a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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181O Senhor disse a Aarão: «Tu, os teus filhos e toda a tribo de Levi serão responsáveis pelas faltas cometidas contra o santuário; de igual modo, as faltas cometidas no exercício das funções sacerdotais recaem sobre ti e sobre os teus filhos. 2Terás contigo os teus irmãos da tribo de Levi, a tribo do teu pai, para te acompanharem e servirem, a ti e aos teus filhos, na tenda que guarda o documento da aliança. 3Devem estar ao teu serviço e ao serviço de toda a tenda do encontro, mas não devem aproximar-se dos objetos sagrados nem do altar, sob pena de morrerem uns e outros. 4Devem acompanhar-vos em todos os serviços que dizem respeito à tenda do encontro e a todas as tarefas que lá se realizam. Nenhum estranho se deve aproximar de vós no exercício dessas funções. 5Devem cumprir as vossas funções relativamente ao santuário e ao altar e, assim, não voltará a surgir ameaça contra os israelitas. 6Eu mesmo escolhi os teus irmãos, os levitas, do resto do povo de Israel, para vo-los entregar como consagrados ao Senhor, a fim de estarem ao serviço da tenda do encontro. 7Tu e os teus filhos devem exercer as funções de sacerdotes no altar e no santuário atrás da cortina de separação. Fui eu que vos confiei a função sacerdotal e qualquer estranho que se aproximar morrerá.»

Sustento dos sacerdotes e levitas

8O Senhor disse ainda a Aarão: «Confio-te a guarda de tudo o que me é devido em tributo, tudo o que os israelitas me consagram é para ti e para os teus descendentes, como direito derivado da vossa consagração e válido para sempre.

9Das ofertas mais sagradas que não é obrigatório queimar, pertence-te o seguinte: o produto das ofertas de cereais, dos sacrifícios pelo pecado, dos sacrifícios de reparação. São coisas sagradas que ficam para ti e para os teus descendentes. 10E destas coisas mais sagradas só os homens podem comer18,10 Ou: devem comê-las em lugar sagrado.; deves considerá-las como coisas sagradas.

11É ainda para ti a parte reservada como tributo ao Senhor nas coisas que os israelitas oferecem com o gesto ritual de apresentação. Isso é para ti e para os teus descendentes, homens ou mulheres, como direito perpétuo. Todos os da tua família que estiverem ritualmente puros podem comer dessas ofertas.

12Dos primeiros produtos da terra, o melhor do azeite, do vinho e do trigo, também te dou; 13são os primeiros frutos dos seus campos que os israelitas oferecem ao Senhor e a ti pertencem. Todos os da tua família que estiverem ritualmente puros podem comer deles. 14Tudo o que for reservado ao Senhor ficará para ti18,14 Ver Lv 27,28..

15Qualquer animal ou homem nascido dum primeiro parto e que os israelitas têm de oferecer ao Senhor ficarão para ti. No entanto, o filho do primeiro parto duma mulher e as primeiras crias dum animal impuro devem ser resgatados. 16O resgate dum filho deve ser feito com um mês de idade e deves pagar o equivalente em dinheiro: cinco moedas de prata, segundo o peso do santuário, em que cada moeda tem dez gramas.

17Mas as primeiras crias da vaca, da ovelha e da cabra não podem ser resgatadas: são coisa sagrada. Deves derramar o seu sangue sobre o altar e queimar as suas gorduras em sacrifício que será do agrado do Senhor. 18E a sua carne será para ti, como para ti são igualmente o peito apresentado ritualmente e a coxa direita.

19Todos os tributos que os israelitas oferecerem ao Senhor dou-tos a ti também, aos teus filhos e filhas, como direito perpétuo; é uma aliança eterna selada com sal18,19 Ver Lv 2,13 e nota; 2 Cr 13,5. diante do Senhor, para ti e para os teus descendentes.»

Décimas para os levitas

20O Senhor disse a Aarão: «Tu não receberás herança, em Canaã, com as outras tribos, nem terás uma parte como elas. Eu é que sou a tua herança e a parte a que tens direito entre os israelitas.

21Aos levitas dou como paga todas as décimas dos israelitas18,21 Ver Lv 27,30–33; Dt 14,22–29., em troca das funções que eles exercem ao serviço da tenda do encontro. 22E assim os israelitas não vão mais correr o risco de morrer, cometendo o pecado de se aproximarem da tenda do encontro. 23Os levitas desempenharão essas funções e serão responsáveis pelos pecados cometidos nesse aspeto. É uma lei válida para todos os vossos descendentes e assim não terão outra herança a receber entre os israelitas18,23 Comparar com 35,1–8.. 24Aos levitas dou as décimas que os israelitas oferecem em tributo ao Senhor. Por isso, vos proibi de receberem herança entre os israelitas.»

25O Senhor disse a Moisés 26que comunicasse ainda aos levitas as seguintes ordens: «Quando receberem dos israelitas as décimas que vos destinei como paga, devem pôr de parte um décimo dessas décimas, para as oferecerem vocês próprios como tributo ao Senhor. 27Isso será considerado um tributo da vossa parte, como se fosse do trigo da vossa eira ou do vinho do vosso lagar. 28Desse modo, também pagarão tributo ao Senhor por todas as décimas que recebem. Entreguem essa parte ao sacerdote Aarão. 29E de todos os dons que receberem devem pôr sempre de lado a parte melhor, como tributo para o Senhor e essa é a parte que me fica consagrada.

30E diz-lhes ainda que depois de terem retirado a parte melhor de tudo, será calculado o que é destinado aos levitas, como se fosse o produto da eira ou do lagar. 31Podem comer delas em qualquer lugar com a vossa família, pois trata-se do salário que recebem em troca dos vossos serviços na tenda do encontro. 32Se retirarem das décimas a parte melhor, para o Senhor, não cometerão o pecado de profanarem o que os israelitas consagraram e não correrão o risco de morrer.»

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Normas para a purificação ritual

191O Senhor deu a Moisés e a Aarão 2as seguintes leis e preceitos: «Ordena da minha parte aos israelitas que te tragam uma vaca vermelha que não apresente absolutamente nenhum defeito e que ainda não tenha usado a canga. 3Entreguem-na ao sacerdote Eleazar; e ele leva-a para fora do acampamento e manda-a degolar na sua presença.

4Com um dedo molhado no sangue da vaca, Eleazar fará sete vezes a aspersão em direção da tenda do encontro. 5Mandará queimar a vaca na sua presença, fazendo arder a pele, a carne, o sangue e os intestinos. 6Depois o sacerdote pega em ramos de cedro e de hissopo19,6 Ver Ex 12,22. e num pano de púrpura e atira-os ao fogo, onde arde a vaca. 7A seguir o sacerdote lava as suas roupas, toma o banho ritual e voltará para o acampamento, mas ficará impuro durante todo o dia. 8Aquele que esteve a queimar a vaca deve também lavar as suas roupas e tomar o banho ritual, mas ficará impuro, durante todo aquele dia.

9Um homem ritualmente puro juntará as cinzas da vaca e irá colocá-las num lugar puro, fora do acampamento. A comunidade dos israelitas deve conservar estas cinzas para preparar a água da purificação19,9 Ver Hb 9,13., que equivale a um sacrifício pelo pecado. 10Aquele que foi juntar as cinzas da vaca deve lavar as suas roupas, mas permanecerá impuro, durante todo aquele dia.

Este ritual será válido para sempre, tanto para os israelitas como para os estrangeiros que viverem no meio deles.

11Quem tocar no cadáver duma pessoa fica impuro, durante sete dias. 12No terceiro e no sétimo dias, deve aspergir-se com a água da purificação e então ficará puro19,12 Literalmente: No terceiro dia deve aspergir-se com água da purificação e ficará puro no sétimo dia.. Se não fizer essa aspersão no terceiro e no sétimo dia, não ficará puro. 13Aquele que tiver tocado no cadáver duma pessoa e não se tiver purificado, profana o santuário do Senhor e deve ser expulso da comunidade dos israelitas. Uma vez que não se aspergiu com a água da purificação, continuará impuro e a impureza continua a pesar sobre ele.

14Quando alguém morrer numa tenda, a lei é esta: todos os que entram nessa tenda e todos os que lá se encontram ficam impuros, durante sete dias. 15Qualquer recipiente aberto, que não esteja tapado, fica impuro. 16Aquele que, no campo, tocar no cadáver dum homem assassinado ou morto doutra maneira, ou ainda em ossadas humanas, ou numa sepultura, ficará impuro, durante sete dias.

17Para purificar um homem impuro, coloca-se num recipiente um pouco das cinzas da vaca queimada e sobre elas põe-se água corrente. 18Em seguida, um homem que esteja ritualmente puro mergulhará o hissopo nessa água e aspergirá a tenda, os recipientes e todas as pessoas que lá se encontram. Aspergirá igualmente aquele que tiver tocado num esqueleto, no cadáver dum assassinado, de alguém que morreu de morte natural ou num sepulcro.

19Esta aspersão dum homem impuro, feita por um que esteja ritualmente puro, deve ser feita no terceiro e no sétimo dia. Depois da aspersão do sétimo dia, ele deve lavar as suas roupas e tomar o banho ritual e, no fim daquele dia, fica puro.

20O homem impuro que se não tiver purificado deve ser expulso do povo de Israel, pois profanou o santuário do Senhor. Não se purificou com a água da purificação, portanto continua impuro.

21É uma lei perpétua para os israelitas. Aquele que tiver feito a aspersão com a água da purificação deve lavar as suas roupas. E aquele que tocar nas águas da purificação ficará impuro, durante todo aquele dia. 22Tudo o que um homem impuro tocar fica também impuro e quem tocar num homem impuro fica igualmente impuro, durante todo aquele dia.»

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Moisés faz sair água do rochedo

201Toda a comunidade dos israelitas chegou ao deserto de Sin, no primeiro mês do ano, e instalaram-se em Cadés20,1 Ver 13,21.26 e nota.. Míriam morreu e foi ali enterrada.

2A água faltou ao povo e amotinaram-se à volta de Moisés e de Aarão 3e discutiram com Moisés, dizendo: «Oxalá tivéssemos morrido com os nossos irmãos, castigados pelo Senhor20,3 Ver 17,15–16.27–28! 4Porque é que nos trouxeram para este deserto, a nós que somos o povo do Senhor? Foi para morrermos aqui, nós e os nossos gados? 5Porque é que nos tiraram do Egito, para nos trazerem para este lugar horrível, onde nada se semeia e onde não crescem figueiras nem videiras nem romãzeiras e onde não há sequer água para beber?»

6Moisés e Aarão afastaram-se do povo e dirigiram-se para a entrada da tenda do encontro, inclinaram-se de rosto por terra e o Senhor manifestou-lhes o seu maravilhoso poder. 7O Senhor disse a Moisés: 8«Pega na tua vara, reúne todo o povo e, na companhia do teu irmão Aarão e na presença do povo, ordenem ao rochedo que faça jorrar água. Assim tirarás água do rochedo, para dar de beber ao povo e aos seus gados.»

9Moisés pegou na sua vara, que estava diante do Senhor, tal como ele lhe ordenara. 10Com Aarão, Moisés mandou reunir o povo diante do rochedo e disse-lhe: «Ouçam-me bem, ó gente rebelde! Será que vamos conseguir tirar-vos água deste rochedo?»

11Depois levantou o braço e bateu com a sua vara duas vezes no rochedo e saiu tanta água que deu para as pessoas e os gados beberem.

12O Senhor disse a Moisés e a Aarão: «Não tiveram confiança em mim nem me honraram, diante dos israelitas. Por isso, também não serão vocês que hão de fazer entrar este povo na terra que lhe vou dar20,12 A culpa de Moisés e Aarão não fica muito clara. Talvez tenha sido a de bater no rochedo (v. 11), em vez de o intimarem por uma ordem (v. 8).

13Esta é a nascente de Meriba20,13 Meriba lembra a expressão hebraica que significa “água do conflito”., onde os israelitas discutiram com o Senhor e ele manifestou-lhes o seu poder.

O rei de Edom recusa passagem aos israelitas

14De Cadés, Moisés enviou mensageiros para irem dizer ao rei de Edom: «Escuta a mensagem dos teus irmãos israelitas! Já conheces as dificuldades que temos passado. 15Os nossos antepassados emigraram para o Egito e lá estivemos muito tempo, mas os egípcios trataram-nos mal, a nós e aos nossos pais. 16Pedimos ajuda ao Senhor; ele ouviu os nossos pedidos e mandou um mensageiro para nos fazer sair do Egito. Encontramo-nos agora em Cadés, cidade que está junto da fronteira com os teus territórios. 17Deixa-nos atravessar o teu país; não pisaremos campos nem vinhas, nem beberemos água das tuas fontes. Seguiremos sempre pela estrada real, sem nos desviarmos para a esquerda nem para a direita, até termos atravessado o teu território.»

18O rei de Edom respondeu: «Não podem atravessar o meu país! Se tentarem fazê-lo, faço-vos frente com o meu exército!»

19Os israelitas insistiram: «Iremos sempre pela estrada principal e se nós ou os nossos gados tivermos de beber água das tuas fontes pagaremos o justo preço. Só te pedimos que nos deixes atravessar o país.»

20O rei replicou: «Não podem atravessar o meu território!» E saiu ao encontro dos israelitas com um exército numeroso e fortemente armado.

21E como os edomeus se recusaram a deixar passar os israelitas pelo seu território, estes foram obrigados a fazer um desvio por outro lado.

Morte de Aarão

22Saindo de Cadés, toda a comunidade dos israelitas se dirigiu para o monte Hor, junto da fronteira de Edom. 23Ali o Senhor disse a Moisés e a Aarão: 24«Aarão irá juntar-se aos seus antepassados que morreram e não entrará na terra que eu vou dar aos israelitas20,24 Ver 11,12; 14,18.31; 15,2.17; 20,12., por causa da vossa rebeldia contra as minhas ordens, junto da nascente de Meriba. 25Chama Aarão e o seu filho Eleazar e sobe com eles ao monte Hor; 26tira as vestes sagradas a Aarão e veste-as ao seu filho Eleazar20,26 Sobre esta transmissão das vestes sacerdotais, ver Ex 29,29–30.. Depois Aarão morrerá naquele mesmo lugar.»

27Moisés fez conforme o Senhor lhe tinha mandado e, à vista de todo o povo, encaminharam-se os três para o monte Hor. 28Tirou a Aarão as vestes sagradas e vestiu com elas o seu filho Eleazar. E Aarão morreu no cimo daquele monte20,28 Ver Nm 33,38–39; Dt 10,6. e Moisés desceu da montanha com Eleazar. 29Ao saberem que Aarão tinha morrido, todos os israelitas fizeram luto por ele, durante trinta dias.

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