nem desanimem, mas sejam fortes e corajosos, porque é assim que o Senhor há de tratar todos os inimigos com quem tiverem de combater.» 26Mandou depois matar os reis e pendurá-los em cinco árvores e lá estiveram pendurados até à noite. 27Ao pôr do sol, por ordem de Josué, desceram-nos das árvores e lançaram-nos na mesma gruta onde antes se tinham escondido. Colocaram à entrada grandes pedras, que lá permanecem até ao dia de hoje.

Conquista das terras do sul

28Naquele mesmo dia, Josué apoderou-se da cidade de Maqueda e do seu rei, destruindo a fio de espada tudo o que nela havia, sem deixar escapar ninguém. Fez ao rei de Maqueda o mesmo que tinha feito ao rei de Jericó. 29A seguir, fez avançar os seus homens de Maqueda para Libna e atacou essa cidade. 30O Senhor fê-la cair também com o seu rei nas mãos de Israel. Passaram a fio de espada todos os seus habitantes, sem deixar escapar nenhum, e ao seu rei fizeram-lhe o mesmo que tinham feito ao de Jericó.

31Depois disso, Josué, com os israelitas, passou de Libna para a cidade de Láquis. Cercou-a e atacou-a. 32No dia seguinte, o Senhor fez cair a cidade de Láquis nas mãos de Israel. E mataram todos os seus habitantes, tal como tinham feito a Libna. 33Horam, rei de Guézer, ainda foi em auxílio do rei de Láquis, mas Josué derrotou-o a ele e ao seu exército, sem deixar sobreviventes.

34Em seguida, Josué, com os israelitas, avançou de Láquis para a cidade de Eglon, cercou-a e atacou-a. 35Naquele mesmo dia, conquistou a cidade e passou a fio de espada todos os seus habitantes, tal como tinha feito a Láquis. 36Subiu depois, com os israelitas, para a cidade de Hebron, atacou-a 37e conquistou-a, bem como às povoações das redondezas. Mataram o rei e toda a gente que lá havia, sem deixar escapar ninguém, condenando à total destruição a cidade, como tinham feito a Eglon. 38Avançou dali com os israelitas para Debir, atacou a cidade 39e conquistou-a, bem como as povoações dos arredores. Mataram também o rei e toda a gente que lá havia, sem deixar escapar ninguém. Fizeram a Debir e ao seu rei o mesmo que tinham feito a Hebron e Libna e aos seus reis.

40Desta forma, Josué conquistou todo o país: venceu os reis da região da montanha, do Negueve, das terras da Chefela e das planícies, sem deixar sobreviventes, condenando à destruição, todos os seres vivos, como o Senhor, Deus de Israel, tinha ordenado. 41As conquistas estenderam-se de Cadés Barneia até Gaza e de Góchen a Guibeon. 42Josué venceu todos esses reis e apoderou-se das suas terras numa só campanha, porque o Senhor, Deus de Israel, combatia por Israel. 43Depois disto, voltou com os seus homens para o acampamento de Guilgal.

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