a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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11Este livro conta a história de Tobite, que era filho de Tobiel, que era filho de Ananiel, que era filho de Aduel, que era filho de Gabael, que era filho de Rafael, que era filho de Raguel, que era descendente de Asiel, da tribo de Neftali. 2Quando Salmanasar era rei da Assíria, Tobite foi levado da cidade de Tisbé como prisioneiro. Essa cidade ficava na região Norte da Galileia, ao sul de Cadés, no território de Neftali, a noroeste de Haçor e norte de Peor.

A mocidade de Tobite

3Eu, Tobite, tenho seguido o caminho da verdade e tenho sido correto durante toda a minha vida. Quando fui levado como prisioneiro para a cidade de Nínive, na Assíria, muitas vezes ajudei os meus parentes necessitados e os do meu povo que também estavam em Nínive. 4Eu ainda era criança e morava em Israel, a minha terra. Nessa época a tribo inteira de Neftali, à qual eu pertenço, revoltou-se contra os reis que eram descendentes de David1,4 Segundo uma versão antiga. O texto grego tem: David, o meu antepassado.. E também rejeitou Jerusalém como a cidade escolhida por Deus para que nela todas as tribos de Israel oferecessem sacrifícios. Era ali onde o templo, a casa de Deus, tinha sido construído e dedicado ao seu serviço para sempre. 5Mas os meus parentes e todos os outros membros que eram da tribo de Neftali iam até à cidade de Dan, nas montanhas da Galileia, para oferecerem os seus sacrifícios ao touro de ouro que Jeroboão, rei de Israel, tinha mandado fazer. 6Muitas vezes eu era o único que ia a Jerusalém para participar nas festas, conforme está escrito, para sempre, na Lei de Moisés dirigida ao povo de Israel. Levava comigo a primeira parte das minhas colheitas, as primeiras crias dos meus animais, a décima parte do meu gado e a primeira lã das minhas ovelhas. 7Tudo isso entregava aos sacerdotes, os descendentes de Aarão, em frente do altar, no templo. E aos levitas que estavam a serviço de Deus em Jerusalém entregava a décima parte do meu trigo, do vinho, do azeite, das romãs, dos figos e das outras frutas. Todos os anos, menos no sétimo, quando a terra descansava1,7 De sete em sete anos não se plantavam os campos, nem se faziam colheitas. Ver Lv 25,1–7., vendia uma segunda décima parte dos meus produtos, levava para Jerusalém o dinheiro ganho com essa venda e ali o gastava durante as festas. 8De três em três anos, eu ia a Jerusalém e dava uma terceira décima parte aos órfãos, às viúvas e aos estrangeiros que moravam em Israel, e comíamos juntos o jantar da festa. Fazia isso como manda a Lei de Moisés e conforme as leis que Débora, a minha avó, a mãe de Tobiel1,8 Segundo uma versão antiga. O texto grego tem: Ananiel., o meu pai, me havia ensinado. O meu pai tinha morrido, deixando-me órfão.

Tobite é levado como prisioneiro para a Assíria

9Eu já era homem feito quando me casei com Ana, que era da minha tribo. Tivemos um filho e dei-lhe o nome de Tobias. 10Mais tarde fui levado como prisioneiro para a Assíria e fiquei a morar em Nínive. Todos os meus parentes e os do meu povo comiam dos alimentos daquele povo pagão, 11mas eu permaneci firme e não comia daquelas coisas. 12De todo o meu coração eu obedecia ao meu Deus, 13e por isso o Deus Altíssimo fez com que o rei Salmanasar me tratasse com simpatia e respeito. Fui então encarregado de comprar todos os mantimentos para o palácio do rei. 14Enquanto Salmanasar viveu, eu ia sempre até à Média a fim de fazer compras para ele. Certa vez, na cidade de Ragués, na Média, deixei guardados para mim, na casa de Gabael, irmão de Gabri, alguns sacos cheios de moedas de prata, que pesavam mais ou menos trezentos e quarenta quilos. 15Quando Salmanasar morreu, o seu filho Senaqueribe ficou no lugar dele como rei da Assíria. As estradas para a Média eram inseguras, e por isso não pude continuar a fazer as minhas viagens até lá.

A caridade de Tobite

16Ainda no tempo de Salmanasar, muitas vezes ajudei os meus irmãos necessitados. 17Se estavam com fome, dava-lhes comida; se não tinham roupa, eu dava. E, se eu visse o corpo de um dos do meu povo atirado para fora das muralhas de Nínive, pegava nele e enterrava-o. 18Enterrei também aqueles que Senaqueribe mandou matar, quando regressou como fugitivo da Judeia, durante o tempo do castigo que o Rei do céu decretou contra ele pelas blasfémias que havia proferido. Senaqueribe ficou tão furioso que mandou matar muitos israelitas. Mas em segredo, eu pegava nos corpos e enterrava-os; e, quando Senaqueribe os procurava não os achava. 19Mas um dos moradores de Nínive foi contar ao rei que era eu quem enterrava os corpos às escondidas. Quando tive conhecimento que o rei, sabendo o que eu tinha feito, me queria matar, fiquei com medo e escondi-me; depois fugi. 20Todos os meus bens foram confiscados e entregues ao tesouro do rei. Não fiquei com nada, a não ser com Ana, a minha mulher, e com o meu filho Tobias. 21Quarenta dias depois disso, os dois filhos de Senaqueribe mataram-no e fugiram para as montanhas de Ararat. O seu filho Assaradom sucedeu-lhe no trono. Este nomeou ministro das finanças do reino o filho do meu irmão Anael, chamado Aicar, e deu-lhe autoridade sobre toda a sua casa. 22Nessa altura, Aicar intercedeu por mim e eu pude voltar para Nínive. Pois, já no tempo de Senaqueribe, rei da Assíria, Aicar tinha sido copeiro-mor, ministro da justiça, administrador e tesoureiro, e Assaradom reconduziu-o em todos os seus cargos. Ele era, de facto, meu sobrinho, um membro da minha família.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»