a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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121O teu espírito imortal está em todos.

2Por isso, Senhor, pouco a pouco tu vais corrigindo os que pecam

e fazes com que se lembrem dos seus pecados,

a fim de que abandonem o mal e creiam em ti.

Como Deus tratou os cananeus

3Aqueles que antigamente moravam na tua terra santa12,3 A terra de Canaã.,

4tu os odiavas por causa dos seus costumes detestáveis,

por causa das suas feitiçarias e das suas cerimónias sem devoção.

5Sem dó nem piedade eles matavam crianças;

nas suas festas religiosas matavam pessoas;

comiam-lhe a carne e as entranhas, e bebiam o seu sangue.

Nas cerimónias de iniciação,

6os pais matavam os seus filhinhos,

crianças que não se podiam defender.

Tu resolveste acabar com eles pela mão dos nossos antepassados,

7a fim de que aquela terra,

que tu amas mais do que qualquer outra,

recebesse condignamente os filhos12,7 Ou: servos. de Deus.

8Mas trataste com bondade aquele povo,

pois eles também eram seres humanos;

antes do teu exército, enviaste grandes vespas

para que a pouco e pouco fossem destruídos.

9Poderias ter acabado com os ímpios,

deixando que os justos os derrotassem em batalha.

Poderias mesmo fazê-los desaparecer devorados por animais selvagens

ou com uma palavra de condenação.

10Mas a fim de lhes dares tempo para se arrependerem,

castigaste-os aos poucos,

mesmo sabendo que eram uma gente perversa,

um povo mau por natureza,

e que a sua maneira de pensar nunca iria mudar.

11Desde o princípio eram uma raça maldita

e não foi por medo de alguém que não os castigaste pelos seus pecados.

12Pois quem poderia perguntar-te: «Que fizeste?»

Quem pode ser contra o teu julgamento?

Quem pode condenar-te

por teres destruído povos que tu mesmo criaste?

Ou quem aparecerá na tua presença

para defender a causa de pessoas injustas?

13Além de ti não há outro Deus que cuide de todos12,13 Ou: de tudo.

e a quem precises de provar que os teus julgamentos são justos.

14Não há nenhum rei ou outra autoridade que possa desafiar-te,

ficando do lado daqueles que castigaste.

15Tu és justo e governas todas as coisas com justiça.

Condenar alguém que não o merecesse

não é a maneira como usas o teu poder;

16ele é a base da tua justiça.

Tu tens compaixão de todos porque és o Senhor de todos.

17Mostras a tua força aos que duvidam do teu grande poder;

castigas as pessoas que o conhecem e, mesmo assim, o desafiam.

18Tu, o Todo-Poderoso, julgas a todos com equidade;

governas com toda a clemência,

pois podes agir sempre que quiseres.

Lições de Deus para Israel

19Assim tens ensinado ao teu povo

que quem é justo deve também ser bondoso.

Tu tens dado uma firme esperança aos teus filhos,

pois dás-lhes a oportunidade de se arrependerem dos seus pecados.

20Com muito cuidado e carinho,

tu castigaste os inimigos do teu povo,

mesmo quando eles mereciam ser mortos;

deste-lhes tempo e oportunidade para se afastarem das suas maldades.

21Foi com muita dureza que julgaste os teus filhos,

embora tivesses feito alianças com os seus antepassados

e tivesses jurado que lhes darias coisas boas.

22De facto, corriges-nos,

mas castigas os nossos inimigos dez mil vezes mais.

Tu ages assim para que nos lembremos da tua bondade

e julguemos os outros esperando para nós a tua misericórdia.

O castigo dos egípcios

23Por isso, castigaste os insensatos

que durante toda a sua vida fizeram o mal;

castigaste-os com os próprios deuses detestáveis que eles adoravam.

24Pois eles desviaram-se para muito longe nos caminhos do erro;

adoraram como deuses os animais mais feios e repugnantes;

enganaram-se a si mesmos como criancinhas insensatas.

25Por isso, como se fossem crianças sem uso da razão,

enviaste-lhes um castigo que os envergonha.

26Mas os que não se importaram com um castigo tão leve

receberão de Deus o castigo que merecem.

27Castigados pelos mesmos animais que tinham estabelecido como deuses

e agora os faziam sofrer,

ficaram zangados e reconheceram como o verdadeiro Deus

aquele que antes não quiseram aceitar.

Por isso, foram condenados a sofrer um castigo muito pior12,27 A morte dos seus primeiros filhos. Ver Ex 12,29–30..

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»