a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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Tobite enterra um israelita

21Portanto, foi durante o reinado de Assaradom que eu voltei para casa; novamente Ana, a minha mulher, o meu filho Tobias e eu voltamos a estar juntos. Durante a nossa festa de Pentecostes, também chamada de Festa das Sete Semanas, prepararam-me um ótimo jantar e eu sentei-me para comer. 2Puseram a mesa e colocaram muitos pratos de comida na minha frente. Então eu disse a Tobias: «Vai e traz qualquer um dos nossos irmãos necessitados que encontrares e que seja obediente ao Senhor, e eu esperarei por ti.» 3Então Tobias foi procurar algum dos nossos irmãos que fosse pobre. Quando voltou, disse: «Pai, um dos do nosso povo foi estrangulado e atirado para o meio da praça.» 4Levantei-me da mesa, sem comer coisa alguma, e saí logo. Tirei o defunto da rua e pu-lo num quartinho exterior, para que ficasse ali até ao pôr do sol. Depois de anoitecer, já poderia enterrá-lo. 5Entrei em casa, tomei um banho para me purificar e jantei, muito triste. 6Lembrei-me daquilo que o profeta Amós tinha dito ao povo de Betel: «As suas festas serão transformadas em velórios; vocês vão chorar em vez de cantar.» Então comecei a chorar. 7Depois do pôr do sol saí, fiz uma cova e enterrei o corpo. 8Os vizinhos viram o que eu estava a fazer e riram-se de mim, dizendo: «Ele não tem medo de ser condenado à morte por fazer isto; já teve que fugir uma vez, mas continua a enterrar os mortos.»

A cegueira de Tobite

9Naquela noite tomei um banho e fui dormir no pátio interior da minha casa. Deitei-me perto do muro e por causa do calor não cobri a cabeça com o cobertor. 10Eu não sabia que em cima do muro havia alguns passarinhos; durante a noite as suas fezes ainda quentes caíram-me nos olhos, formando umas manchas brancas. Fui aos médicos, esperando ser curado; porém, quanto mais eles punham remédios nos meus olhos, mais eles pioravam, até que fiquei completamente cego. Passei quatro anos sem poder ver nada, e todos os meus irmãos tinham pena de mim. Durante dois anos Aicar tomou conta de mim, até partir para o país de Elimaida. 11Depois que Aicar se foi embora, Ana, minha mulher, começou a ganhar dinheiro fazendo tecidos. Esse é um trabalho que as mulheres geralmente fazem. 12Ela levava o tecido aos patrões e estes pagavam-lhe pelo serviço. No dia sete do mês de Adar, ela terminou de fazer uma peça de tecido e a entregou aos patrões. Eles pagaram-lhe pelo serviço e também lhe deram de presente um cabrito. 13Quando ela chegou a casa, o cabrito começou a balir. Eu perguntei logo: «De onde veio esse cabrito? Não me digas que roubaste esse animal! Se o roubaste, leva-o de volta aos donos. Não temos o direito de comer qualquer coisa que tenha sido roubada.» 14Ela respondeu: «É que, além de me pagarem, ainda me ofereceram este cabrito.» Eu não quis acreditar e insisti com ela para que devolvesse o cabrito aos patrões, envergonhado com o seu procedimento. Mas Ana disse: «Onde estão as esmolas que dás? Onde estão as obras de caridade que fazes? Agora a gente fica a saber quem tu realmente és.»

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»