a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Susana e os dois juízes

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11[1] Na cidade da Babilónia morava um homem chamado Joaquim. 2[2] A sua esposa era filha de Hilquias e chamava-se Susana, muito bela e temente a Deus. 3[3] Os pais de Susana também eram justos e tinham educado a filha de acordo com a Lei de Moisés. 4[4] Joaquim era muito rico e tinha um lindo jardim ao lado da sua casa. Os outros judeus tinham o costume de se reunir na casa dele, pois era o homem mais respeitado entre eles. 5[5] Naquele ano dois líderes do povo tinham sido nomeados juízes. Tinha sido a respeito desses dois líderes que o Senhor havia dito: «Houve injustiça na Babilónia, praticada pelos líderes que eram juízes, os quais não governaram o povo como deviam.» 6[6] Estes juízes visitavam frequentemente a casa de Joaquim e a ele acorriam todos os que tinham algum caso para julgar. 7[7] Ao meio-dia, quando todos iam embora, Susana costumava sair de casa e dar um passeio pelo jardim do seu marido. 8[8] Todos os dias os dois juízes ficavam a espiar Susana enquanto ela passeava no jardim. E acabaram por se apaixonar por ela. 9[9] Perderam o juízo e desviaram os seus olhos para não olharem para o céu, e também se esqueceram dos castigos justos de Deus. 10[10] Os dois estavam loucamente apaixonados por ela, mas não comentavam nada um com o outro, 11[11] pois tinham vergonha de revelar o seu desejo de ter relações com ela. 12[12] E todos os dias esperavam ansiosos a hora de a ver. 13[13] Certa vez, um disse para o outro: «Vamos para casa; já está na hora do almoço.» Eles saíram, e cada um foi para o seu lado. 14[14] Mas depois voltaram e encontraram-se no mesmo lugar. Ao perguntarem um ao outro a razão por que cada um tinha voltado, confessaram ambos o seu desejo por Susana. Então combinaram uma maneira de se encontrarem com ela quando estivesse sozinha. 15[15] E sucedeu que certo dia que os juízes tinham combinado espiá-la, ela apareceu como fizera no dia anterior e na véspera, acompanhada somente por duas empregadas. Estava muito calor e ela resolveu tomar um banho ali no jardim. 16[16] Não havia lá mais ninguém, a não ser os dois juízes que estavam escondidos a espiar Susana. 17[17] Ela disse às empregadas: «Vão-me buscar óleo de banho e perfume e fechem os portões do jardim, pois vou tomar um banho.» 18[18] As empregadas fizeram o que Susana tinha ordenado. Fecharam os portões do jardim e depois saíram por um portão do lado para buscar as coisas que Susana queria; mas não viram os dois juízes porque estavam bem escondidos. 19[19] Assim que as empregadas saíram, os dois levantaram-se, correram para onde estava Susana 20[20] e disseram: «Os portões do jardim estão trancados, e ninguém pode ver-nos. Estamos apaixonados por ti. Não resistas; entrega-te a nós. 21[21] Se não, testemunharemos que um jovem estava aqui contigo e que foi por isso que mandaste as empregadas embora.» 22[22] Susana deu um gemido de aflição e disse: «Não tenho saída! Se fizer o que vocês querem, serei condenada a morrer por adultério; se o não fizer, não poderei escapar do vosso falso testemunho. 23[23] Mas não vou fazer o que querem. Prefiro morrer nas vossas mãos do que pecar contra o Senhor.» 24[24] E começou a gritar bem alto. Então os dois juízes começaram também a gritar contra ela, 25[25] e um deles correu e abriu os portões do jardim. 26[26] Quando os empregados da casa ouviram a gritaria no jardim, foram a correr até lá e entraram pelo portão do lado, para ver o que tinha acontecido com Susana. 27[27] Quando ouviram o que os dois juízes diziam contra Susana, os empregados ficaram com muita vergonha, pois nunca ninguém tinha dito uma coisa dessas a respeito dela. 28[28] No dia seguinte, como de costume, o povo reuniu-se na casa de Joaquim, o marido de Susana. Os dois juízes estavam lá, resolvidos a realizarem o seu plano iníquo de conseguir que Susana fosse condenada à morte. 29[29] Na presença de todo o povo eles disseram: «Mandem trazer aqui Susana, filha de Hilquias e esposa de Joaquim.» Foram buscá-la, 30[30] e ela veio, com os pais, filhos e todos os parentes. 31[31] Susana era bonita e muito delicada. 32[32] Estava com o rosto coberto por um véu, e os dois malvados mandaram-na tirar o véu para poderem ter o prazer de admirar a sua beleza. 33[33] A família e os amigos de Susana choravam, e todos os que a viam também. 34[34] Os dois juízes ficaram de pé no meio do povo e puseram as mãos na cabeça de Susana13,34 Com este gesto mostravam que eram testemunhas e acusavam-na de ter cometido um crime. Ver Lv 24,14.. 35[35] Chorando, Susana olhou para o céu com o coração confiante no Senhor. 36[36] Os juízes disseram: «Estávamos só nós os dois a passear no jardim, quando vimos esta mulher com duas empregadas. Ela trancou os portões do jardim e mandou que as empregadas fossem embora. 37[37] Então um jovem, que estava escondido, foi encontrar-se com ela e os dois deitaram-se juntos. 38[38] Nós estávamos num canto do jardim e, logo que vimos aquela imoralidade, corremos para onde os dois estavam 39[39] e apanhámo-los no ato de adultério. O jovem era mais forte do que nós e por isso não conseguimos segurá-lo; ele abriu o portão e fugiu. 40[40] Segurámos esta mulher e perguntámos-lhe quem era aquele jovem, 41[41] porém ela não quis dizer. Somos testemunhas de tudo isso.» Eles eram líderes do povo e juízes, e por isso o povo acreditou neles e condenou Susana à morte. 42[42] Então Susana gritou bem alto: «Ó Deus Eterno, tu conheces todos os segredos e sabes todas as coisas, antes que elas aconteçam! 43[43] Sabes que estes homens estão a mentir. Eu vou morrer, embora não tenha feito nada do que estes dois mentirosos disseram contra mim.» 44[44] O Senhor atendeu à oração de Susana. 45[45] Quando ela estava a ser levada para a morte, Deus despertou o espírito piedoso de um jovem chamado Daniel. 46[46] Ele gritou bem alto: «Não quero ser culpado da morte desta mulher!» 47[47] Todos olharam para ele e perguntaram: «O que é quereres dizer com isso?» 48[48] Ele ficou de pé na frente de todos e respondeu: «Israelitas! Será que são assim tão tolos? Estão a condenar à morte uma mulher israelita sem terem feito um julgamento e sem procurarem claramente saber o que aconteceu. 49[49] Voltem para o lugar de julgamento, pois o testemunho destes dois homens é falso.» 50[50] Voltaram todos depressa para o lugar de julgamento, e os líderes do povo disseram a Daniel: «Senta-te aqui connosco e explica-nos o que aconteceu. Pois estamos a ver que Deus te deu a sabedoria de uma pessoa de idade.» 51[51] Daniel disse: «Separem os dois juízes e coloquem-nos longe um do outro que eu vou interrogá-los.» 52[52] Depois de os dois juízes terem sido separados, Daniel chamou um deles e disse: «Ó velho desavergonhado! Agora vais pagar por todos os teus antigos pecados. 53[53] Tu não julgavas com justiça; condenavas os inocentes e soltavas os culpados, pois o Senhor disse: “Não condenes à morte uma pessoa inocente.” 54[54] Agora diz-me se viste mesmo os dois a ter relações debaixo de uma árvore, que árvore era essa?» O juiz respondeu: «Era uma aroeira.» 55[55] Daniel respondeu: «Ótimo! Vais pagar essa mentira com a tua vida. Pois o Anjo de Deus já recebeu ordens dele para te cortar pelo meio13,55 Em grego soa como a palavra que quer dizer aroeira.56[56] Daniel mandou que ele saísse e que viesse o outro. Então Daniel disse: «Tu dizes que és judeu13,56 Neste versículo e no seguinte nota-se o preconceito dos judeus do Sul para com os do Norte.? Pois não és; tu és um cananeu. Deixaste que a beleza desta mulher te conquistasse, e a paixão perverteu-te o coração. 57[57] Tu e o teu colega conseguiram seduzir mulheres israelitas, e elas por medo entregaram-se. Mas esta mulher da tribo de Judá não concordou em praticar imoralidades convosco. 58[58] Agora diz-me: Debaixo de que árvore apanhaste os dois a ter relações?» Ele respondeu: «Debaixo de um carvalho.» 59[59] Daniel respondeu: «Ótimo! Também tu vais pagar essa mentira com a tua vida. O Anjo de Deus está à espera para te partir13,59 Em grego soa como a palavra que quer dizer carvalho. pelo meio com a sua espada. Assim ele vos matará aos dois.» 60[60] Então o povo que estava ali começou a gritar e a louvar a Deus, que salva os que confiam nele. 61[61] O povo ficou contra os dois juízes, pois por meio das respostas que tinham dado, Daniel havia provado que o seu testemunho era falso. O povo deu aos dois o mesmo castigo que eles tinham planeado dar à mulher. 62[62] De acordo com o que a Lei de Moisés manda13,62 Um israelita que desse falso testemunho contra um compatriota deveria receber o castigo que queria que o outro recebesse. Ver Dt 19,16–21., eles mataram os dois juízes. E naquele dia uma pessoa inocente foi salva. 63[63] Hilquias e a sua esposa, juntamente com Susana e com Joaquim, seu esposo, mais os parentes de Susana, agradeceram a Deus porque ela não era culpada de ter praticado qualquer ato imoral. 64[64] E daquele dia em diante Daniel foi muito respeitado no meio do povo de Israel.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»