a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Segue-se uma cópia da carta que Jeremias enviou aos israelitas que iam ser levados prisioneiros pelo rei da Babilónia para o seu país para lhes anunciar a mensagem que ele tinha recebido de Deus.

11Por causa dos vossos pecados contra Deus, Nabucodonosor, rei da Babilónia, vai levar-vos como prisioneiros para o seu país. 2Após a vossa chegada à Babilónia, ficarão lá durante muitos anos, muito tempo mesmo, por mais ou menos sete gerações1,2 Naquela época, sete gerações equivalia, mais ou menos, a duzentos anos.. Depois disso, Deus vos tirará de lá em paz. 3Lá na Babilónia vão ver deuses de prata, ouro e madeira. Esses deuses são carregados nos ombros e metem medo às nações pagãs. 4Tomem muito cuidado para não imitarem esses estrangeiros e não deixem que o medo desses deuses igualmente vos domine. 5Quando virem uma multidão à volta deles, para os adorar, digam nos vossos pensamentos: «Senhor, devemos adorar somente a ti.» 6Pois o meu Anjo estará convosco para cuidar das vossas vidas. 7A língua desses deuses foi feita por artesãos; mas eles, ainda que folheados a ouro e prata, não são deuses verdadeiros e não podem falar. 8Esses povos pegam em ouro e com ele fazem coroas, que colocam nas cabeças dos seus deuses, como se estes fossem raparigas que gostam muito de se enfeitar. 9E às vezes os sacerdotes roubam uma parte do ouro e da prata desses deuses para pagar as suas próprias despesas e também para pagarem às prostitutas dos templos1,9 Pensava-se que a prostituição em honra dos deuses da fertilidade, nos templos pagãos, faria com que as terras se tornassem férteis e que os animais tivessem muitas crias.. 10Embelezam esses deuses de madeira, ouro e prata com vestuário, como se fossem pessoas; no entanto, não se podem proteger da ferrugem e das traças. 11Mesmo que estejam vestidas de roupas de púrpura, essas imagens ficam cobertas de pó do templo, e é preciso alguém tirar o pó das suas caras. 12Um dos ídolos está com um cetro na mão, como se fosse juiz sobre uma província, mas não tem poder para condenar à morte alguém quem o ofende. 13Outro segura uma espada na mão direita e um machado na outra mão, mas não pode defender-se de soldados inimigos nem de ladrões. 14Tudo isso prova que os ídolos não são deuses verdadeiros; portanto, não tenham medo deles. 15Tal como os instrumentos feitos por mão humana se quebram e perdem a utilidade, assim são esses deuses, colocados nos seus templos. 16Os seus olhos cobrem-se de pó, que é levantado pelos pés de quem entra no templo. 17Do mesmo modo que se tranca a cela da prisão para um homem condenado à morte, por ter ofendido o rei, os sacerdotes protegem o templo com portas pesadas, fechaduras e trancas, para impedir os ladrões de o pilhar. 18Os sacerdotes acendem mais lamparinas para os deuses do que para si mesmos; mas esses deuses não podem ver nenhuma delas. 19São como uma viga do templo cujo interior é corroído, segundo dizem, por bichos da terra que os devoram juntamente com as suas roupas, sem que eles o percebam. 20Os seus rostos estão negros por causa do fumo que há no templo. 21Morcegos, andorinhas e outros pássaros voam sobre os seus corpos e as suas cabeça, e os gatos também lhes saltam por cima. 22Assim podem ter a certeza de que eles não são deuses verdadeiros; portanto, não tenham medo deles. 23Esses deuses foram folheados a ouro para ficarem bonitos; mas, se ninguém os polir da ferrugem, não brilham. E, quando estavam a ser fundidos nas forjas, nada sentiam. 24Custaram um elevado preço, mas não são capazes de respirar. 25Não têm pés e por isso precisam de ser carregados aos ombros, mostrando assim aos homens que são motivo de desonra. E os seus adoradores ficam envergonhados quando um deles cai no chão e precisa de ser levantado. 26Mesmo depois de levantado, ele sozinho não é capaz de sair do seu lugar; se estiver inclinado, não se consegue endireitar. São-lhe apresentadas ofertas como se faz com os mortos. 27Os sacerdotes vendem a carne dos sacrifícios que são oferecidos a esses deuses em seu próprio proveito e gastam dinheiro com isso. As mulheres dos sacerdotes salgam parte da carne, mas não a repartem com os pobres e necessitados. E as mulheres que deram à luz há pouco tempo e as que estão menstruadas1,27 De acordo com a Lei de Moisés, mulheres nessas condições estavam cerimonialmente impuras. Ver Lv 12,2–5; 15,19–24. Qualquer coisa em que elas tocassem também ficava impura. tocam nos sacrifícios. 28Assim podem ter a certeza de que os ídolos não são deuses verdadeiros; portanto, não tenham medo deles. 29Como é possível chamar-lhes deuses, quando mulheres1,29 No judaísmo as mulheres não podiam ser sacerdotisas. apresentam ofertas a esses deuses de prata, ouro e madeira? 30Nos seus templos os sacerdotes sentam-se com a túnica rasgada, a cabeça e a barba rapadas e sem nada para cobrir a cabeça. 31Choram e gritam em frente dos seus deuses como se faz numa festa em honra de um morto. 32Os sacerdotes tiram as roupas dos seus deuses e dão-nas às suas mulheres e aos seus filhos. 33Esses deuses não podem pagar o bem nem vingar-se do mal que alguém lhes tenha feito; não podem estabelecer um rei no trono nem o podem destituir; 34não podem dar riqueza nem dinheiro a ninguém. Se alguém lhes faz uma promessa e não a cumpre, eles não cobram. 35Não podem salvar ninguém da morte nem livrar os fracos das mãos dos poderosos. 36Não podem dar vista aos cegos nem socorrer os necessitados. 37Não têm compaixão das viúvas nem cuidam dos órfãos. 38Esses deuses de madeira, folheados a ouro e prata, são como pedras arrancadas de uma montanha, e seus adoradores serão envergonhados. 39Como é possível, então, pensar ou dizer que eles são deuses? 40Os próprios caldeus desonram os seus deuses, pois quando veem alguém que não pode falar, por ser mudo, levam-no ao deus Bel e pedem que ele o faça falar, como se esse deus os pudesse ouvir. 41E não são capazes de abandonar os seus deuses, embora saibam tudo isto, pois não têm entendimento. 42As mulheres, com um cordão amarrado na cintura1,42 O cordão que essas mulheres amarravam na cintura, por cima da roupa, indicava que eram prostitutas do templo. Ver v. 9 e nota., ficam sentadas nas ruas, queimando farinha de trigo, como se fosse incenso. 43Quando uma delas é levada por algum homem para dormir com ele, ri-se das outras por não terem tido a sorte de serem escolhidas. 44Tudo o que se passa com esses deuses é falsidade; como é possível pensar que são deuses? Como é possível chamar-lhes deuses? 45Esses deuses são feitos por escultores e ourives e só podem ser aquilo que esses artesãos querem que eles sejam. 46Os que os fazem não têm vida longa; como é possível, então, que as coisas que eles fazem sejam deuses? 47Assim essas pessoas só deixam falsidade e ignomínia para os seus descendentes. 48Em tempos de guerra ou de calamidades, os sacerdotes discutem entre si onde poderão esconder-se com os seus deuses. 49É incrível que eles não percebam que aqueles ídolos não são deuses, pois não podem salvar-se a si mesmos da guerra ou das calamidades. 50São feitos de madeira e folheados a ouro e prata, e mais cedo ou mais tarde todos ficarão a saber que não passam de um engano. Todos os pagãos e todos os reis acabarão por reconhecer que aqueles ídolos não são deuses; são apenas obras feitas por mãos humanas, coisas que não têm nenhum poder divino. 51Não é claro, então, que eles não são deuses? 52Eles não podem pôr ninguém como rei de um país nem podem fazer chover. 53Como não têm nenhum poder, não são capazes de cuidar das suas próprias causas nem de defender uma pessoa que tenha sofrido injustiça. Parecem corvos a voar entre o céu e a terra. 54Quando o templo desses deuses de madeira, folheados a ouro e prata, se incendeia, os sacerdotes fogem e salvam-se; mas os deuses são destruídos pelo fogo como se vigas de madeira. 55Não podem defender-se de um rei ou de inimigos. 56Como é que alguém poderia acreditar ou pensar que são deuses? 57Esses deuses de madeira, folheados a ouro e prata, não podem defender-se de ladrões e assaltantes. Estes, sendo mais fortes do que os deuses, pegam no ouro, na prata e nas roupas que eles vestem e levam tudo. E esses deuses não podem fazer nada para se protegerem. 58Muito mais do que falsos deuses vale um rei que tem a capacidade de mostrar a sua coragem, ou um utensílio doméstico, útil para o seu dono, ou uma porta que protege o que está dentro de casa, ou mesmo uma coluna de madeira de um palácio. 59O Sol, a Lua e as estrelas brilhantes obedecem a Deus e cumprem a sua missão. 60Assim também o relâmpago é visto por todos1,60 Ou: é bonito de se ver., e o vento sopra em todos os lugares. 61E as nuvens, obedecendo à ordem de Deus, vão pelo mundo inteiro e fazem aquilo que ele ordena. Quando Deus manda que o fogo desça do céu e queime as montanhas e as matas, o fogo obedece. 62Esses deuses falsos não se comparam com nenhuma destas coisas, nem na sua beleza nem no seu poder. 63Não é possível acreditar que sejam deuses nem chamar-lhes deuses, pois não têm poder para decidir uma causa nem para fazer o bem aos homens. 64Vocês sabem que eles não são deuses; portanto, não tenham medo deles. 65Esses deuses não podem amaldiçoar nem abençoar os reis; 66não podem fazer aparecer sinais no céu para os povos verem; não podem brilhar como o Sol ou a Lua. 67Os animais selvagens são melhores do que eles, pois podem fugir para as suas tocas e salvar-se. 68Assim fica mais do que provado para nós que não são deuses; portanto, não tenham medo deles. 69Esses deuses de madeira, folheados a ouro e prata, são como um espantalho numa plantação de pepinos: não protegem nada. 70São como um espinheiro num jardim, no qual pousa toda a sorte de aves; são como um cadáver atirado para um lugar escuro. 71A roupa deles, feita de púrpura e de linho fino1,71 O texto grego diz: mármore., apodrece, e por estes indícios ficam a saber que não são deuses. No fim, eles serão devorados, tornando-se assim uma vergonha para o seu país. 72Portanto, é melhor ser uma pessoa justa que não tem ídolos, pois estará longe da vergonha.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»