a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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A celebração da Páscoa

91No primeiro mês do segundo ano, depois de os israelitas terem saído do Egito, o Senhor disse a Moisés, no deserto do Sinai: 2«Os israelitas devem celebrar a festa da Páscoa, na data marcada. 3Devem celebrá-la no dia catorze deste primeiro mês, ao cair da tarde, e devem cumprir exatamente todos os seus ritos e cerimónias.»

4Então Moisés ordenou aos israelitas que celebrassem a Páscoa 5e eles assim o fizeram, no dia catorze do primeiro mês, ao cair da tarde, estando no deserto do Sinai. Para isso, os israelitas cumpriram tudo rigorosamente, como o Senhor tinha ordenado a Moisés9,5 Sobre os v. 1–5, ver Ex 12,1–13 e nota. Sobre o v. 12, ver Ex 12,46; Jo 19,36..

6Alguns homens encontravam-se ritualmente impuros, por terem tocado num cadáver humano, e não podiam celebrar a Páscoa naquele dia. Foram então ter com Moisés e Aarão, nesse mesmo dia, 7e disseram-lhes: «Nós estamos ritualmente impuros, por termos tocado num cadáver. Será que vamos ser impedidos de apresentar a nossa oferta ao Senhor na data marcada, com os outros israelitas?»

8Moisés respondeu-lhes: «Esperem um pouco que eu vou saber as ordens que o Senhor me dá a vosso respeito.»

9O Senhor disse a Moisés 10que comunicasse aos israelitas o seguinte: «Quem estiver ritualmente impuro, por causa dum cadáver, ou por se encontrar longe, tanto agora como no futuro, deve celebrar a Páscoa em minha honra, 11no dia catorze do segundo mês, ao cair da tarde. Comerá a refeição pascal com pães sem fermento e ervas amargas. 12Do cordeiro pascal não devem deixar nada para o dia seguinte nem devem quebrar nenhum dos seus ossos seguindo escrupulosamente o ritual da Páscoa. 13Mas se alguém, que esteja ritualmente puro e não se encontre em viagem, não celebrou a Páscoa na altura devida, deve ser expulso do povo de Israel. Uma vez que não apresentou a oferta em honra do Senhor, na altura devida, sofrerá as consequências da sua culpa.

14Os estrangeiros que viverem convosco devem celebrar igualmente a Páscoa, seguindo o mesmo ritual. A mesma lei da Páscoa é tanto para vós como para os estrangeiros e para os habitantes do país.»

A nuvem sobre a tenda do encontro

15Desde o dia em que se montou a tenda, a nuvem9,15 Ver Ex 13,21. cobria o santuário que guardava o documento da aliança; à noite, ficava sobre o santuário e tomava o aspeto de fogo, até de manhã. 16E assim acontecia sempre: a nuvem durante o dia cobria o santuário, e durante a noite tomava o aspeto de fogo. 17Quando a nuvem que estava por cima da tenda se levantava, os israelitas punham-se a caminho; e no lugar onde ela parava de novo, eles assentavam o acampamento. 18Deste modo, os israelitas punham-se a caminho ou continuavam num acampamento, conforme a indicação que, assim, o Senhor lhes dava e que era a seguinte: onde quer que a nuvem parasse é que eles assentavam o acampamento. 19Mesmo que achassem muito longo o tempo em que a nuvem ficava parada sobre o santuário, os israelitas respeitavam essa proibição do Senhor e não se punham a caminho. 20Mas também acontecia por vezes que a nuvem ficava poucos dias sobre o santuário. Os israelitas acampavam ou punham-se a caminho, conforme as indicações do Senhor. 21Acontecia mesmo às vezes que a nuvem só ficava sobre o santuário durante uma noite para se afastar logo de manhã. Nesse caso, eles punham-se imediatamente a caminho. Outras vezes ficava só um dia e uma noite, afastando-se depois; e eles punham-se então a caminho. 22Se ela ficasse sobre o santuário dois dias, um mês ou um período mais longo, os israelitas permaneciam no mesmo acampamento sem se porem a caminho; só quando a nuvem se afastava é que eles se punham a caminho. 23De facto, os israelitas continuavam num acampamento ou punham-se a caminho, conforme as indicações que o Senhor lhes dava; e quando o Senhor lhes transmitia uma ordem por meio de Moisés, eles respeitavam-na rigorosamente.

10

O toque dos cornetins

101O Senhor disse a Moisés: 2«Manda fazer dois cornetins de prata martelada; eles servir-te-ão para convocar a comunidade e dar o sinal de partida aos vários acampamentos. 3Quando tocarem os dois cornetins juntos, é para que toda a comunidade se reúna à tua volta, à entrada da tenda do encontro. 4Quando tocarem só um deles, é para irem ter contigo somente os chefes dos clãs israelitas. 5Ao primeiro toque agudo dos cornetins, põem-se em marcha os acampamentos situados a oriente 6e, ao segundo toque agudo, põem-se em marcha os acampamentos situados a sul. Os toques agudos servem para se porem a caminho10,6 A tradução grega menciona aqui o terceiro e o quarto toques, dando os sinais de partida dos que estavam na parte norte e oeste do acampamento.. 7Para convocar a reunião de todo o povo, é um toque normal e não o toque agudo.

8Quem deve tocar os cornetins são os sacerdotes, descendentes de Aarão. É uma lei eterna, válida para todos os vossos descendentes.

9Quando estiverem na vossa terra e tiverem que entrar em guerra com algum inimigo que vos atacar, devem tocar os cornetins em toque agudo. E assim eu, o Senhor, vosso Deus, hei de lembrar-me de vós e hei de livrar-vos dos vossos inimigos.

10Também nos vossos momentos de alegria, nas grandes festas e no primeiro dia de cada mês, devem tocar os cornetins na altura dos holocaustos e sacrifícios de comunhão. E isso servirá de memorial, para que o vosso Deus se lembre de vós. Eu sou o Senhor, vosso Deus!»

Os israelitas saem do Sinai

11No segundo ano depois da saída do Egito, no dia vinte do segundo mês desse ano, a nuvem levantou-se por cima do santuário que guarda o documento da aliança10,11 Ver 9,15–23.. 12Os israelitas puseram-se, então, a caminho, deixando o deserto do Sinai. E a nuvem foi parar no deserto de Paran. 13Era a primeira vez que eles partiam, obedecendo assim às ordens do Senhor, transmitidas por Moisés10,13 Ver cap. 2..

14No primeiro lugar, iam os descendentes de Judá, por batalhões, junto da sua bandeira e às ordens de Nachon, filho de Aminadab. 15Ao seu lado ia o batalhão dos descendentes da tribo de Issacar, comandado por Nataniel, filho de Suar, 16e ainda o batalhão dos descendentes da tribo de Zabulão, comandados por Eliab, filho de Helon.

17O santuário foi desmontado e os descendentes de Gerson e de Merari puseram-se a caminho, transportando o santuário.

18A seguir, partiram os descendentes da tribo de Rúben, por batalhões, junto da sua bandeira e às ordens de Eliçur, filho de Chediur. 19Ao seu lado ia o batalhão dos descendentes da tribo de Simeão, comandado por Salumiel, filho de Surichadai, 20e ainda o batalhão dos descendentes da tribo de Gad, comandados por Eliasaf, filho de Deuel.

21A seguir, partiram os levitas descendentes de Queat, transportando os objetos sagrados. Os outros levitas deviam montar de novo o santuário, antes de eles chegarem.

22A seguir, partiram os descendentes da tribo de Efraim, por batalhões, junto da bandeira da respetiva tribo e às ordens de Elisama, filho de Amiud. 23Ao seu lado ia o batalhão dos descendentes de Manassés, comandados por Gamaliel, filho de Pedaçur, 24e ainda o batalhão dos descendentes de Benjamim, comandados por Abidan, filho de Guidoni.

25Cerrando as fileiras de todos os acampamentos, iam os descendentes da tribo de Dan, por batalhões, junto da sua bandeira e às ordens de Aiézer, filho de Amichadai. 26Ao seu lado, ia o batalhão dos descendentes de Asser, comandados por Paguiel, filho de Ocran, 27e ainda o batalhão dos descendentes de Neftali, comandados por Airá, filho de Enan.

28Foi por esta ordem que os batalhões israelitas se puseram em marcha.

Moisés convida o cunhado a ir servir de guia

29Moisés disse a Hobab, filho do seu sogro Reuel, de Madiã10,29 Ver Ex 2,16 e nota.: «Nós vamos para a terra que o Senhor prometeu dar-nos; vem connosco que nós partilharemos os benefícios que o Senhor prometeu conceder a Israel.»

30Hobab respondeu: «Não! Prefiro voltar para a minha terra natal!»

31Moisés insistiu: «Por favor, não nos abandones! Tu conheces os lugares onde podemos acampar, no deserto, e podias servir-nos de guia. 32Se vieres connosco, repartiremos contigo os benefícios que o Senhor vai conceder-nos.»

33Partindo do monte do Senhor10,33 Ver Ex 3,1., os israelitas viajaram durante três dias. Durante esses três dias, a arca da aliança do Senhor ia à sua frente, procurando um lugar para descansarem. 34A nuvem do Senhor ia por cima deles, durante o dia, desde que se punham em marcha.

35Quando a arca se punha em marcha, Moisés exclamava:

«Levanta-te, Senhor!

Obriga os teus inimigos a dispersarem,

os teus adversários a fugirem à tua frente10,35 Ver Sl 68,1.

36Quando a arca parava, ele dizia:

«Volta, Senhor;

para o meio dos esquadrões de Israel10,36 Ou: Vem, Senhor, descansar entre as famílias incontáveis de Israel.

11

Incêndio no acampamento

111Certo dia o povo fez queixas amargas contra o Senhor. Ao ouvi-las, o Senhor ficou muito irado e fez com que um fogo terrível deflagrasse no acampamento e começasse a devorá-lo. 2O povo foi pedir a Moisés em altos gritos e este intercedeu a seu favor, junto do Senhor, e o fogo apagou-se. 3Deram àquele lugar o nome de Tabera11,3 A palavra hebraica Tabera é semelhante à expressão hebraica que significa “deflagrar um incêndio”., pois foi lá que deflagrou contra eles o fogo do Senhor.

Deus promete carne aos israelitas

4Um dia o grande número de estrangeiros que ia no meio dos israelitas começou a sentir vontade de comer carne e os próprios israelitas começaram a lamentar-se também desta maneira: «Quem nos dera comer carne! 5Que saudade da comida do Egito! Peixe de graça, pepinos, melões, alhos porros, cebolas e alhos! 6Agora, até perdemos o apetite, porque não vemos senão maná

7O maná era parecido com a semente de coentro com o aspeto resinoso do bdélio11,7 Sobre o maná e o coentro, ver Ex 16,31. O bdélio é um arbusto da Arábia que produz uma resina aromática muito apreciada. Comparar com Gn 2,12.. 8O povo ia pelos campos apanhá-lo; depois, moíam-no com o moinho ou amassavam-no no almofariz, coziam-no na panela ou faziam com ele uns bolos que sabiam a torta de azeite11,8 Ver Ex 16,13–15.. 9Ao cair o orvalho no campo, durante a noite, caía também com ele o maná.

10Moisés ouviu como o povo se lamentava, agrupados por famílias à porta das suas tendas. O Senhor ficou muito irado e Moisés desgostoso. 11Disse então ao Senhor: «Por que me tratas mal, Senhor? Eu sou teu servo! Por que não te mostras benevolente comigo? Por que puseste sobre mim a responsabilidade deste povo? 12Sou por acaso pai ou mãe deles, para me obrigares a levá-los ao colo, como se levam as crianças de peito, até à terra que prometeste aos seus antepassados11,12 É a primeira vez que o livro dos Números recorda a promessa da terra (ver Gn 12,7 e nota a 12,2). Como em Ex 31,12, é Moisés quem a recorda a Deus.? 13Onde é que eu tenho carne para todo este povo? Eles vêm-me pedir a chorar: “Dá-nos carne, para comer!” 14Sozinho não consigo suportar o peso de todo este povo! É demasiado pesado para mim. 15E se é para me tratares assim, então tira-me a vida. Seria um favor que me fazias, para eu não ter de passar por este sofrimento.»

16O Senhor respondeu a Moisés: «Traz-me setenta homens dentre os anciãos de Israel, que tu conheças bem como responsáveis do povo; leva-os à tenda do encontro e que esperem lá contigo. 17Eu irei lá falar contigo e darei a eles parte da missão que te tinha atribuído a ti e eles assumirão contigo a responsabilidade, para não teres de a suportar sozinho.

18Comunica ao povo a seguinte ordem: “Purifiquem-se para amanhã que vão ter carne para comer! Dirigiram-se ao Senhor, chorando: ‘Quem nos dera comer carne! Estávamos melhor no Egito’. Pois o Senhor vai dar-vos carne para comerem. 19Não somente durante um dia ou dois, cinco, dez ou vinte, 20mas durante um mês inteiro, até ficarem fartos e até vos sair pelo nariz. E isto, por terem desprezado o Senhor, que mora no vosso meio, e de se terem lamentado diante dele, dizendo: Por que é que este nos fez sair do Egito?”»

21Moisés respondeu: «Este povo, no meio do qual eu vivo, tem seiscentas mil pessoas! E tu dizes que eles vão ter carne para comerem durante um mês inteiro! 22Onde é que há tantas ovelhas e bois para dar carne que chegue para todos eles? Ainda que se apanhassem todos os peixes do mar não bastavam para eles.»

23O Senhor replicou-lhe: «Será que o poder do Senhor é assim tão limitado? Pois vais ver se o que digo te vai acontecer ou não.»

A missão de Moisés repartida com os anciãos

24Moisés saiu e foi comunicar ao povo as palavras do Senhor; reuniu setenta dos anciãos do povo e mandou-os colocar em volta da tenda. 25O Senhor desceu na nuvem11,25 Ver Ex 13,21. e falou com Moisés. Depois Deus deu parte da missão de Moisés àqueles setenta anciãos; e, ao receberem também eles o Espírito de Deus como Moisés, começaram a manifestar-se em atitudes de profetas11,25 São comportamentos que implicam manifestações características do êxtase. Ver 1 Sm 10., mas foi só daquela vez.

26Dois homens inscritos naquele grupo, chamados Eldad e Medad, tinham ficado no acampamento e não tinham ido à tenda. Também eles receberam o Espírito de Deus e começaram igualmente a manifestar-se como profetas. 27Um jovem foi a correr informar Moisés de que Eldad e Medad se estavam a comportar como os profetas. 28Josué, filho de Nun, que era auxiliar de Moisés desde a juventude, insistiu com Moisés: «Mande-os parar, meu senhor!» 29Mas Moisés respondeu: «Eu não tenho inveja deles e tu vais tê-la? Quem dera que o Senhor colocasse o seu espírito em todo este povo e que todos fossem profetas!»

30Depois disto, Moisés voltou com os anciãos para o acampamento.

As codornizes

31O Senhor fez soprar um vento forte do lado do mar, que arrastou consigo bandos de codornizes e as fez cair junto do acampamento. A toda a volta do acampamento, numa extensão de um dia de caminho, havia até um metro de altura de codornizes. 32Durante todo o dia e toda a noite e ainda no dia seguinte, o povo andou a apanhar codornizes. Aquele que apanhou menos tinha recolhido dez cargas de codornizes e estenderam-nas a secar à volta do acampamento.

33Mas ainda eles tinham a carne entre os dentes, sem terem acabado de a engolir, quando o Senhor, muito irado com eles, os castigou com uma terrível mortandade. 34Por isso, deram àquele lugar o nome de Quiberot-Tavá11,34 Quiberot-Tavá significa, em hebraico, “Covas de Avidez”., visto que foram ali enterrados os que não pensavam senão em comer carne.

35De Quiberot-Tavá os israelitas foram para Hacerot e ali assentaram o acampamento.