a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
6

Como dar esmola

61«Quando praticarem o bem, procurem não o fazer diante dos outros para dar nas vistas. Se assim fizerem, já não terão nenhuma recompensa a receber do vosso Pai que está nos céus.

2Portanto, quando deres esmola, não faças alarde à tua volta, como é costume das pessoas fingidas, nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiadas. Garanto-vos que essas pessoas já receberam a sua recompensa. 3Mas tu, quando deres esmola, procura que a tua mão esquerda nem saiba o que faz a direita. 4Deste modo, a tua esmola ficará em segredo; e o teu Pai, que vê o que se passa em segredo, há de recompensar-te.»

Jesus ensina a orar

(Lucas 11,2–4)

5«Quando orarem, não façam como as pessoas fingidas que gostam de orar de pé, nas sinagogas e às esquinas das ruas, para toda a gente as ver6,5 Os judeus piedosos deviam fazer oração a horas fixas. Alguns procuravam os lugares públicos para aí orarem, exibindo a sua piedade. Comparar com Lc 18,10–14.. Garanto-vos que essas pessoas já receberam a sua recompensa. 6Tu, porém, quando quiseres fazer oração, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai que está presente sem ser visto. E o teu Pai, que vê o que se passa em segredo, há de recompensar-te.

7Quando orarem, não usem muitas palavras, como fazem os pagãos, que pensam que é por muito falarem que serão mais facilmente ouvidos. 8Não sejam como eles pois o vosso Pai sabe muito bem do que vocês precisam, antes de lho pedirem. 9Portanto, devem orar assim:

“Pai nosso que estás nos Céus,

Santificado seja o teu nome6,9 Ver Ezequiel 36,19–23.;

10venha o teu reino;

seja feita a tua vontade,

assim na Terra como no Céu.

11Dá-nos hoje o pão de que precisamos.

12Perdoa-nos as nossas ofensas,

como nós perdoámos aos que nos ofenderam.

13E não nos deixes cair em tentação,

mas livra-nos do Maligno, [porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Ámen!6,13 A última parte deste versículo não aparece em muitos manuscritos antigos]”

14De facto, se perdoarem aos outros as suas ofensas, o vosso Pai celestial também vos perdoará. 15Mas se não perdoarem aos outros, o vosso Pai também vos não perdoará.»

Acerca do jejum

16«Quando jejuarem não andem de cara triste, como as pessoas fingidas, que até desfiguram a cara para toda a gente ver que andam a jejuar. Garanto-vos que essas pessoas já receberam a sua recompensa. 17Mas tu, quando jejuares, lava a cara e penteia-te bem. 18Deste modo, ninguém saberá que andas a jejuar, a não ser o teu Pai que está presente sem ser visto. Ele, que vê tudo o que se passa em segredo, te dará a recompensa.»

A verdadeira riqueza

(Lucas 12,33–34)

19«Não se preocupem em juntar riquezas neste mundo, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões assaltam e roubam. 20Preocupem-se antes em juntar riquezas no céu, onde não há traça nem ferrugem para as destruir, nem ladrões para assaltar e roubar. 21Onde estiver a vossa riqueza, aí estará o vosso coração

Luz e escuridão

(Lucas 11,34–36)

22«A luz do corpo são os olhos. Por isso, se o teu olhar for bom, todo o teu corpo tem luz. 23Mas se o teu olhar for mau, todo o teu corpo fica às escuras. Ora se a luz que há em ti não passa de escuridão, que grande será essa escuridão!»

Deus e as riquezas

(Lucas 16,13)

24«Ninguém pode servir a dois patrões: ou não gosta de um deles e estima o outro, ou há de ser leal para um e desprezar o outro. Não podem servir a Deus e ao dinheiro.»

Deus cuida dos seus filhos

(Lucas 12,22–31)

25«É por isso que eu vos digo: Não andem preocupados com o que hão de comer ou beber, nem com a roupa de que precisam para vestir. Não será que a vida vale mais do que a comida e o corpo mais do que a roupa? 26Olhem para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem amontoam grão nos celeiros. E no entanto, o vosso Pai dá-lhes de comer. Não valem vocês muito mais do que as aves? 27Qual de vós, por mais que se preocupe, poderá prolongar um pouco o tempo da sua vida6,27 Ou: aumentar a sua estatura.?

28E por que hão de andar preocupados por causa da roupa? Reparem como crescem os lírios do campo! E eles não trabalham nem fiam. 29Contudo digo-vos que nem o rei Salomão, com toda a sua riqueza, se vestiu como qualquer deles. 30Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada, quanto mais vos há de vestir a vocês, ó gente sem fé?

31Não andem preocupados a dizer: “Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?” 32Os pagãos, esses é que se preocupam com todas essas coisas. O vosso Pai celestial sabe muito bem que vocês precisam de tudo isso. 33Procurem primeiro o reino de Deus e a sua vontade e tudo isso vos será dado. 34Portanto, não devem andar preocupados com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia a sua dificuldade.»

7

Não julgar os outros

(Lucas 6,37–38.41–42)

71«Não julguem ninguém e assim Deus não vos julgará!

2É que Deus há de julgar-vos do mesmo modo que julgarem os outros, usando a mesma medida que usarem para os outros. 3Por que reparas tu no cisco que está na vista do teu semelhante, e não vês a trave que está nos teus próprios olhos? 4Como te atreves a dizer-lhe: “Deixa-me cá tirar-te isso da vista”, quando tens uma trave nos teus olhos? 5Fingido! Tira primeiro a trave dos teus olhos e depois já vês melhor para tirares o cisco da vista do teu semelhante.

6Não deem aos cães o que é santo. Eles são capazes de se virar contra vocês e de vos despedaçar. Não deitem as vossas pérolas aos porcos! Pois eles vão pisá-las.»

Deus ouve a oração

(Lucas 11,9–13)

7«Peçam e Deus vos dará; procurem e hão de encontrar; batam à porta e ela há de abrir-se-vos, 8pois aquele que pede, recebe; aquele que procura, encontra; e a quem bate, a porta se abrirá. 9Qual de vocês que seja pai seria capaz de dar uma pedra ao filho, quando este lhe pedisse pão? 10Ou quem lhe daria uma cobra quando lhe pedisse peixe? 11Ora se vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está no céu dará coisas boas àqueles que lhas pedirem!

12Façam aos outros tudo aquilo que desejariam que eles vos fizessem. Aqui está o essencial da lei e do ensino dos profetas

O caminho para a vida eterna

(Lucas 13,24)

13«Entrem pela porta estreita! Pois é larga a porta e espaçoso o caminho que vai dar à perdição e são muitas as pessoas que para ali se encaminham. 14Mas é estreita a porta e apertado o caminho que vai dar à vida eterna e são poucas as pessoas que o encontram.»

Os falsos profetas

(Lucas 6,43–44)

15«Cuidado com os falsos profetas! Vêm ter convosco como se fossem ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. 16É pelos seus frutos que os hão de reconhecer. Porventura podem colher-se uvas das silvas ou figos dos cardos? 17Portanto, a árvore boa dá bons frutos e a árvore má dá maus frutos. 18Assim pois, uma árvore boa não pode dar maus frutos e uma árvore má não pode dar bons frutos. 19Toda a árvore que não dá bons frutos corta-se e deita-se ao fogo. 20Portanto, é pelas suas ações que poderão reconhecer os falsos profetas.»

Quem entra no reino dos céus

(Lucas 6,46; 13,25–27)

21«Nem todos aqueles que me dizem: “Senhor, Senhor!” entrarão no reino dos céus, mas apenas os que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus. 22Quando aquele dia chegar, haverá muitos que me hão de dizer: “Senhor, Senhor, não profetizámos nós em teu nome? Não fizemos numerosos milagres em teu nome? Não chegámos a expulsar demónios em teu nome?” 23Eu então hei de declarar-lhes: “Nunca vos conheci. Afastem-se de mim, seus malfeitores!”»

Cumprir a palavra de Deus

(Lucas 6,47–49)

24«Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática pode comparar-se ao homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha. 25Caiu muita chuva, vieram as cheias e os ventos sopraram com força contra aquela casa. Mas ela não caiu, porque os seus alicerces estavam assentes na rocha. 26Porém, aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática pode comparar-se ao homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia. 27Caiu muita chuva, vieram as cheias e os ventos sopraram com força contra aquela casa. Ela caiu e ficou arruinada.»

28Quando Jesus acabou de pronunciar estas palavras, a multidão estava admirada com os seus ensinamentos. 29É que ele ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da lei.

8

Cura de um homem com lepra

(Marcos 1,40–45; Lucas 5,12–16)

81Ao descer do monte, Jesus foi seguido por uma grande multidão. 2Então aproximou-se dele um homem com lepra que se ajoelhou e lhe disse: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me da lepra.» 3Jesus estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero, fica purificado!» No mesmo instante, o homem ficou purificado da lepra. 4Jesus então disse-lhe: «Escuta, não fales disto a ninguém. Mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece a Deus o sacrifício que Moisés ordenou, para ficarem a saber que estás curado.»

Cura do criado de um oficial romano

(Lucas 7,1–10)

5Quando Jesus entrou em Cafarnaum aproximou-se dele um oficial do exército romano e fez-lhe este pedido: 6«Senhor, o meu criado está de cama e sem se poder mexer, num sofrimento horrível.» 7«Eu vou lá curá-lo», disse Jesus. 8Mas o oficial respondeu: «Ó Senhor, eu não mereço que entres na minha casa. Basta que digas uma palavra e o meu criado ficará são. 9Também eu tenho superiores a quem devo obediência e soldados às minhas ordens. Digo a um que vá, e ele vai. Digo a outro que venha, e ele vem. E digo ao meu criado: “faz isto”, e ele faz.» 10Ao ouvir aquilo, Jesus ficou admirado e disse para os que o seguiam: «Fiquem sabendo que ainda não encontrei ninguém com tanta fé entre o povo de Israel. 11Digo-vos mais: hão de vir muitos do Oriente e do Ocidente sentar-se à mesa no reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacob, 12enquanto os herdeiros do reino serão lançados fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes.» 13Em seguida Jesus disse ao oficial: «Podes ir. Seja como acreditaste.» E naquela mesma hora o doente ficou curado.

Jesus cura muitos doentes

(Marcos 1,29–34; Lucas 4,38–41)

14Quando Jesus chegou a casa de Pedro, viu que a sogra deste estava de cama, com febre. 15Tocou-lhe na mão e a febre passou-lhe. Ela então levantou-se e começou a servi-lo.

16Ao cair da tarde, trouxeram a Jesus muitas pessoas com espíritos maus. Com uma palavra Jesus expulsou os espíritos maus e curou todos os que estavam doentes. 17Assim se cumpria aquilo que disse o profeta Isaías: Ele próprio tomou as nossas fraquezas e suportou o peso das nossas doenças8,17 Ver Is 53,4..

Convite para seguir Jesus

(Lucas 9,57–62)

18Quando Jesus viu a multidão que o rodeava, deu ordens para passar à outra margem do lago. 19Foi então que se aproximou um doutor da lei e lhe disse: «Mestre, irei contigo para onde quer que fores.» 20Jesus porém declarou: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde encostar a cabeça.»

21Um dos discípulos pediu: «Senhor, deixa-me ir primeiro fazer o enterro ao meu pai.» 22Contudo Jesus disse-lhe: «Segue-me e deixa que os mortos enterrem os seus próprios mortos.»

Jesus acalma a tempestade

(Marcos 4,35–41; Lucas 8,22–25)

23Jesus entrou no barco e os seus discípulos acompanharam-no. 24Nisto, levantou-se no lago um temporal tão grande que as ondas encobriam o barco. Jesus, porém, dormia. 25Os discípulos aproximaram-se dele e acordaram-no, gritando: «Senhor, salva-nos, que estamos perdidos!» 26Jesus disse: «Por que estão com medo, homens sem fé?» Então levantou-se, deu ordens aos ventos e às ondas e fez-se uma grande calma. 27Eles ficaram espantados e exclamavam: «Quem é este afinal, que até os ventos e as ondas lhe obedecem?!»

Cura de dois homens com espíritos maus

(Marcos 5,1–20; Lucas 8,26–39)

28Jesus chegou à região dos gadarenos, do outro lado do lago8,28 A região recebe o nome de Gádara, cidade situada a cerca de 10 km a sudeste do lago de Tiberíades.. Vieram ao seu encontro, saindo dos sepulcros, dois homens possuídos de espíritos maus. Os homens eram tão perigosos que ninguém se atrevia a passar por aquele caminho. 29De repente, desataram a gritar: «Que é que tu queres de nós, Filho de Deus? Vieste cá para nos atormentar antes do tempo?»

30Ora a uma certa distância dali, andava a pastar uma grande quantidade de porcos8,30 O porco era para os judeus um animal impuro. Ver no Glossário Impuro.. 31Então os espíritos maus fizeram a Jesus este pedido: «Se nos vais expulsar, manda-nos para aquela vara de porcos.» 32Jesus permitiu: «Vão!» E eles saíram e foram para os porcos que se puseram todos a correr pelo monte abaixo e afogaram-se no lago.

33Os que andavam a guardar os animais fugiram e foram à cidade contar o que tinha acontecido aos dois homens com espíritos maus. 34Então toda a gente da cidade foi ter com Jesus. Quando o viram, pediram-lhe para se ir embora daquela região.