a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
4

As misérias do cerco de Jerusalém

(Álefe)

41Como é que o ouro perdeu o seu brilho?

O ouro de melhor qualidade alterou-se!

Como é que as pedras santas

se puderam espalhar pelos cantos das ruas?

(Bete)

2Como é que os filhos de Sião

eles que valiam o seu peso em ouro

podem ser comparados ao pote de barro,

ao trabalho de um oleiro?

(Guimel)

3Até os chacais têm o instinto materno

e dão de mamar às suas crias.

Porém a minha cidade é como uma mãe desnaturada,

como as avestruzes do deserto4,3 A avestruz era considerada uma má mãe, por deixar os ovos incubarem ao sol..

(Dálete)

4Os bebés, de tanta sede que passaram;

têm a língua pegada ao céu da boca;

as crianças pedem pão,

mas ninguém lhes dá uma côdea.

(Hê)

5Os que se alimentavam do melhor

caem, sem forças, pelas ruas;

os que foram criados no luxo

vivem agora entre montes de lixo.

(Vau)

6Porque os crimes do meu povo são maiores,

do que os dos habitantes de Sodoma,

que foi destruída num momento,

sem que ninguém pudesse sequer reagir.

(Zaiin)

7Os seus príncipes eram mais brilhantes que a neve,

mais brancos do que o leite;

os seus corpos eram mais rosados do que o coral

e as veias, mais azuis do que a safira.

(Hete)

8O seu rosto é agora mais negro que o carvão;

ninguém os reconhece nas ruas;

estão reduzidos a pele e osso,

mirrados, como um pau seco.

(Tete)

9Melhor fora terem caído à espada,

do que virem a morrer de fome

e terem de perecer de fraqueza,

à falta de alimento.

(Jode)

10Diante da catástrofe que sobreveio ao meu povo,

as mães chegaram ao ponto de cozer os próprios filhos,

para deles se alimentarem,

apesar do muito amor que lhes tinham.

(Cafe)

11O Senhor levou a sua indignação até ao fim

e derramou abundantemente a sua cólera.

Pôs fogo a Sião

e devorou-a até aos alicerces.

(Lâmede)

12Nem os reis da terra, nem ninguém no mundo

acreditariam que, algum dia,

os inimigos viriam a entrar vitoriosos

pelas portas de Jerusalém.

(Mem)

13Esta calamidade deve-se às transgressões

dos seus profetas e sacerdotes,

que fizeram derramar nesta cidade

o sangue dos inocentes.

(Num)

14Vagueiam nas ruas como cegos,

manchados de sangue,

de maneira que ninguém podia

tocar na sua roupa.

(Sâmeque)

15À sua passagem têm de exclamar:

«Impuro! Afastem-se, não lhe toquem!»

Ao mesmo tempo fogem sem saber para onde ir;

e dizem os outros povos: «Não os queremos connosco.»

(Pê)

16Foi o Senhor que os dispersou

e, não os quer ver mais,

pois não respeitaram os sacerdotes

nem tiveram consideração pelas pessoas idosas.

(Aiin)

17Quanto a nós, os nossos olhos estão cansados

de procurar o socorro que não chega.

Fartámo-nos de esperar

mas nenhuma nação veio em nosso auxílio.

(Tsadê)

18Espiam os nossos passos,

e não nos deixam passear nas nossas praças.

Chegámos ao final dos nossos dias:

o fim está próximo, o fim chegou.

(Cofe)

19Os que nos perseguem são lestos,

mais rápidos que a águia a voar;

perseguem-nos pelos montes

e, na planície, põem-nos armadilhas.

(Reche)

20Aquele que era o nosso alento, o rei escolhido pelo Senhor

está prisioneiro numa cela do inimigo.

E nós esperávamos, sob a sua proteção,

ocupar o nosso lugar entre as nações.

(Chim)

21Alegra-te, gente de Edom,

que habitas no país de Uce,

pois hás de beber o cálice amargo do castigo,

que te embriagará e deixará nua.

(Tau)

22Ó Sião, o castigo dos teus crimes caiu sobre ti4,22 Ver Is 40,2..

Não mais te levarão para o exílio.

E tu, Edom, o Senhor castigará os teus crimes

e desmascarará as tuas transgressões.

5

Misericórdia para o povo de Judá

51Senhor, não te esqueças do que nos aconteceu:

vê bem como nos insultam.

2A nossa herança foi entregue a estranhos,

e as nossas casas aos estrangeiros.

3Perdemos os nossos pais,

as nossas mães enviuvaram e nós ficámos órfãos.

4A água dos nossos poços e a lenha dos nossos bosques

temos de os comprar, se os quisermos.

5Os nossos perseguidores não nos deixam;

estamos esgotados, sem descanso.

6Tivemos de estender a mão ao Egito

e à Assíria, para matarmos a fome.

7Os nossos pais pecaram e morreram;

e somos nós que carregamos o peso dos seus crimes.

8Os escravos mandam em nós

e não há ninguém que nos liberte deles.

9Para comermos, arriscamos a vida,

tentando fugir das emboscadas do deserto.

10A nossa pele arde como um forno,

com o calor da fome que nos consome.

11Mulheres de Jerusalém e jovens das cidades de Judá,

todas elas foram violadas.

12Os príncipes foram enforcados

e as pessoas idosas não foram respeitadas.

13Os jovens puxam a pedra do moinho

e as crianças sucumbem ao peso das cargas de lenha.

14O conselho dos anciãos já não se reúne às portas da cidade

nem os jovens tocam os seus instrumentos de música.

15O nosso coração não tem mais alegria,

e as danças transformaram-se em luto.

16Foi-se a nossa dignidade!

Infelizmente, por causa das nossas transgressões!

17O nosso coração desfalece

e os nossos olhos enchem-se de lágrimas,

18porque o monte Sião se transformou num deserto

e ninguém por lá passa, senão as raposas.

19Mas tu, Senhor, és o rei eterno,

e reinarás para todo o sempre.

20Por que hás de esquecer-te de nós,

e abandonar-nos durante tanto tempo?

21Conduz-nos a ti, Senhor, e arrepender-nos-emos,

renova a nossa vida, como éramos no passado.

22Não é possível que nos tenhas rejeitado

e te tenhas zangado dessa maneira connosco!