a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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141Outro homem que vai fazer uma viagem por mar

prepara-se para enfrentar as ondas bravas;

Pede socorro a um objeto de madeira,

mais fraco do que o barco em que vai viajar.

2Foi por dinheiro que alguém pensou em fazer o barco

e um operário experiente construiu-o.

3Mas é o teu cuidado, Pai, que dirige o barco,

pois tu preparaste-lhe um caminho pelo mar,

um caminho seguro no meio das ondas.

4Isso mostra que tu podes livrar-nos de todos os perigos;

podemos navegar no alto mar,

mesmo sem nenhuma experiência.

5Tu queres que seja útil tudo o que fazes com a tua sabedoria.

Por isso, sem medo de morrer,

os viajantes entram num pequeno barco;

navegando sobre as ondas e chegam sãos e salvos.

6Já nos tempos antigos,

ao acabar uma raça de gigantes orgulhosos,

a esperança do mundo refugiou-se numa barca14,6 A barca de Noé. Ver Gn 7,1–5..

Guiada pela tua mão,

essa barca guardou para o mundo a semente de uma nova raça humana.

7Bendito seja esse madeiro,

por meio do qual a justiça se cumpriu!

8Mas seja maldito o ídolo feito por mãos humanas,

e maldito seja também aquele que o fez;

o artesão, por o ter feito,

e o objeto corruptível por ter sido considerado um deus.

9Deus detesta de igual modo o ímpio e a sua impiedade.

10Serão castigados tanto aquele que faz o mal

como também o objeto mau que foi feito.

11Por isso, Deus castigará também os ídolos dos povos pagãos,

porque, mesmo que tenham sido feitos de materiais que Deus criou,

esses ídolos sempre foram objetos abomináveis.

Além disso, serviram de escândalo para os humanos

e de armadilha para os insensatos.

Como começou a adoração de ídolos

12A ideia de fazer ídolos foi o começo da imoralidade14,12 Ou: infidelidade espiritual.;

a sua invenção conduziu à corrupção.

13Os ídolos não existiram desde o começo do mundo,

nem continuarão a existir para sempre.

14Foi por causa da vaidade dos seres humanos

que os ídolos entraram no mundo;

por isso, foi dado a conhecer o seu fim para breve.

15Um pai, desconsolado com a morte repentina do seu filho,

fez uma imagem semelhante a ele.

Aquilo que tinha sido a representação de uma criança morta

passou a ser um deus que era temido,

e o pai criou para a família ritos secretos e cerimónias religiosas.

16Com o passar do tempo

esses costumes pagãos foram ficando cada vez mais fortes

e acabaram por se tornar lei.

17Por ordem dos reis, as imagens foram adoradas.

Os que moravam longe de um rei,

e não lhe podiam prestar homenagem pessoalmente,

imaginaram como ele seria

e fizeram uma imagem dele que pudessem homenagear.

E assim, por dedicação,

lisonjeavam aquele que estava ausente,

como se estivesse presente.

18A ambição do artesão fez com que esse culto se difundisse,

mesmo no meio daqueles que não conheciam aquele rei.

19Querendo talvez agradar ao governante,

o artesão esmerou-se para que a imagem ficasse mais bonita do que a realidade.

20E o povo, encantado com a beleza daquele trabalho,

passou a tratar o rei como se merecesse ser adorado;

o mesmo homem que há pouco tinham respeitado

como se fosse apenas um ser humano.

21Tudo isso tornou-se uma armadilha para os humanos,

pois dominados pela desgraça ou pelo poder de um rei,

deram a objetos de pedra ou de madeira o nome que é de Deus e de mais ninguém.

Os resultados da idolatria

22Além de terem errado a respeito do conhecimento de Deus,

tais pessoas vivem em conflitos provocados pela ignorância,

e ainda por cima, chamam paz a todos esses males.

23Nas suas cerimónias religiosas matam crianças,

celebram cultos misteriosos e praticam orgias indecentes.

24São imorais na vida pessoal como na vida de casados;

uns aos outros se matam à traição

ou então se ofendem pela prática do adultério.

25Por toda a parte há violência e mortes,

roubos e mentiras, subornos, traição,

desordem, juramentos falsos,

26confusão a respeito do que é bom,

esquecimento de favores recebidos,

imoralidades, perversão sexual,

destruição do matrimónio, adultério e depravação total.

27Pois a adoração de ídolos sem nome é o princípio,

a causa e fim de todos os males.

28Os que adoram ídolos cometem loucuras nas suas festas,

fazem profecias falsas, vivem na injustiça

ou quebram facilmente as suas promessas.

29Eles confiam em ídolos, que são objetos sem vida,

e por isso pensam que não serão castigados quando jurarem falso.

30Mas por duas razões receberão o castigo que merecem:

porque, desta maneira dedicados aos ídolos,

estão errados a respeito de Deus,

e porque desprezam tudo o que é sagrado

e juram falso a fim de enganarem os outros.

31Os ídolos, pelos quais eles juram,

não têm poder para castigar;

mas o castigo merecido dos pecadores

cairá sem falta em cima dos injustos.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»