a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Insistência na oração

181Jesus apresentou esta parábola para lhes mostrar que deviam orar sempre, sem nunca desanimar: 2«Havia numa certa povoação um juiz que não acreditava em Deus e não tinha respeito por ninguém. 3Nessa mesma povoação morava uma viúva que procurava muitas vezes o juiz e lhe dizia: “Faça-me justiça contra o meu inimigo.” 4Durante muito tempo o juiz não fez caso dela, mas depois pensou: “Apesar de eu não acreditar em Deus, nem ter consideração por ninguém, 5como esta viúva me anda a incomodar, vou fazer-lhe justiça para que ela não me faça esgotar a paciência.”» 6E o Senhor acrescentou: «Ora vejam lá o que faz o mau juiz. 7Não fará Deus justiça aos seus escolhidos que chamam por ele dia e noite? Acham que os vai fazer esperar muito? 8Pois eu afirmo-vos que Deus vos fará justiça sem demora. Mas quando o Filho do Homem vier, achará ele ainda fé sobre a terra?»

Humildade na oração

9Jesus propôs mais outra parábola para alguns que se julgavam pessoas muito justas e desprezavam os outros:

10«Dois homens foram ao templo para orar. Um deles era fariseu e o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, altivo, orava assim: “Ó Deus, agradeço-te porque não sou como os outros, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este cobrador de impostos que ali está. 12Jejuo duas vezes na semana e dou a décima parte de tudo o que ganho.” 13Mas o cobrador de impostos ficou à distância e nem sequer se atrevia a levantar os olhos para o céu; apenas batia com a mão no peito e dizia: “Ó meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!”» 14E Jesus concluiu: «Afirmo-vos que o cobrador de impostos foi para sua casa justificado aos olhos de Deus, ao contrário do fariseu. Pois todo aquele que se engrandece será humilhado e todo o que se humilha será engrandecido.»

As crianças e o reino de Deus

(Mateus 19,13–15; Marcos 10,13–16)

15Algumas pessoas levavam também criancinhas a Jesus para ele as abençoar, mas os discípulos, ao verem isso, repreendiam aquelas pessoas. 16Então Jesus mandou trazer as crianças: «Deixem-nas vir ter comigo! Não as estorvem, porque o reino de Deus é dos que são como elas. 17Lembrem-se disto: quem não receber o reino de Deus como uma criança não entrará nele.»

Os ricos e o reino de Deus

(Mateus 19,16–30; Marcos 10,17–31)

18Um judeu importante perguntou a Jesus: «Bom Mestre, que hei de eu fazer para possuir a vida eterna?» 19«Por que me chamas bom?», respondeu-lhe Jesus. «Só Deus é bom e mais ninguém. 20Com certeza sabes os mandamentos: Não cometas adultério, não mates, não roubes, não dês falso testemunho e respeita o teu pai e a tua mãe18,20 Ver Ex 20,12–16; Dt 5,16–20.21«Desde rapaz que cumpro todos esses mandamentos», disse ele. 22Jesus ouviu-o e acrescentou: «Só te falta uma coisa: vai vender tudo o que tens e dá o dinheiro aos pobres. Ficarás assim com um tesouro no Céu. Depois segue-me.» 23Mas ele ficou desolado com aquelas palavras, porque era muito rico.

24Quando Jesus o viu assim, comentou: «Como é difícil aos ricos entrar no reino de Deus! 25Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.» 26Os que ouviram isto perguntavam: «Neste caso quem é que pode salvar-se?» 27«Aquilo que é impossível aos homens, é possível a Deus», observou-lhes Jesus.

28Então Pedro disse a Jesus: «Olha que nós deixámos tudo para sermos teus discípulos29Jesus retorquiu-lhes: «Pois eu garanto-vos que todo aquele que tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do reino de Deus, 30receberá muito mais neste mundo, e no outro possuirá a vida eterna.»

Jesus fala outra vez da sua morte e ressurreição

(Mateus 20,17–19; Marcos 10,32–34)

31Jesus chamou à parte os doze discípulos: «Escutem! Vamos para Jerusalém, onde se cumprirá tudo o que os profetas escreveram acerca do Filho do Homem. 32Será entregue aos pagãos que vão troçar dele, insultá-lo e cuspir-lhe, 33bater-lhe e dar-lhe a morte. Mas ao terceiro dia ele há de ressuscitar.» 34Os discípulos não perceberam nada daquilo. Era para eles uma linguagem velada; coisas que eles não compreendiam.

Cura de um cego

(Mateus 20,29–34; Marcos 10,46–52)

35Jesus estava quase a chegar à cidade de Jericó e à beira do caminho encontrava-se um cego a pedir esmola. 36Ao perceber que passava muita gente, o cego perguntou o que era. 37Disseram-lhe que era Jesus, o Nazareno, que ia a passar. 38Então ele gritou dali: «Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim!» 39Os que iam à frente mandavam-no calar, mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem compaixão de mim!» 40Jesus parou e mandou-o chamar. Quando ele chegou, perguntou-lhe: 41«Que queres que eu te faça?» E ele respondeu: «Senhor, queria voltar a ver.» 42Jesus disse-lhe: «Pois vê! A tua fé te salvou.» 43Naquele mesmo instante o cego começou a ver; seguiu também com Jesus louvando a Deus pelo caminho. E toda a gente, vendo aquilo, também dava louvores a Deus.

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Jesus chama Zaqueu

191Jesus entrou em Jericó e atravessava a cidade. 2Havia lá um homem rico chamado Zaqueu, chefe de cobradores de impostos. 3Queria ver quem era Jesus, mas como era muito baixo não conseguia, por causa da multidão. 4Correu então adiante do povo, subiu a uma figueira brava e ficou à espera que Jesus por ali passasse, para o ver. 5Quando Jesus chegou ali, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, porque hoje preciso de ficar na tua casa.» 6Ele desceu imediatamente e recebeu Jesus com alegria. 7Ao verem isto, começaram todos a criticar e a dizer que Jesus tinha ido para casa de um homem pecador. 8Zaqueu pôs-se de pé e disse ao Senhor: «Ó Senhor! Vou dar aos pobres metade de todos os meus bens e às pessoas a quem prejudiquei vou dar-lhes quatro vezes mais.» 9Jesus então declarou: «Hoje entrou a salvação nesta casa, pois este homem também é descendente de Abraão. 10Na verdade, o Filho do Homem veio buscar e salvar os que estavam perdidos.»

Rendimento dos nossos dons

(Mateus 25,14–30)

11A multidão ouvia Jesus acerca de todas estas coisas. Como ele estava perto de Jerusalém, e o povo pensava que ia chegar imediatamente o reino de Deus, Jesus acrescentou ainda esta parábola: 12«Havia um homem de boas famílias que partiu para outro país, a fim de ser nomeado rei e em seguida voltar. 13Antes de partir, chamou dez dos seus empregados, distribuiu entre eles dez moedas e disse: “Façam negócio com este dinheiro até que eu volte.” 14Ora o povo daquele país odiava esse homem e enviou atrás dele uma comissão com este recado: “Não queremos que ele seja o nosso rei.” 15Depois de ser nomeado rei, ele voltou. Mandou logo chamar os empregados a quem tinha deixado o dinheiro, para saber quanto tinha ganho cada um deles no negócio. 16Chegou o primeiro e disse: “Senhor, o teu dinheiro rendeu dez vezes mais.” 17E o rei disse: “Está muito bem! És um bom empregado. Já que foste fiel numa coisa tão pequena, faço-te governador de dez cidades.” 18Depois veio o segundo empregado: “Senhor, o teu dinheiro rendeu cinco vezes mais.” 19O rei disse também a este: “Serás governador de cinco cidades.” 20Apareceu por fim um a dizer: “Senhor, aqui tens a tua moeda. Guardei-a num lenço, 21porque tive medo de ti, por seres muito rigoroso, pois vais buscar aonde não puseste e colhes o que não semeaste.” 22Mas o rei respondeu-lhe: “Tu és um mau empregado e vou julgar-te pelas tuas próprias palavras. Sabias que sou um homem rigoroso, que vou buscar aonde não pus e colho o que não semeei. 23Por que não puseste então o meu dinheiro no banco para que, quando eu voltasse, o recebesse com juros?” 24E ordenou aos que estavam com ele: “Tirem-lhe a moeda e deem-na ao que tem dez.” 25Mas eles replicaram: “Senhor, esse já tem dez moedas!” 26O rei respondeu: “Pois eu digo-vos que ao que tem dá-se-lhe mais, mas ao que não tem tira-se-lhe até o que possui. 27Quanto àqueles inimigos que não queriam que eu fosse o rei, tragam-mos cá e matem-nos na minha presença.”»

Entrada de Jesus em Jerusalém

(Mateus 21,1–11; Marcos 11,1–11; João 12,12–19)

28Depois de dizer isto, Jesus seguia à frente do povo para Jerusalém. 29Quando estava perto de Betfagé e Betânia, junto do Monte das Oliveiras, mandou dois discípulos 30com este recado: «Vão à povoação que fica ali em frente. Logo que lá entrarem encontrarão um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltem-no e tragam-no cá. 31Se alguém lhes perguntar por que é que fazem isso, digam que é o Senhor que precisa dele.» 32Eles foram e encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito. 33Quando estavam a soltar o jumentinho, os donos disseram: «Por que é que estão a soltar o jumento?» 34E eles responderam: «O Senhor precisa dele.» 35Levaram-no então a Jesus e puseram as suas capas por cima do jumento. Depois ajudaram Jesus a montar. 36À medida que Jesus avançava, as pessoas estendiam as capas pelo caminho. 37Ao chegarem perto da descida do Monte das Oliveiras, todos os discípulos começaram a gritar de alegria e a dar louvores a Deus pelos milagres que tinham visto. 38E exclamavam:

«Bendito seja o rei,

que vem em nome do Senhor!

Paz no Céu e glória nas alturas!»

39Então alguns fariseus que estavam entre a multidão disseram: «Mestre, repreende os teus discípulos.» 40Mas Jesus respondeu-lhes: «Olhem que se estes se calarem, até as pedras hão de gritar.» 41Quando chegou perto de Jerusalém, ao ver a cidade, Jesus chorou por ela 42e exclamou: «Se tu também compreendesses, ao menos hoje, aquilo que te pode dar a paz! Mas por agora não conseguirás entender! 43Lá virá o tempo em que os teus inimigos farão uma muralha em volta de ti e te cercarão por todos os lados. 44Hão de deitar-te por terra e matar os teus habitantes e não deixarão em ti uma pedra sobre outra, porque não reconheceste o tempo em que Deus te veio visitar.»

Contra os abusos no templo

(Mateus 21,12–17; Marcos 11,15–19; João 2,13–22)

45Jesus entrou no templo e começou a pôr de lá para fora os que estavam a fazer negócio: 46«A Sagrada Escritura diz: O meu templo será casa de oração19,46 Ver Is 56,7; Jr 7,11.. Mas vocês transformaram-no em caverna de ladrões.»

47Jesus ensinava todos os dias no templo. Os chefes dos sacerdotes e os doutores da lei, bem como os chefes do povo, andavam entretanto a ver como podiam matá-lo. 48Mas não encontravam maneira, porque toda a gente andava entusiasmada de o ouvir.

20

A autoridade de Jesus é contestada

(Mateus 21,23–27; Marcos 11,27–33)

201Um dia encontrava-se Jesus no templo a ensinar o povo e a pregar o evangelho, quando chegaram uns chefes dos sacerdotes e doutores da lei, juntamente com anciãos, 2e lhe perguntaram: «Diz-nos lá: Quem te deu tal autoridade? Quem te deu esse direito?» 3«Também eu vos vou fazer uma pergunta», respondeu-lhes Jesus. «Digam-me lá: 4João batizava com autoridade de Deus ou dos homens?» 5Eles puseram-se então a refletir uns com os outros: «Se respondermos que é de Deus, ele vai já perguntar-nos por que razão não acreditámos em João. 6Mas se dissermos que é dos homens, toda a gente nos vai atirar pedras, porque João Batista é tido como verdadeiro profeta7Responderam então que não sabiam. 8E Jesus concluiu: «Pois também eu não vos digo com que autoridade faço estas coisas.»

Rendeiros criminosos

(Mateus 21,33–46; Marcos 12,1–12)

9Depois Jesus apresentou ao povo mais esta parábola: «Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns camponeses e ausentou-se para fora da terra por muito tempo. 10Quando chegou a época das vindimas, mandou um criado aos camponeses para pagarem a sua parte do fruto. Mas eles agarraram o criado, espancaram-no e mandaram-no embora de mãos vazias. 11O dono da vinha mandou outro e eles espancaram também este, insultaram-no e mandaram-no embora de mãos vazias. 12Mandou-lhes um terceiro criado, mas eles feriram-no também e mandaram-no embora. 13Então o dono da vinha disse para consigo: “Que hei de eu fazer? Vou mandar o meu querido filho. Certamente que a ele o vão respeitar.” 14Mas quando os camponeses o viram, disseram logo uns para os outros: “Este é que é o herdeiro! Vamos matá-lo e a herança dele fica para nós.” 15Levaram-no então para fora da vinha e mataram-no. Em face disto, que lhes fará o dono da vinha? 16Matará aqueles homens e arrendará a vinha a outros.»

Quando o povo ouviu isto, disse: «Deus queira que tal não aconteça!» 17Jesus olhou para o povo e perguntou: «Qual será então o significado desta frase da Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se a pedra principal20,17 Ver Sl 118,22.

18E acrescentou: «Todo aquele que cair em cima dessa pedra ficará feito em pedaços e aquele em cima de quem ela cair ficará reduzido a pó.»

19Os doutores da lei e os chefes dos sacerdotes procuraram maneira de prender Jesus naquela altura, porque perceberam muito bem que aquela história se referia a eles, mas tinham medo do povo.

Imposto para imperador

(Mateus 22,15–22; Marcos 12,13–17)

20Os doutores da lei e os chefes dos sacerdotes puseram-se a vigiar Jesus e mandaram espiões, que se fingiam muito honestos, para ver se o apanhavam em falso naquilo que dizia e para o entregarem depois à autoridade e ao poder do governador. 21Estes apresentaram a Jesus o seguinte problema: «Mestre, sabemos que tudo o que dizes e ensinas está certo e que não julgas as pessoas pela aparência, pois ensinas com fidelidade a vontade de Deus. 22Diz-nos uma coisa: Devemos ou não pagar imposto ao imperador romano?» 23Jesus percebeu a malícia deles: 24«Deixem cá ver uma moeda. De quem é esta figura e esta inscrição?» «Do imperador César», responderam. 25Jesus concluiu: «Pois bem, deem então a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.» 26E não conseguiram apanhá-lo em nada do que disse diante de toda a gente. Mas admirados com a sua resposta, calaram-se.

O assunto da ressurreição

(Mateus 22,23–33; Marcos 12,18–27)

27Uns saduceus foram ter com Jesus. Ora eles dizem que não há ressurreição e por isso perguntaram-lhe: 28«Mestre, Moisés deixou-nos escrito na lei que se um homem morrer e deixar a mulher sem nenhum filho, o irmão a seguir deve casar com a viúva, para assim dar descendência ao irmão falecido20,28 Ver Dt 25,5–6.. 29Acontece que havia sete irmãos. O mais velho casou-se e morreu sem deixar filhos. 30Ora o segundo, 31depois o terceiro e os outros, até ao sétimo, todos casaram com ela e todos morreram sem deixar filhos. 32Por último, morreu a mulher. 33No dia da ressurreição de qual deles será a mulher, visto que os sete casaram com ela?»

34Jesus deu-lhes esta resposta: «Neste mundo é que as pessoas se casam. 35Mas os que foram julgados dignos de chegar ao outro mundo e ressuscitar dos mortos, esses não se casam. 36São como os anjos e já não podem morrer: são filhos de Deus porque são herdeiros da ressurreição. 37Até o próprio Moisés, naquele trecho acerca do arbusto, nos deu a entender que os mortos ressuscitam, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob20,37 Ver Ex 3,2.6.. 38Ele não é Deus de mortos, mas de vivos; por isso para ele todos estão vivos.» 39Houve então alguns doutores da lei que lhe disseram: «Muito bem, Mestre!» 40Depois disto, ninguém mais tinha coragem de lhe fazer perguntas.

O Messias e David

(Mateus 22,41–46; Marcos 12,35–37)

41Jesus questionou-os: «Como pode dizer-se que o Messias é descendente de David? 42Vejam que o próprio David disse no livro dos Salmos: Deus disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, 43até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés20,43 Ver Sl 110,1..

44Ora se David lhe chama Senhor, como pode o Messias ser seu descendente?»

Vaidade e exploração

(Mateus 23,1–36; Marcos 12,38–40)

45Estando toda a gente a ouvi-lo, Jesus disse aos discípulos: 46«Cuidado com os doutores da lei! Gostam de andar a passear bem trajados e de serem cumprimentados com todas as atenções nas praças públicas. Escolhem os lugares de destaque tanto nas sinagogas como nos banquetes. 47Devoram os bens das viúvas enquanto se disfarçam fazendo longas orações. Mas Deus há de castigá-los ainda mais por causa disso.»