a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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A dureza da vida humana

401O trabalho duro foi criado para todos os seres humanos;

pesado jugo aflige os filhos de Adão,

desde o dia em que saem do ventre da mãe

até ao dia em que voltam para o ventre da mãe de todos40,1 Maneira de falar sobre a terra..

2Os seus pensamentos e o medo do seu coração,

a sua ansiosa espera estão no dia da sua morte.

3Desde o que está sentado num trono glorioso,

até ao miserável sentado no pó e nas cinzas;

4desde aquele que se veste de púrpura e usa uma coroa,

até àquele que se veste de pano grosseiro,

5para todos só há ódio, inveja, inquietação, preocupações,

medo da morte, sentimento de culpa e contendas.

E, na hora de dormir, deitado na sua cama,

o sono perturba-lhe o entendimento.

6O descanso é pouco, é como nada;

e mesmo a dormir, é perturbado,

tal como em pleno dia, pelas visões do coração,

e é como alguém em fuga do campo de batalha.

7No momento em que escapa do perigo, admira-se,

pois não havia razão para ter medo.

8Isto acontece a todos os seres vivos, humanos ou animais,

mas para os pecadores é sete vezes pior:

9a morte, o derramamento de sangue, as contendas e a espada,

desgraças, fome, ruína e tormento.

10Tudo isso foi criado para os iníquos,

e foi por causa deles que veio o dilúvio.

11Tudo o que vem da terra volta para a terra;

tudo o que vem das águas volta para o mar.

Vários provérbios

12Todo o suborno e toda a injustiça desaparecerão,

mas a fidelidade dura para sempre.

13As riquezas dos injustos secarão como um rio

e rebentarão como o forte estrondo do trovão numa tempestade.

14Assim como os que têm as mãos abertas para os outros serão felizes,

também os desobedientes no fim perder-se-ão.

15Os descendentes dos ímpios não terão abundância de ramos;

as raízes impuras irrompem de um solo de rocha.

16A cana que cresce na água e perto das margens dos rios

é arrancada antes de todas as outras plantas;

17mas a caridade é como um jardim abençoado,

e a misericórdia permanece para sempre.

18O homem independente e o trabalhador têm uma vida boa;

melhor do que esses dois é a vida daquele que acha um tesouro.

19Os filhos e a fundação de uma cidade conferem um nome duradouro;

mas melhor do que ambas estas coisas

é ter uma mulher sem motivo de censura.

20O vinho e a música alegram o coração;

melhor do que isto é o amor da sabedoria.

21A flauta e a harpa produzem uma agradável melodia;

mas melhor do que uma e outra é uma voz agradável.

22Graça e beleza são um prazer para os olhos;

mas melhores ainda são os campos verdes.

23Um amigo ou um companheiro ajudam-se no momento oportuno;

mas ainda melhor é a mulher com o seu marido.

24Os irmãos e as ajudas são para as horas de tribulação;

mas melhor do que estes dois são as esmolas que nos salvam.

25O ouro e a prata dão segurança aos pés;

mas um bom conselho é mais apreciado do que estes.

26A riqueza e a força enlevam o coração,

mas ainda melhor do que estas duas coisas é o temor ao Senhor.

No temor do Senhor não há falta de nada

e não é preciso procurar ajuda.

27O temor ao Senhor é como um jardim abençoado;

protege melhor do que qualquer glória.

Pedir esmolas

28Meu filho, não vivas a vida de um mendigo;

é melhor morrer do que mendigar.

29O homem que olha para a mesa alheia

tem uma vida que não pode ser considerada vida.

Mancha-se a si mesmo com o alimento dos outros.

O homem inteligente e bem-educado guardar-se-á deste hábito.

30Na boca do desavergonhado, mendigar é doce,

mas o seu ventre arde como fogo.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»