a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Alegria em Jerusalém

21Povo de Judá, já vem sobre os montes

aquele que anuncia a paz!

Celebra as tuas festas, cumpre as tuas promessas,

porque os inimigos não voltarão a invadir o teu território.

Foram totalmente destruídos.

2A força inimiga avança. Reforça as tuas defesas2,2 Em algumas versões, o cap. 2 começa aqui e o versículo anterior pertence ao capítulo 1.!

Vigia os caminhos e arma-te de coragem;

retoma todas as tuas forças.

3O Senhor vai restaurar a antiga glória dos descendentes de Jacob,

do povo de Israel, que os inimigos saquearam

e deixaram como uma videira sem os seus ramos.

Assalto e destruição de Nínive

4Os guerreiros inimigos vestem-se de púrpura

e os seus escudos são vermelhos.

Quando se lançam ao ataque,

os carros brilham como fogo e as lanças agitam-se.

5Os carros avançam impetuosamente

correndo pelas ruas e pelas praças.

O seu aspeto é como de tochas acesas

e são velozes como relâmpagos.

6Chama os seus oficiais

e eles correm precipitadamente para as muralhas,

o abrigo móvel está preparado.

7As portas do lado do rio2,7 Ou: As comportas dos rios. são arrombadas

e o palácio real é arrasado.

8Levam consigo a estátua da deusa2,8 Trata-se da deusa assíria Ishtar.

e as mulheres que cuidavam dela gemem como pombas

e batem no peito com tristeza.

9Os habitantes de Nínive são como água

que se escapa dum tanque arrombado.

Grita-se: «Parem! Parem!»,

mas ninguém volta para trás.

10Roubem a prata, roubem o ouro!

As riquezas de Nínive não têm fim.

A cidade está repleta de objetos preciosos.

11Roubo, pilhagem, devastação!

Derrete-se o coração.

Tremem as pernas, acabam-se as forças

e os rostos ficam pálidos!

12Que resta do covil dos leões,

do abrigo onde tinham os seus filhotes?

Ali se sentiam seguros os leões com as suas crias

e ninguém os ia incomodar.

13O leão matava e despedaçava a sua presa

para as leoas e para os filhos

e enchia as suas tocas com a carne das vítimas.

14O Senhor todo-poderoso afirma:

«Sou eu que vou intervir contra ti.

Vou reduzir a cinzas os teus carros de guerra.

Os teus filhos guerreiros2,14 Literalmente: leõezinhos. serão passados à espada

e acabarei com as rapinas que espalhas pela terra.

Não mais se ouvirá a voz dos teus mensageiros.»

3

Os crimes de Nínive

31Ai de ti, cidade sanguinária,

cheia de mentiras e de violências,

sempre ansiosa de pilhagens!

2Ouve-se o ruído dos chicotes, o estrondo das rodas,

o galopar dos cavalos e o movimento dos carros!

3Ataca a cavalaria e as espadas brilham,

e as lanças cintilam ao Sol!

São tantos os cadáveres que se não podem contar!

Tropeça-se nos corpos!

4É o castigo dos incontáveis pecados de Nínive,

dessa prostituta cheia de atrativos,

que vendia povos e nações

com os seus artifícios e enganos.

5Por isso, o Senhor todo-poderoso declara:

«Vou erguer-me contra ti,

vou levantar o teu vestido até à cara,

para que as nações te vejam nua

e os reinos te deixem envergonhada.

6Vou atirar-te imundície à cara,

vou cobrir-te de desonra.

Serás para todos um motivo de escárnio.

7Todos os que te virem fugirão de ti,

e dirão: “Nínive está destruída!”

Quem terá compaixão de ti?

Onde se encontrará alguém que te conforte?»

Nínive não resistirá

8Porventura, vales mais do que Tebas,

cidade situada na margem do Nilo,

rodeada de água e com o rio a servir-lhe de muralha?

9A Etiópia e o Egito eram a sua força sem limites.

Os povos de Put e da Líbia eram seus aliados.

10Apesar disso, os seus habitantes

foram levados para o exílio

e as crianças, esmagadas nas esquinas das ruas.

Os seus nobres foram tirados à sorte

e os seus chefes foram amarrados com cadeias

e levados como escravos.

11Também tu, Nínive, irás cair embriagada pela desgraça3,11 Ou: e te entregarás à escravidão.

e procurarás abrigo, fugindo do inimigo.

12As tuas fortalezas são como figueiras com figos maduros.

Ao serem abanadas, os figos caem

na boca de quem os quer comer.

13Os teus soldados parecem mulheres.

As portas da tua cidade são arrombadas pelo inimigo!

O fogo queimou-lhes as trancas!

14Abastece-te de água para resistir ao cerco;

reforça as muralhas de defesa;

pisa o barro, amassa a argila

e pega no molde dos tijolos.

15Mas faz o que quiseres,

que o fogo há de consumir-te

e a espada há de destruir-te

como folhas devoradas pelos gafanhotos.

Nada te vale cresceres e multiplicares-te como eles!

16Os teus negociantes podem ser mais numerosos

do que as estrelas do céu,

mas agora desapareceram como gafanhotos

que abriram as suas asas e voaram.

17Os teus guardas eram tantos como os gafanhotos

e os teus chefes como uma nuvem de insetos,

que pousam sobre os arbustos no tempo frio

e que voam sem se saber para onde,

logo que nasce o Sol.

Cântico fúnebre

18Ó rei da Assíria, onde dormem os teus governadores?

Onde jazem os teus heróis?

O teu povo anda disperso pelas montanhas

e ninguém o poderá reunir3,18 Em 609 a.C., as últimas tropas assírias, perseguidas pelos babilónios, dispersaram-se sobre as montanhas da Arménia..

19A tua ruína não tem remédio,

as tuas feridas são mortais.

Todos os que ouvem falar da tua desgraça,

batem palmas de alegria pelo que te aconteceu,

pois quem não sofreu com a tua crueldade constante?