a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Estamos em paz com Deus

51Portanto, uma vez que fomos justificados pela fé, estamos em paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo. 2Foi por meio de Cristo e pela fé que nós conseguimos esta harmonia com Deus que agora temos. E isso dá-nos a maravilhosa esperança de tomar parte na glória de Deus. 3Mais ainda, nós sentimos alegria nos nossos sofrimentos, porque o sofrimento produz a perseverança; 4a perseverança provoca a firmeza de caráter nas dificuldades e a firmeza produz a esperança. 5Esta esperança não nos engana, porque Deus encheu-nos o coração com o seu amor, por meio do Espírito Santo que é dom de Deus.

6Na verdade, quando nós ainda vivíamos nas nossas fraquezas, Cristo, no seu devido tempo, morreu por nós pecadores. 7Seria muito difícil alguém morrer por uma pessoa, mesmo que ela fosse inocente. De facto, talvez alguém seja capaz de dar a vida por uma pessoa boa. 8Mas Deus mostrou-nos até que ponto nos ama pois, quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós. 9Pela sua morte, nós agora estamos em boas relações com Deus. E agora que somos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão por meio dele seremos livres do castigo final. 10Pois se, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho, quanto mais estando reconciliados seremos salvos pela sua vida! 11E ainda não é tudo. Nós sentimos alegria em Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, por quem agora recebemos a reconciliação.

Adão e Cristo

12Por um só homem entrou o pecado no mundo e com o pecado veio a morte. Foi assim que a morte atingiu toda a gente, já que todos pecaram. 13Antes da Lei de Moisés já existia o pecado no mundo. Mas como ainda não havia lei, Deus não tinha em conta o pecado. 14Sem dúvida que, desde o tempo de Adão até ao tempo de Moisés, a morte teve poder mesmo sobre aqueles que não tinham cometido pecado à semelhança de Adão que desobedeceu a Deus. Adão representava aquele que havia de vir. 15Mas o pecado de Adão não pode comparar-se ao dom que nos vem de Deus. Se é certo que uma grande multidão morreu por causa do pecado de um só, também é verdade que o dom de Deus é muito maior. Esse dom que nos vem de Deus por meio de um só homem, Jesus Cristo, é muito superior. 16O dom de Deus tem consequências muito diferentes daquelas que teve o pecado de um só homem. Com efeito, o julgamento do pecado de um só levou à condenação, mas o dom concedido depois de tantos pecados trouxe a justificação. 17Pois se, pela ofensa de um só homem, a morte reinou através desse homem, com muito mais razão aqueles que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão na vida, por meio de um só, Jesus Cristo.

18Assim como o pecado de um só homem trouxe a todos a condenação, assim também um só ato de justiça trouxe a justificação que dá vida a todos os homens. 19Pois como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, pela obediência de um só todos se tornam justos diante de Deus.

20A lei veio fazer aumentar mais o pecado. Mas quanto mais o pecado aumentava, mais abundava a graça de Deus. 21De modo que assim como o pecado reinou na morte, também a graça de Deus reina pela justiça para a vida eterna por Jesus Cristo, nosso Senhor.

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Morrer para o pecado, viver em Cristo

61Que diremos então? Vamos continuar a viver no pecado, para mais se manifestar a graça de Deus? 2De modo nenhum. Nós, que morremos para o pecado, como poderíamos viver ainda em pecado? 3Não sabem que todos nós, os que fomos batizados para estarmos unidos a Jesus Cristo, ficámos unidos com ele na sua morte? 4Pelo batismo, fomos sepultados com Cristo e tomámos parte na sua morte. Assim podemos viver também uma nova vida à semelhança dele que ressuscitou da morte pelo poder divino do Pai.

5Se estamos unidos a ele por uma morte como a sua, também havemos de estar unidos a ele na passagem da morte à vida. 6Sabemos que aquilo que nós éramos antes morreu com Cristo na cruz, para ser destruído o que em nós havia de mal e para não sermos mais escravos do pecado. 7Aquele que morreu está livre do pecado. 8Se nós morremos com Cristo, acreditamos que também viveremos com ele. 9Sabemos que Cristo, por ter passado da morte à vida, já não morrerá. A morte nunca mais terá poder sobre ele. 10Pela sua morte, Cristo morreu para o pecado duma vez para sempre e a vida nova que recebeu é vida para Deus. 11Do mesmo modo, considerem-se também como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em união com Cristo Jesus.

12Que o pecado nunca mais tenha poder sobre o vosso corpo mortal levando-o a obedecer às suas más inclinações. 13Não entreguem os membros do vosso corpo ao pecado como instrumentos de injustiça. Pelo contrário, entreguem-se a Deus como pessoas que passaram da morte à vida e façam do vosso corpo um instrumento de justiça. 14O pecado já não vos poderá dominar, pois não estão sujeitos à lei mas à graça de Deus.

Ao serviço da vontade de Deus

15Que pensar então? Vamos pecar porque já não estamos sujeitos à lei mas à graça de Deus? De maneira nenhuma. 16Sabem muito bem que se estão ao serviço de alguém têm de obedecer-lhe. É assim mesmo, quer obedeçam ao pecado para a morte; quer obedeçam a Deus para a justificação. 17Mas dou graças a Deus, porque tendo já sido escravos do pecado seguem agora de todo o coração o exemplo que está na doutrina que vos foi confiada. 18Foram libertados do pecado para ficarem ao serviço da justiça de Deus. 19Eu falo como homem por causa da dificuldade que têm em compreender estas coisas. Antigamente entregavam-se como escravos à impureza e à iniquidade para cometerem más ações. Pois agora entreguem-se ao serviço da justiça de Deus para serem santos.

20Quando eram escravos do pecado não estavam ao serviço da justiça de Deus. 21E que proveito tinham das coisas de que agora se envergonham? O resultado disso é a morte. 22Agora porém, livres do pecado, estão ao serviço de Deus. O fruto disso é uma vida consagrada a Deus e no fim a vida eterna. 23Com efeito, o pecado paga-se com a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em união com Cristo Jesus, nosso Senhor.

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A nossa lei é Cristo

71Meus irmãos, conhecem a lei e sabem que uma lei só tem poder sobre uma pessoa enquanto esta vive. 2Assim, por exemplo, uma mulher casada está ligada ao seu marido por força da lei, enquanto ele viver. Mas se o marido morre, ela fica livre dessa lei do matrimónio. 3É por isso que ela é considerada adúltera, se tem ligação com outro homem enquanto vive o seu marido. Entretanto, se este morre, ela fica livre da lei e pode casar com outro homem, sem por isso cometer adultério.

4Coisa semelhante se passa convosco, meus irmãos. Pela morte de Cristo morreram para a lei e não podem pertencer a outro. Pertencem àquele que passou da morte para a vida, a fim de praticarem obras agradáveis a Deus. 5Quando vivíamos conforme a nossa natureza humana, quem mandava em nós eram os desejos maus, despertados pela lei. E isso levava à morte. 6Mas agora estamos livres da lei e morremos para aquilo que nos tinha como escravos. Assim podemos servir a Deus duma maneira nova, segundo o Espírito, e não à maneira antiga da lei7,6 Referência à Lei de Moisés..

A lei, ocasião de pecado

7Mas que diremos então? Porventura a lei é pecado? De modo nenhum. Mas a verdade é que eu não conhecia o pecado se não fosse pela lei. De facto, eu não sabia o que é a cobiça se a lei não dissesse: «Não cobiçarás». 8O pecado aproveitou a ocasião que lhe vinha de um mandamento para despertar em mim toda a espécie de maus desejos. Sem a lei, o pecado era coisa morta. 9Houve tempo em que eu mesmo vivia sem a lei. Mas quando veio o mandamento, o pecado redobrou de vida. 10Eu morri e assim o mandamento que deveria levar-me à vida levou-me à morte. 11Com efeito, o pecado que se aproveitou da ocasião que lhe vinha do mandamento, enganou-me e deu-me a morte.

12De facto, a lei é santa e o mandamento é igualmente santo, justo e bom. 13Então aquilo que é bom foi morte para mim? De modo nenhum. Mas o pecado, mostrando bem que é pecado, provocou-me a morte servindo-se do bem. Desse modo, por meio do mandamento, o pecado tornou-se muito mais forte do que antes.

O homem, escravo do pecado

14Sabemos que a lei vem de Deus, mas eu sou um homem fraco, vendido como escravo ao pecado. 15Nem me compreendo, pois não faço aquilo que queria fazer e faço o mal que detesto. 16Ora se eu faço aquilo que não quero, estou a provar que a lei é boa. 17Não sou eu que o faço, mas é o pecado que está em mim. 18Pois eu sei que o bem não habita em mim, quer dizer, na minha natureza7,18 Literalmente: na minha carne. A palavra que se traduziria por carne serve para indicar o homem com toda a sua fraqueza, com tendência para fazer o mal, incapaz de se libertar do passado.. Embora tenha o desejo de praticar o bem, não sou capaz de o fazer. 19Não faço o bem que eu quero, mas faço o mal que não quero. 20Ora se eu faço o que não quero, é porque não sou eu quem faz isso, mas o pecado que está em mim.

21Encontro pois em mim esta regra: quando eu quero fazer o bem, faço mas é o mal. 22Cá no meu íntimo, eu quero seguir a lei de Deus, 23mas vejo que no meu corpo há uma outra lei que está contra a lei do meu entendimento. É isso que me torna prisioneiro da lei do pecado que está no meu corpo.

24Que homem infeliz eu sou! Quem me libertará deste corpo que me leva à morte? 25Sejam dados louvores a Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo! Pois eu estou ao serviço da lei de Deus com o meu entendimento, embora sujeito à lei do pecado, com a minha natureza humana.