a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
5

Belém, terra do rei salvador

51Quanto a ti, Belém, no clã de Efrata,

embora sejas tão pequena

entre as terras de Judá,

de ti farei sair aquele que vai ser o guia de Israel5,1 Ver Mt 2,6.;

ele descende duma família, cuja origem

vem dos tempos mais antigos.

2Por isso, o Senhor abandonará o seu povo,

mas só até que dê à luz

a mulher que espera um filho.

Os que tiverem sobrevivido ao exílio

hão de juntar-se então aos outros israelitas.

3Quando esse guia vier,

conduzirá o seu povo com firmeza,

graças ao seu poder e à presença gloriosa

do Senhor, seu Deus.

O seu povo viverá em segurança,

porque a grandeza do Senhor será reconhecida

até aos confins da terra;

4e assim vai reinar a paz.

Quando os assírios invadirem o nosso país

e entrarem nos nossos palácios,

enviaremos contra eles

chefes e governantes em grande número.

5Eles imporão o seu poder pelas armas,

na terra dos assírios e na de Nimerod.

Assim nos livrarão dos assírios

que atravessarem as nossas fronteiras

e invadirem a nossa terra.

6Os sobreviventes de Israel,

no meio de muitos povos,

serão como o orvalho que o Senhor envia,

como as chuvas que caem sobre a erva,

que não dependem da vontade do homem.

7Os sobreviventes do povo de Israel,

no meio de numerosas nações,

serão fortes como um leão entre animais selvagens

ou diante dum rebanho de ovelhas:

ao passar, ele esmaga e despedaça a presa,

sem haver quem lha consiga arrancar.

8Também tu, Israel, vencerás os teus inimigos,

destruindo-os a todos5,8 Como o sujeito não vem expresso no hebraico, há quem pense tratar-se de Israel; outros pensam ser Deus..

9«Naquele dia, aniquilarei os vossos cavalos,

destruirei os vossos carros de combate!

Palavra do Senhor!

10Demolirei as cidades da vossa terra,

derribarei todas as vossas fortalezas.

11Acabarei com as vossas feitiçarias

e deixar-vos-ei sem adivinhos.

12Destruirei as estátuas dos vossos ídolos;

e não voltarão a adorar

deuses que vocês mesmos fabricaram.

13Arrancarei as vossas árvores sagradas,

símbolos da deusa Achera,

e destruirei as vossas cidades.

14Com furor e indignação, hei de vingar-me

das nações que me não quiseram obedecer.»

6

O Senhor contra o seu povo

61Ouçam agora o que diz o Senhor;

ele ordena-me que defenda a sua causa,

que a apresente em voz alta,

diante das montanhas e colinas.

2Escutem, montanhas, a queixa do Senhor;

prestem atenção, firmes alicerces da terra!

O Senhor acusa o seu povo;

entrou em discussão com Israel e pergunta:

3«Povo meu, que mal te fiz? Responde-me!

Como foi que te aborreci?

4Tirei-te do Egito;

livrei-te da terra da escravidão;

e enviei Moisés, Aarão e Míriam para te guiarem6,4 Ver Ex 15,20–21..

5Povo meu, vê se te lembras

dos projetos de Balac, rei de Moab,

e da resposta que lhe deu Balaão, filho de Beor;

lembra-te da viagem de Chitim até Guilgal6,5 Ver Nm 22—24; Js 3,1—4,24..

Lembra-te de tudo isso

e reconhecerás o que eu fiz para te salvar.»

O que o Senhor exige

6Que ofertas levarei ao Senhor, Deus do céu,

quando for adorá-lo?

Levarei bezerros de um ano,

para lhos oferecer em holocausto?

7Gostará o Senhor que eu lhe ofereça

milhares de carneiros ou de rios de azeite?

Devo oferecer-lhe o meu filho mais velho,

para poder expiar os meus crimes e pecados?

8Homem! O Senhor já te revelou o que estava bem;

o que ele exige de ti

é que pratiques a justiça,

que sejas fiel e leal

e que obedeças humildemente a Deus.

O Senhor castiga a fraude e a violência

9O Senhor dirige-se aos habitantes da cidade.

É sábio aquele que o ouve com respeito:

«Escutem, povo e conselheiros da cidade6,9 Cidade. Provavelmente Jerusalém. Seguimos a antiga tradução grega.!

10Na casa do homem mau

há tesouros adquiridos fraudulentamente.

Ele utiliza medidas falsas, o que é detestável.

11Poderia eu considerar inocentes

os que utilizam balanças e pesos falsos?

12Os ricos desta cidade recorrem à violência;

os seus habitantes mentem e enganam os outros.

13Por isso, vou castigar-te;

vou arruinar-te por causa dos teus pecados.

14Comerás, mas não ficarás satisfeito;

na tua casa sofrerão de fome.

Tentarás pôr os teus bens em lugar seguro,

mas não os salvarás;

e aquilo que conseguires salvar

farei com que seja destruído na guerra.

15Semearás, mas não colherás;

pisarás a azeitona,

mas não conseguirás tirar dela azeite;

pisarás as uvas,

mas não beberás o seu vinho.

16Tudo isto, porque seguiste

os maus exemplos do rei Omeri

e da família do rei Acab, seu filho.

Procederam do mesmo modo que eles,

por isso provocarei a ruína da tua cidade

e farei dos seus habitantes motivo de troça.

Sofrerão a vergonha que atingiu o meu povo.»

7

Corrupção moral de Israel

71Ai de mim! Sou como quem rebusca frutos,

depois da colheita,

como o que busca uvas, depois da vindima,

e não encontra nada para comer:

nem uvas nem figos tenros, de que tanto gosto.

2Desapareceram da terra os homens fiéis a Deus;

já não há gente honesta.

Todos espreitam o momento para fazer mal aos outros,

armando ciladas para os matarem.

3São mestres na arte de fazer mal.

Os chefes exigem recompensa,

os juízes deixam-se subornar,

os homens influentes manifestam abertamente a sua cobiça;

todos eles corrompem a cidade.

4O melhor dentre eles é como um tojo,

o mais justo, como uma sebe de espinheiro.

Mas chegou o dia do teu castigo,

anunciado pelas tuas sentinelas, os profetas.

Já reina a confusão entre o teu povo.

5Não acredites nas palavras do teu próximo,

nem confies em nenhum amigo.

Cuidado com o que falas com a tua mulher.

6Porque o filho trata o pai com desprezo,

a filha revolta-se contra a mãe,

a nora, contra a sogra;

os inimigos são os da própria família.

7Eu, porém, tenho esperança no Senhor,

ponho a minha confiança em Deus, que me salva;

e o meu Deus ouvirá o meu apelo.

Esperança e oração de Israel

8Nação, minha inimiga7,8 O profeta fala aqui, em nome do povo de Israel, contra Edom ou contra os inimigos em geral. Nos v. 11–13 dirige-se ao povo de Israel.,

não te rias da minha desgraça.

Ainda que tenha caído,

levantar-me-ei de novo;

ainda que esteja prostrado na escuridão,

o Senhor será a minha luz.

9Suportarei a ira do Senhor,

porque pequei contra ele;

entretanto ele defenderá a minha causa

e me fará justiça.

Ele me conduzirá para a luz

e me fará ver a sua generosidade.

10Também os meus inimigos o verão,

e isso há de cobri-los de vergonha.

Eles perguntavam: «Onde está o Senhor, teu Deus?»

Mas hei de vê-los, quando forem pisados

como a lama das ruas.

11Jerusalém, virá o dia

em que os teus muros serão reconstruídos;

nesse dia, as tuas fronteiras serão alargadas.

12Nesse dia, o teu povo virá de toda a parte:

da Assíria ao Egito, do Nilo ao Eufrates;

dum mar ao outro e duma montanha à outra.

13O resto do mundo será convertido em deserto,

por culpa dos seus habitantes,

como resultado da sua maldade.

14Guarda, Senhor, o teu povo,

como ovelhas do rebanho, que te pertence;

elas andam abandonadas no bosque

ainda que rodeadas de terra fértil.

Leva-as, como outrora aconteceu,

para as pastagens de Basã e de Guilead.

15Mostra-nos as tuas maravilhas7,15 Literalmente: Eu lhes mostrarei maravilhas. Daqui até ao v. 20, o profeta volta a falar em nome do povo. Ver nota anterior.,

como no tempo em que nos tiraste do Egito.

16Que as outras nações vejam isso,

e se cubram de vergonha,

apesar de todo o seu poder.

Que fiquem mudas e surdas de espanto.

17Que mordam o pó como serpentes

e como os outros répteis.

Que saiam das suas cidadelas,

tremendo, cheias de medo,

e recorrendo a ti, Senhor, nosso Deus!

Deus perdoa ao seu povo

18Ó Deus, não há outro deus como tu,

que esqueces e perdoas a rebeldia e os pecados

do que ainda resta do teu povo!

Tu não manténs a tua ira para sempre

e nos mostras com agrado o teu amor.

19Mais uma vez, tem compaixão de nós;

esquece os nossos crimes

e lança os nossos pecados no fundo do mar!

20Manifesta o teu amor e fidelidade

para com os descendentes de Abraão e de Jacob,

como prometeste aos nossos antepassados,

desde os tempos mais antigos.