a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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181Porém para os teus santos, brilhava uma forte luz.

Os egípcios, seus inimigos,

podiam ouvir os israelitas falar, mas não os podiam ver.

Eles achavam que os israelitas eram felizes,

pois não estavam a sofrer.

2Então os egípcios ficaram agradecidos aos israelitas

por não se vingarem deles;

e ainda pediram desculpas por os terem perseguido18,2 Ou: pediram que fizessem o favor de ir embora..

3Em vez da escuridão,

tu deste ao teu povo uma coluna brilhante de fogo18,3 Ver Ex 13,21–22.,

para o guiar por caminhos desconhecidos.

Essa coluna era como um sol que não queima,

e acompanhou o teu povo na sua maravilhosa caminhada.

4Os seus inimigos mereciam ficar sem luz

e ser prisioneiros da escuridão,

pois fizeram prisioneiros os teus filhos,

por meio dos quais a luz eterna da lei seria dada ao mundo.

A morte dos filhos mais velhos dos egípcios

5Os egípcios resolveram matar as crianças do teu povo,

mas um menino israelita foi salvo,

depois de ter sido abandonado.

Para os castigares fizeste morrer muitos dos seus filhos

e mataste todos os egípcios nas águas furiosas18,5 No Mar Vermelho. Ver Ex 14,27–28..

6Tu já tinhas contado aos nossos antepassados

o que iria acontecer naquela noite,

para que ficassem cheios de coragem

no conhecimento das promessas em que confiavam.

7O teu povo já esperava que os justos fossem salvos

e que os inimigos fossem destruídos.

8Tu usaste o mesmo meio

para castigar os nossos inimigos e para nos honrar,

chamando-nos para sermos o teu povo.

9Os santos descendentes dos bons ofereceram-te sacrifícios em segredo18,9 Isto é, dentro das suas casas. Ver Ex 12,46..

Juntos prometeram obedecer à tua divina lei

e resolveram repartir uns com os outros tanto as bênçãos como os perigos.

Então começaram a cantar os hinos dos seus antepassados.

10Ao mesmo tempo ouviam-se os gritos cheios de confusão dos inimigos;

por toda a parte espalhavam-se as lamentações

dos que choravam a morte dos seus filhos.

11Os escravos e os seus senhores receberam o mesmo castigo;

as pessoas humildes sofreram o mesmo que o rei sofreu.

12Todos tiveram igualmente um número enorme de parentes mortos,

pessoas que tinham morrido da mesma maneira.

Não havia muitas pessoas vivas para enterrarem os mortos,

pois num instante morreram os seus filhos queridos.

13Por causa das suas magias, os egípcios ainda não acreditavam;

mas quando os seus filhos mais velhos foram mortos,

tiveram de reconhecer que o teu povo era filho de Deus.

14Já era quase meia-noite, e por toda a parte havia um silêncio completo.

15Então a tua palavra toda-poderosa, vinda do teu trono no céu,

desceu como um soldado sem piedade;

levando como espada afiada a tua ordem,

que não podia ser desobedecida,

foi para um país que estava condenado a ser destruído.

16Erguendo-se, espalhou a morte por toda a parte;

tocava o céu e atingia a terra.

17De repente, visões terríveis e pesadelos castigaram os egípcios;

terrores que eles nunca tinham imaginado perseguiram-nos.

18Quase mortos, eles caíram por toda a parte

e mostravam por que razão estavam a morrer.

19Pois os pesadelos que os tinham feito sofrer tinham sido um aviso

a fim de que não morressem sem saber por que estavam a sofrer.

A epidemia no deserto

20A provação da morte atingiu também o teu povo;

uma epidemia matou muitos deles no deserto18,20 Ver Nm 16,46–49.,

mas a tua ira não durou muito tempo.

21Pois um homem18,21 Referência a Aarão. irrepreensível apressou-se a defender o teu povo.

Ele carregava as suas armas de sacerdote,

isto é, a oração e o incenso com que pedia a Deus o perdão dos pecados.

Ele resistiu à tua ira e acabou com a epidemia,

mostrando assim que era teu servo.

22Não foi pela força física nem pelo poder das armas de guerra

que ele venceu a tua ira18,22 O texto grego diz: que a multidão venceu a tua ira..

Foi por meio das suas palavras que conseguiu que tu parasses de castigar,

fazendo com que te lembrasses das tuas promessas

e das alianças para com os nossos antepassados.

23Os corpos dos mortos já se amontoavam uns por cima dos outros

quando ele se pôs no meio e fez parar a tua ira,

cortando o caminho que ia para os vivos.

24No seu comprido manto sacerdotal

estava representado o mundo inteiro;

nas quatro fileiras de pedras preciosas

estavam os nomes famosos dos patriarcas;

na coroa que ele usava na cabeça

estava a placa que representava a tua grandeza.

25Diante destas coisas o destruidor ficou com medo e foi-se embora;

uma pequena amostra da tua ira tinha bastado.

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Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»