a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Normas para a purificação ritual

191O Senhor deu a Moisés e a Aarão 2as seguintes leis e preceitos: «Ordena da minha parte aos israelitas que te tragam uma vaca vermelha que não apresente absolutamente nenhum defeito e que ainda não tenha usado a canga. 3Entreguem-na ao sacerdote Eleazar; e ele leva-a para fora do acampamento e manda-a degolar na sua presença.

4Com um dedo molhado no sangue da vaca, Eleazar fará sete vezes a aspersão em direção da tenda do encontro. 5Mandará queimar a vaca na sua presença, fazendo arder a pele, a carne, o sangue e os intestinos. 6Depois o sacerdote pega em ramos de cedro e de hissopo19,6 Ver Ex 12,22. e num pano de púrpura e atira-os ao fogo, onde arde a vaca. 7A seguir o sacerdote lava as suas roupas, toma o banho ritual e voltará para o acampamento, mas ficará impuro durante todo o dia. 8Aquele que esteve a queimar a vaca deve também lavar as suas roupas e tomar o banho ritual, mas ficará impuro, durante todo aquele dia.

9Um homem ritualmente puro juntará as cinzas da vaca e irá colocá-las num lugar puro, fora do acampamento. A comunidade dos israelitas deve conservar estas cinzas para preparar a água da purificação19,9 Ver Hb 9,13., que equivale a um sacrifício pelo pecado. 10Aquele que foi juntar as cinzas da vaca deve lavar as suas roupas, mas permanecerá impuro, durante todo aquele dia.

Este ritual será válido para sempre, tanto para os israelitas como para os estrangeiros que viverem no meio deles.

11Quem tocar no cadáver duma pessoa fica impuro, durante sete dias. 12No terceiro e no sétimo dias, deve aspergir-se com a água da purificação e então ficará puro19,12 Literalmente: No terceiro dia deve aspergir-se com água da purificação e ficará puro no sétimo dia.. Se não fizer essa aspersão no terceiro e no sétimo dia, não ficará puro. 13Aquele que tiver tocado no cadáver duma pessoa e não se tiver purificado, profana o santuário do Senhor e deve ser expulso da comunidade dos israelitas. Uma vez que não se aspergiu com a água da purificação, continuará impuro e a impureza continua a pesar sobre ele.

14Quando alguém morrer numa tenda, a lei é esta: todos os que entram nessa tenda e todos os que lá se encontram ficam impuros, durante sete dias. 15Qualquer recipiente aberto, que não esteja tapado, fica impuro. 16Aquele que, no campo, tocar no cadáver dum homem assassinado ou morto doutra maneira, ou ainda em ossadas humanas, ou numa sepultura, ficará impuro, durante sete dias.

17Para purificar um homem impuro, coloca-se num recipiente um pouco das cinzas da vaca queimada e sobre elas põe-se água corrente. 18Em seguida, um homem que esteja ritualmente puro mergulhará o hissopo nessa água e aspergirá a tenda, os recipientes e todas as pessoas que lá se encontram. Aspergirá igualmente aquele que tiver tocado num esqueleto, no cadáver dum assassinado, de alguém que morreu de morte natural ou num sepulcro.

19Esta aspersão dum homem impuro, feita por um que esteja ritualmente puro, deve ser feita no terceiro e no sétimo dia. Depois da aspersão do sétimo dia, ele deve lavar as suas roupas e tomar o banho ritual e, no fim daquele dia, fica puro.

20O homem impuro que se não tiver purificado deve ser expulso do povo de Israel, pois profanou o santuário do Senhor. Não se purificou com a água da purificação, portanto continua impuro.

21É uma lei perpétua para os israelitas. Aquele que tiver feito a aspersão com a água da purificação deve lavar as suas roupas. E aquele que tocar nas águas da purificação ficará impuro, durante todo aquele dia. 22Tudo o que um homem impuro tocar fica também impuro e quem tocar num homem impuro fica igualmente impuro, durante todo aquele dia.»

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Moisés faz sair água do rochedo

201Toda a comunidade dos israelitas chegou ao deserto de Sin, no primeiro mês do ano, e instalaram-se em Cadés20,1 Ver 13,21.26 e nota.. Míriam morreu e foi ali enterrada.

2A água faltou ao povo e amotinaram-se à volta de Moisés e de Aarão 3e discutiram com Moisés, dizendo: «Oxalá tivéssemos morrido com os nossos irmãos, castigados pelo Senhor20,3 Ver 17,15–16.27–28! 4Porque é que nos trouxeram para este deserto, a nós que somos o povo do Senhor? Foi para morrermos aqui, nós e os nossos gados? 5Porque é que nos tiraram do Egito, para nos trazerem para este lugar horrível, onde nada se semeia e onde não crescem figueiras nem videiras nem romãzeiras e onde não há sequer água para beber?»

6Moisés e Aarão afastaram-se do povo e dirigiram-se para a entrada da tenda do encontro, inclinaram-se de rosto por terra e o Senhor manifestou-lhes o seu maravilhoso poder. 7O Senhor disse a Moisés: 8«Pega na tua vara, reúne todo o povo e, na companhia do teu irmão Aarão e na presença do povo, ordenem ao rochedo que faça jorrar água. Assim tirarás água do rochedo, para dar de beber ao povo e aos seus gados.»

9Moisés pegou na sua vara, que estava diante do Senhor, tal como ele lhe ordenara. 10Com Aarão, Moisés mandou reunir o povo diante do rochedo e disse-lhe: «Ouçam-me bem, ó gente rebelde! Será que vamos conseguir tirar-vos água deste rochedo?»

11Depois levantou o braço e bateu com a sua vara duas vezes no rochedo e saiu tanta água que deu para as pessoas e os gados beberem.

12O Senhor disse a Moisés e a Aarão: «Não tiveram confiança em mim nem me honraram, diante dos israelitas. Por isso, também não serão vocês que hão de fazer entrar este povo na terra que lhe vou dar20,12 A culpa de Moisés e Aarão não fica muito clara. Talvez tenha sido a de bater no rochedo (v. 11), em vez de o intimarem por uma ordem (v. 8).

13Esta é a nascente de Meriba20,13 Meriba lembra a expressão hebraica que significa “água do conflito”., onde os israelitas discutiram com o Senhor e ele manifestou-lhes o seu poder.

O rei de Edom recusa passagem aos israelitas

14De Cadés, Moisés enviou mensageiros para irem dizer ao rei de Edom: «Escuta a mensagem dos teus irmãos israelitas! Já conheces as dificuldades que temos passado. 15Os nossos antepassados emigraram para o Egito e lá estivemos muito tempo, mas os egípcios trataram-nos mal, a nós e aos nossos pais. 16Pedimos ajuda ao Senhor; ele ouviu os nossos pedidos e mandou um mensageiro para nos fazer sair do Egito. Encontramo-nos agora em Cadés, cidade que está junto da fronteira com os teus territórios. 17Deixa-nos atravessar o teu país; não pisaremos campos nem vinhas, nem beberemos água das tuas fontes. Seguiremos sempre pela estrada real, sem nos desviarmos para a esquerda nem para a direita, até termos atravessado o teu território.»

18O rei de Edom respondeu: «Não podem atravessar o meu país! Se tentarem fazê-lo, faço-vos frente com o meu exército!»

19Os israelitas insistiram: «Iremos sempre pela estrada principal e se nós ou os nossos gados tivermos de beber água das tuas fontes pagaremos o justo preço. Só te pedimos que nos deixes atravessar o país.»

20O rei replicou: «Não podem atravessar o meu território!» E saiu ao encontro dos israelitas com um exército numeroso e fortemente armado.

21E como os edomeus se recusaram a deixar passar os israelitas pelo seu território, estes foram obrigados a fazer um desvio por outro lado.

Morte de Aarão

22Saindo de Cadés, toda a comunidade dos israelitas se dirigiu para o monte Hor, junto da fronteira de Edom. 23Ali o Senhor disse a Moisés e a Aarão: 24«Aarão irá juntar-se aos seus antepassados que morreram e não entrará na terra que eu vou dar aos israelitas20,24 Ver 11,12; 14,18.31; 15,2.17; 20,12., por causa da vossa rebeldia contra as minhas ordens, junto da nascente de Meriba. 25Chama Aarão e o seu filho Eleazar e sobe com eles ao monte Hor; 26tira as vestes sagradas a Aarão e veste-as ao seu filho Eleazar20,26 Sobre esta transmissão das vestes sacerdotais, ver Ex 29,29–30.. Depois Aarão morrerá naquele mesmo lugar.»

27Moisés fez conforme o Senhor lhe tinha mandado e, à vista de todo o povo, encaminharam-se os três para o monte Hor. 28Tirou a Aarão as vestes sagradas e vestiu com elas o seu filho Eleazar. E Aarão morreu no cimo daquele monte20,28 Ver Nm 33,38–39; Dt 10,6. e Moisés desceu da montanha com Eleazar. 29Ao saberem que Aarão tinha morrido, todos os israelitas fizeram luto por ele, durante trinta dias.

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Vitória sobre os cananeus

211O rei de Arad21,1 Arad fica a uns 30 km a leste de Bercheba., um cananeu que habitava no Negueve, soube que os israelitas vinham pelo caminho de Atarim21,1 Localidade desconhecida. Ver 33,40., atacou-os e levou alguns como prisioneiros. 2Então os israelitas fizeram a seguinte promessa ao Senhor: «Se nos deres a vitória sobre este povo, todas as suas cidades serão votadas à destruição em tua honra.» 3O Senhor ouviu o pedido dos israelitas e deu-lhes a vitória sobre os cananeus e os israelitas condenaram à destruição as suas cidades. E aquele lugar passou a chamar-se Horma21,3 Horma quer dizer, em hebraico, “destruição”..

As serpentes venenosas

4Do monte Hor, os israelitas dirigiram-se para o Mar Vermelho, contornando o território de Edom21,4 Ver Dt 2,1.. Mas no caminho, o povo sentiu-se muito cansado 5e começou a protestar contra Deus e contra Moisés: «Por que é que nos fizeram sair do Egito, para morrermos no deserto? Não temos nem pão nem água e já estamos enjoados desta comida fraca.»

6O Senhor enviou contra o povo serpentes venenosas; elas morderam muita gente e muitos israelitas morreram21,6 Sobre os v. 5–6, ver 1 Co 10,9.. 7Então o resto do povo foi ter com Moisés, exclamando: «Errámos, quando protestámos contra o Senhor e contra ti! Pede ao Senhor que afaste de nós as serpentes.» E Moisés pediu ao Senhor em favor do povo. 8O Senhor respondeu-lhe: «Arranja uma serpente de metal e pendura-a no cimo dum pau. Quando alguém for mordido por uma serpente e olhar para esta serpente, salvará a vida.»

9Moisés fez uma serpente de bronze e pendurou-a no cimo dum pau. Quando as serpentes mordiam em alguém, este olhava para a serpente de bronze e ficava curado21,9 Ver 2 Rs 18,4; Jo 3,14..

Etapas até ao monte Pisga

10Os israelitas partiram e foram acampar em Obot. 11Depois saíram de Obot e foram acampar em Ié-Abarim, no deserto que se encontra a oriente de Moab. 12Dali, foram para junto da ribeira de Zéred. 13Saindo de Zéred, foram acampar do outro lado do Arnon, rio que nasce no território dos amorreus e atravessa o deserto, servindo de fronteira entre o território de Moab e o dos amorreus. 14Assim se lê no livro das Guerras do Senhor21,14 O livro das Guerras do Senhor deve ser uma recolha de poemas, do qual só conhecemos este poema relativamente difícil de traduzir.:

«Vaeb, em Sufá, e os afluentes,

o Arnon e a margem dos seus afluentes,

15que se estendem para os lados de Ar

e chegam até à fronteira de Moab.»

16Dali foram para Beer que era o poço21,16 Beer, quer dizer, em hebraico, “poço”. a propósito do qual o Senhor tinha dito a Moisés: «Manda reunir o povo que eu lhes darei água.» 17Foi então que os israelitas cantaram a seguinte canção21,17 Fragmento de um outro poema de origem desconhecida.:

«Sobe, água do poço!

Cantem-lhe canções!

18Poço aberto por príncipes,

cavado por gente nobre,

com seus cetros e cajados de comando.»

Do deserto, foram para Mataná 19e dali para Naliel; de Naliel foram para Bamot 20e dali para o vale dos campos de Moab, em direção ao cimo do monte Pisga, donde se domina toda a estepe.

Vitória sobre os reis Seon e Og

21Os israelitas enviaram mensageiros a Seon, rei dos amorreus, para lhe dizerem: 22«Deixa-nos atravessar o teu país; não nos desviaremos nem por campos nem por vinhas, nem beberemos águas das fontes. Seguiremos sempre pela estrada real21,22 Ver nota a 20,17., até termos atravessado o teu território.»

23Mas Seon não lhes permitiu atravessar o seu território. Pelo contrário, reuniu todo o seu exército e saiu contra os israelitas, no deserto. Foi encontrá-los em Jaás e atacou-os. 24Estes derrotaram Seon e conquistaram todo o seu país, desde o Arnon até ao Jaboc e ao país dos amonitas, cuja fronteira se encontrava fortificada. 25Os israelitas conquistaram todas as suas cidades e instalaram-se em todas as cidades amorreias, incluindo Hesbon e as suas aldeias. 26Hesbon era a capital de Seon, rei dos amorreus. Este tinha estado em guerra contra o anterior rei de Moab e tinha-se apoderado de todo o seu país até ao Arnon. 27A propósito disso diziam os poetas:

«Venham a Hesbon, capital do rei Seon!

Venham agora reconstruí-la e restaurá-la!

28O fogo saía de Hesbon,

as chamas, da capital de Seon;

o fogo devorou Ar de Moab

e os senhores das colinas do Arnon.

29Ai de ti, Moab!

Estás perdido, ó povo do deus Camós!

As tuas filhas e os teus filhos sobreviventes

são prisioneiros do rei amorreu, Seon21,29 Ou: os homens tiveram de fugir e as mulheres ficaram prisioneiras..

30Nós atirámos sobre os amorreus

e Hesbon ficou desfeita até Dibon;

devastámo-los até Nofa

e o fogo alastrou até Madabá.»

31Os israelitas instalaram-se na terra dos amorreus. 32Moisés enviou espiões para explorar a cidade de Jazer. Os israelitas apoderaram-se também das suas aldeias, expulsando os habitantes amorreus. 33Depois mudaram de direção e dirigiram-se para Basã. Og, rei de Basã, saiu contra eles com todo o seu exército e deu-lhes batalha em Edrei.

34O Senhor disse a Moisés: «Não tenhas medo dele, pois eu ponho-o à tua disposição com todo o seu exército e todo o seu país. Trata-o como trataste Seon, rei dos amorreus, que habitava em Hesbon.»

35E os israelitas derrotaram-no a ele, aos seus filhos e a todo o seu exército, sem que tenha ficado nenhum sobrevivente, e conquistaram o seu país.

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