a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Primeiros companheiros de Jesus

(Mateus 4,18–22; Marcos 1,16–20)

51Um dia estava Jesus à beira do lago de Genesaré5,1 Também chamado lago da Galileia. Ver Mc 6,53. e a multidão apertava-o, porque queria ouvir a mensagem de Deus. 2Ele viu dois barcos parados junto à praia. Os pescadores tinham saído e estavam a lavar as redes. 3Jesus entrou numa das embarcações, que era de Simão Pedro, e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra. Sentou-se e do barco ensinava a multidão.

4Quando acabou de falar disse a Simão: «Leva o barco para a parte mais funda do lago, com os teus companheiros, e lança as redes.» 5Simão respondeu-lhe: «Mestre, andámos toda a noite à pesca e não apanhámos nada; mas já que tu o dizes, vou lançar as redes.» 6Deitaram as redes à água e apanharam tanto peixe que elas ficaram quase a rebentar. 7Fizeram então sinais aos companheiros que estavam no outro barco para os irem ajudar. Eles foram e encheram os dois barcos com tanto peixe que quase se afundavam. 8Quando Simão Pedro viu aquilo, ajoelhou-se aos pés de Jesus e disse: «Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um pecador.» 9Tanto Simão como os que estavam com ele ficaram pasmados com a enorme quantidade de peixe que tinham apanhado. 10O mesmo aconteceu com os companheiros de Simão que se chamavam Tiago e João, filhos de Zebedeu. Jesus disse a Simão: «Não tenhas medo! Daqui em diante serás pescador de homens.» 11Eles puxaram então os barcos para terra, deixaram tudo e foram com Jesus.

Cura de um homem com lepra

(Mateus 8,1–4; Marcos 1,40–45)

12Uma vez estava Jesus numa certa povoação onde havia um homem cheio de lepra. Mal viu Jesus, inclinou-se até ao chão e pediu-lhe: «Senhor, se tu quiseres podes curar-me.» 13Jesus tocou-lhe e disse: «Quero sim! Fica curado.» E ao dizer isto a lepra deixou-o. 14Mas Jesus deu-lhe ordem para não contar a ninguém o que se tinha passado e acrescentou: «Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece a Deus, pela tua cura, o sacrifício que Moisés mandou para lhes servir de prova.» 15Entretanto, a fama de Jesus espalhava-se cada vez mais, de modo que muitas pessoas iam para o ouvir e para serem curadas das suas doenças. 16Mas Jesus procurava lugares isolados, onde ficava em oração.

Cura de um paralítico

(Mateus 9,1–8; Marcos 2,1–12)

17Jesus estava um dia a ensinar e entre os ouvintes estavam sentados alguns fariseus e doutores da lei que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, bem como de Jerusalém.

O poder de Deus estava com Jesus para curar os doentes. 18Nisto, chegaram ali uns homens que transportavam um paralítico numa enxerga. Tentaram passar com ele e colocá-lo diante de Jesus, 19mas não conseguiram por causa da multidão. Subiram então ao telhado e desceram a enxerga com o paralítico por entre as telhas, até ficar no meio de todos, em frente de Jesus. 20Quando ele viu a fé daqueles homens disse ao doente: «Amigo, os teus pecados estão perdoados!» 21Mas os doutores da lei e os fariseus começaram a dizer para consigo: «Quem é este homem que ofende Deus desta maneira? Só Deus é que pode perdoar pecados!» 22Porém Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, disse-lhes: «Que é que estão a pensar lá no íntimo? 23Que será mais fácil? Dizer a este paralítico: “os teus pecados estão perdoados”, ou dizer-lhe: “levanta-te e anda?” 24Para que saibam que o Filho do Homem tem poder na Terra para perdoar pecados», voltando-se para o paralítico disse-lhe: «Sou eu quem te diz: levanta-te, pega na tua enxerga e vai para casa.» 25Ele levantou-se imediatamente, à vista de todos, pegou na enxerga em que estava deitado e foi para casa dando glória a Deus. 26Ficaram tão maravilhados que davam louvores a Deus e diziam cheios de espanto: «O que vimos hoje é extraordinário!»

Jesus chama Levi (Mateus)

(Mateus 9,9–13; Marcos 2,13–17)

27Mais tarde, Jesus saiu e viu um cobrador de impostos, chamado Levi, sentado no posto de cobrança. «Segue-me», disse-lhe. 28Levi deixou tudo, levantou-se e foi com Jesus. 29Posteriormente deu em sua casa um grande banquete em honra de Jesus, em que tomaram parte muitos cobradores de impostos e outras pessoas. 30Os fariseus e os doutores da lei puseram-se então a criticar os discípulos de Jesus e perguntaram-lhes: «Por que é que comem e bebem com os cobradores de impostos e pecadores?» 31Jesus então respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. 32Eu não vim para chamar os justos, mas sim os pecadores para que se arrependam

A questão do jejum

(Mateus 9,14–17; Marcos 2,18–22)

33Fizeram-lhe ainda outra pergunta: «Por que é que os discípulos de João Batista e dos fariseus jejuam tantas vezes, e fazem orações, e os teus discípulos comem e bebem?» 34Jesus respondeu com outra pergunta: «Poderão obrigar os convidados duma boda a jejuar enquanto o noivo estiver com eles? 35Lá virá o tempo em que hão de jejuar, quando o noivo lhes for tirado.» 36Jesus apresentou-lhes depois a seguinte parábola: «Ninguém corta um bocado de roupa nova para o coser em roupa velha; se fizer isso, estraga a roupa nova e o remendo não vai ficar bem na roupa velha. 37E ninguém deita vinho novo em vasilhas velhas, porque o vinho rebenta-as perdendo-se desse modo o vinho e as vasilhas. 38Portanto, o vinho novo deve ser metido em vasilhas novas. 39E ninguém deseja beber vinho novo depois de ter bebido do velho, pois acha que o velho é melhor.»

6

Jesus e o sábado

(Mateus 12,1–8; Marcos 2,23–28)

61Num sábado, Jesus e os discípulos passavam por uma seara. Os discípulos iam arrancando espigas que debulhavam com as mãos e comiam. 2Então uns fariseus perguntaram: «Por que é que fazem ao sábado aquilo que a lei não permite?» 3Jesus lembrou-lhes: «Nunca leram o que David fez um dia quando ele e os seus homens tiveram fome? 4Entrou na casa de Deus, pegou nos pães consagrados, comeu deles e deu também aos companheiros6,4 Ver 1 Sm 21,7.. Ora só os sacerdotes é que podiam comer esses pães.» 5E acrescentou: «O Filho do Homem tem autoridade sobre o próprio sábado.»

Um homem com a mão paralítica

(Mateus 12,9–14; Marcos 3,1–6)

6Num outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-se a ensinar. Estava lá um homem com a mão direita paralisada. 7Então os doutores da lei e os fariseus observavam Jesus para verem se o curava, sendo sábado, pois queriam achar uma razão para o acusarem. 8Mas como Jesus sabia muito bem o que eles pensavam, disse ao homem: «Levanta-te e vem aqui para o meio.» Ele levantou-se e ficou de pé. 9Depois Jesus dirigiu-se aos outros: «Vou fazer-vos uma pergunta: a lei permite fazer bem ao sábado ou fazer mal? Salvar a vida a uma pessoa ou deixar que se perca?» 10E olhando para todos à sua volta, disse ao homem: «Estende a mão.» Ele estendeu-a e a mão ficou sã. 11Eles ficaram furiosos e combinavam uns com os outros o que haviam de fazer contra Jesus.

Os doze apóstolos

(Mateus 10,1–4; Marcos 3,13–19)

12Por essa altura, Jesus subiu a um monte para orar e passou lá a noite em oração a Deus. 13Quando já era dia, reuniu os discípulos e escolheu doze, a quem chamou apóstolos. Eram eles: 14Simão, ao qual deu o nome de Pedro; André, irmão de Pedro; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, 15Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, do partido dos Nacionalistas; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que atraiçoou Jesus.

Jesus ensina e cura

(Mateus 4,23–25)

17Jesus desceu com eles o monte e chegou a um lugar plano com muitos dos que o seguiam. Estava ali uma grande multidão vinda de toda a Judeia6,17 Lucas usa muitas vezes a palavra Judeia para se referir a toda a Palestina. Ver 1,5; 4,44; 6,17; 7,17; 23,5. e de Jerusalém, e das cidades costeiras de Tiro e Sídon. 18Tinham vindo para ouvir Jesus e para ser curados dos seus males. E os possuídos de espíritos maus foram igualmente curados. 19Toda a multidão tentava tocar Jesus, porque dele saía poder que sarava os que lhe tocavam.

A verdadeira felicidade

(Mateus 5,1–12)

20Jesus olhou para os seus discípulos e disse-lhes:

«Felizes os pobres,

porque vos pertence o reino de Deus.

21Felizes os que agora têm fome,

porque serão satisfeitos.

Felizes os que agora choram,

porque hão de rir.

22Felizes serão quando as pessoas vos odiarem, rejeitarem, insultarem e difamarem por serem seguidores do Filho do Homem. 23Alegrem-se quando isso acontecer, saltem de contentamento, porque no céu serão largamente recompensados. Foi assim que os antepassados dessa gente maltrataram também os profetas.

24Mas ai dos ricos,

porque já vos foi dada a recompensa.

25Ai dos que agora estão fartos,

porque irão passar fome.

Ai dos que agora se riem,

pois vão ter muito que lamentar e chorar.

26Ai, quando toda a gente vos elogiar, porque era assim que os vossos antepassados tratavam os falsos profetas.»

Amor aos inimigos

(Mateus 5,38–48; 7,12)

27«Digo a todos os que me estão a ouvir: amem os vossos inimigos e façam bem a quem vos odeia. 28Abençoem quem vos amaldiçoa e orem por aqueles que vos tratam mal. 29Ao que te bater num lado da cara, deixa-o bater também no outro. Ao que te tirar o manto, não o impeças de levar a túnica. 30Dá a quem te pedir, e se alguém levar o que é teu, não tornes a pedi-lo.

31Façam aos outros como desejam que os outros vos façam.

32Se amarem apenas aqueles que vos amam, que recompensa poderão esperar de Deus? Até os pecadores têm amor àqueles que os amam. 33Se fizerem bem somente aos que vos fazem bem, que recompensa poderão esperar? Até os pecadores procedem assim. 34Se emprestarem apenas àqueles de quem esperam tornar a receber, que recompensa poderão esperar? Até os pecadores emprestam uns aos outros para tornarem a receber. 35Vocês, pelo contrário, tenham amor aos vossos inimigos, façam-lhes bem, e emprestem sem nada esperar em troca. Assim, receberão grande recompensa e serão filhos do Deus altíssimo, porque ele é bom até para as pessoas ingratas e más. 36Sejam misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso.»

Não julgar os outros

(Mateus 7,1–5)

37«Não julguem e não serão julgados. Não condenem e não serão condenados. Perdoem e serão perdoados. 38Deem e ser-vos-á dado. Uma boa medida, calcada, batida e transbordante vos será colocada no regaço. Pois a medida que usarem para os outros será usada também para convosco.»

39Jesus apresentou-lhes depois esta parábola: «Pode um cego guiar outro cego? Não irão cair os dois nalgum buraco? 40Nenhum discípulo está acima do seu mestre, mas todo o discípulo bem ensinado será como o mestre. 41Por que é que tu reparas no cisco que está na vista do teu semelhante e não vês a trave que está nos teus próprios olhos? 42Como podes tu dizer ao teu semelhante: “Anda cá, deixa-me tirar-te isso”, se não consegues ver aquilo que tens nos teus olhos? Fingido! Tira primeiro a trave que está nos teus olhos e depois já vês melhor para tirares o cisco da vista do teu semelhante.»

A árvore e os seus frutos

(Mateus 7,16–20; 12,33–35)

43«Não há nenhuma árvore boa que dê frutos ruins nem árvore ruim que dê frutos bons. 44Qualquer árvore se reconhece pelos seus frutos. Não se colhem figos dos espinheiros nem uvas das silvas. 45Quem é bom diz coisas boas, porque tem um tesouro de bondade no seu coração, mas quem é mau diz coisas más, porque o seu coração está cheio de maldade. Cada qual fala daquilo que transborda do seu coração.»

Cumprir a palavra de Deus

(Mateus 7,24–27)

46«Por que é que estão sempre a chamar-me: “Senhor! Senhor!” e não fazem o que eu digo? 47Sabem com quem eu comparo todo aquele que vem ter comigo para ouvir as minhas palavras e as põe em prática? 48Com o homem que construiu uma casa escavando bem fundo para assentar os alicerces na rocha. Veio uma cheia, a água bateu com força contra a casa, mas não a abalou porque estava assente na rocha. 49Mas todo aquele que ouve o que eu digo e não o pratica pode comparar-se ao homem que construiu uma casa sobre a terra, sem alicerces. Quando a corrente embateu contra ela, caiu logo e ficou completamente destruída.»

7

Cura do empregado de um oficial romano

(Mateus 8,5–13)

71Quando Jesus acabou de dizer aquelas coisas ao povo, entrou em Cafarnaum. 2Havia ali um oficial do exército romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, quase a morrer. 3Quando o oficial ouviu falar de Jesus, mandou ir ter com ele alguns anciãos dos judeus para lhe pedirem que fosse curar o seu criado. 4Ao chegarem junto de Jesus, pediram-lhe com insistência que lá fosse e diziam: «Este oficial merece que lhe faças isso, 5porque estima o nosso povo e foi ele quem mandou construir a nossa sinagoga6Então Jesus foi com eles, mas quando já estava perto da casa o oficial mandou uns amigos ao encontro de Jesus para lhe dizerem: «Senhor, não te incomodes que eu não mereço que entres em minha casa. 7Foi por isso que não me julguei digno de ir ter contigo pessoalmente. Basta que digas uma palavra e o meu empregado ficará curado. 8Também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados a quem dou ordens. Digo a um que vá, e ele vai. Digo a outro que venha, e ele vem. E digo ao meu empregado: “Faz isto”, e ele faz.» 9Ao ouvir estas coisas, Jesus sentiu admiração por aquele homem. Voltou-se para a multidão que ia atrás dele e disse: «Fiquem sabendo que ainda não encontrei tamanha fé, nem mesmo entre o povo de Israel.» 10E quando os enviados do oficial romano chegaram a casa dele viram que o doente já estava curado.

Jesus ressuscita o filho de uma viúva

11Depois disto, Jesus foi a uma cidade chamada Naim. Iam com ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando estava à porta da cidade viu que passava um funeral. O morto era filho único de uma viúva. Ia muita gente com ela no funeral. 13Ao ver a viúva, o Senhor teve pena dela e disse-lhe: «Não chores.» 14E aproximando-se tocou no caixão. Os homens que o levavam pararam. Jesus disse então: «Rapaz, sou eu quem te diz: levanta-te!» 15Nisto, o rapaz sentou-se e pôs-se a falar. Jesus entregou-o à mãe. 16Ficaram todos muito impressionados e davam glória a Deus dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós! Deus veio visitar o seu povo!» 17E por toda a Judeia e regiões vizinhas correu a fama do que Jesus tinha feito.

Resposta de Jesus aos discípulos de João Batista

(Mateus 11,2–6)

18Os discípulos de João Batista foram contar-lhe tudo. 19Ele chamou então dois deles e mandou-os ir ter com o Senhor para lhe perguntarem: «És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?» 20Quando chegaram junto de Jesus disseram-lhe: «João Batista mandou-nos cá para te perguntarmos se tu és aquele que está para vir ou se devemos esperar outro.» 21Naquele momento curou Jesus muitos doentes de vários males e enfermidades, possessos de espíritos maus e deu a muitos cegos a graça de poder ver. 22Então Jesus respondeu aos enviados: «Vão contar a João isto que agora viram e ouviram: que os cegos veem, os coxos andam, os que têm lepra são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e os pobres são evangelizados. 23Feliz daquele que não se escandalizar em mim.»

Jesus fala de João Batista

(Mateus 11,7–19)

24Quando os enviados de João se foram embora, Jesus pôs-se a falar dele ao povo: «Que é que foram ver ao deserto? Uma cana abanada pelo vento? 25Que é que lá foram ver? Um homem de roupas finas? Os que andam vestidos de luxo e vivem na opulência encontram-se nos palácios reais. 26Mas afinal o que é que foram ver? Um profeta? Sim, e digo-lhes ainda: ele é mais do que um profeta, 27pois é aquele de quem as Escrituras dizem: Enviarei o meu mensageiro à tua frente para te preparar o caminho7,27 Ver Ml 3,1..

28E fiquem a saber que entre os homens não há ninguém maior do que João Batista. No entanto, o mais pequeno no reino de Deus é maior do que ele.»

29Todas as pessoas que o ouviram, incluindo os cobradores de impostos, sabiam que cumpriram a justiça de Deus sendo batizados com o Batismo de João. 30Mas os fariseus e os doutores da lei desprezaram a vontade de Deus para com eles por não terem querido ser batizados.

31Disse ainda: «Com quem hei de comparar as pessoas desta época? Com quem se parecem elas? 32Com as crianças que andam a brincar na praça pública e gritam umas para as outras:

“Tocámos flauta e não dançaram,

cantámos lamentações e não choraram.”

33No entanto, apareceu João Batista, que não come pão e não bebe vinho, e dizem: “tem Demónio.” 34Veio depois o filho do Filho do Homem, que come e bebe, e dizem dele: “Olhem para este homem! Come bem e bebe melhor, e é amigo de cobradores de impostos e pecadores.”

35Mas a justiça da sabedoria de Deus foi confirmada por todos os seus filhos.»

Jesus em casa de um fariseu

36Um dia, um fariseu convidou Jesus para comer em sua casa. Jesus foi e sentou-se à mesa. 37Então uma mulher pecadora, que havia naquela terra, ao saber que Jesus estava à mesa em casa do fariseu, foi lá com um frasco de alabastro cheio de perfume puro. 38Pôs-se atrás, aos pés de Jesus, a chorar. Com as lágrimas começou a molhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, beijava-os e deitava-lhes perfume. 39Quando o fariseu viu aquilo, disse para consigo: «Se este homem fosse um profeta devia saber que espécie de mulher é esta que lhe está a tocar nos pés, pois é uma pecadora.» 40Então Jesus dirigiu-se assim ao fariseu: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te.» E ele retorquiu: «Diz lá, Mestre.» 41Jesus prosseguiu: «Havia dois homens que deviam dinheiro a outro: um devia-lhe quinhentas moedas de prata, e o outro cinquenta. 42Nenhum dos dois tinha possibilidades de pagar a dívida, por isso ele perdoou a ambos. Qual deles ficará com mais amor ao credor?» 43Simão respondeu: «Julgo que será aquele a quem mais perdoou.» Jesus acrescentou: «Julgaste muito bem.» 44E apontando para a mulher disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés, mas ela lavou-mos com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Não me recebeste com um beijo, mas ela, desde que entrou, não deixou de me beijar os pés. 46Não me deste óleo perfumado para a cabeça, mas ela deitou-me perfume nos pés. 47Digo-te que os seus muitos pecados lhe foram perdoados, porque muito amou. A quem pouco se perdoa, pouco amor mostra.» 48Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» 49Os convidados puseram-se a comentar assim: «Quem será este que até perdoa pecados?»

50Jesus continuou para a mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»