a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
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A travessia do Mar Vermelho

191Mas os ímpios19,1 Os egípcios. foram perseguidos pela tua ira,

sem dó nem piedade;

tu sabias o que eles iam fazer, antes mesmo que o fizessem.

2Eles tinham deixado que o teu povo saísse do Egito

e insistiram que saísse logo;

mas depois mudaram de ideia e perseguiram-no.

3Enquanto os egípcios ainda estavam de luto,

chorando nas sepulturas dos que tinham sido mortos,

tiveram uma ideia louca e resolveram perseguir os israelitas,

como se fossem fugitivos.

Assim perseguiram aqueles a quem tinham pedido que se fossem embora.

4O castigo que os egípcios mereciam levou-os a agir assim

e fez com que esquecessem o que tinha acontecido,

a fim de que sofressem ainda mais

e assim completassem o seu castigo.

5Por isso, enquanto o teu povo fazia uma caminhada maravilhosa,

os egípcios tiveram de enfrentar uma morte estranha.

6Toda a criação, obedecendo às tuas ordens,

mudou completamente o seu modo de agir

a fim de que nenhum mal acontecesse aos teus filhos19,6 Ou: servos..

7Os israelitas viram a nuvem que cobria o seu acampamento

e viram também terra seca aparecer onde antes só havia água;

no meio do Mar Vermelho foi aberto um caminho em que era fácil andar;

um relvado verde, em lugar das ondas furiosas.

8Protegido pela tua mão,

todo o teu povo passou por ali, vendo milagres e maravilhas.

9Eles eram como cavalos soltos no pasto;

pulavam como carneiros,

dando louvores a ti, Senhor, que os tinhas salvo.

10Ainda se lembravam do que acontecera

durante a sua estadia em terra estranha,

onde a terra tinha produzido mosquitos, em vez de gado,

e o rio tinha lançado para fora bandos de rãs,

em vez de produzir peixes.

11Depois quando ficaram com fome e pediram comida boa,

viram uma nova espécie de pássaros;

12pois para lhes matarem a fome, codornizes subiram do mar.

O castigo dos egípcios

13Trovões e raios anunciaram os castigos que caíram sobre aqueles pecadores.

Por causa das suas maldades, eles mereciam esse sofrimento;

sem dó nem piedade eles tinham odiado os estrangeiros19,13 Os israelitas..

14Os moradores de Sodoma não receberam bem alguns viajantes desconhecidos;

mas os egípcios tornaram escravos aqueles estrangeiros que só lhes faziam o bem.

15Os moradores de Sodoma serão castigados por Deus

por terem recebido mal os estrangeiros;

16mas os egípcios, depois de terem recebido com festas os israelitas,

e de lhes terem dado os mesmos direitos que tinham,

maltrataram esses estrangeiros, forçando-os a fazer trabalhos pesados.

17Como castigo, os egípcios ficaram cegos19,17 Isto é, não podiam ver por causa da escuridão. Ver Ex 10,21–23.,

assim como tinham ficado cegos os homens que chegaram até à porta do justo Lot.

Coberto por uma escuridão completa,

cada um dos egípcios procurava achar a porta da sua casa.

Uma nova criação

18Assim como num instrumento de cordas

as notas podem mudar de ritmo

sem modificar a música que está a ser tocada,

assim também os elementos básicos do Universo19,18 A água, a terra, o ar e o fogo. Ver Sb 7,17 e nota.

trocaram as suas qualidades uns com os outros.

Isso vê-se claramente nos seguintes acontecimentos:

19Animais da terra transformaram-se em animais do mar19,19 Os rebanhos e o gado dos israelitas ao atravessarem o Mar Vermelho.,

animais que nadam passaram a andar na terra19,19 As rãs que saltaram do rio Nilo..

20Mesmo dentro da água, o fogo conservou o seu poder de queimar,

e a água perdeu o seu poder de apagar o fogo.

21Por sua vez, as chamas não queimaram os pequenos animais

que passaram por meio delas

nem fizeram derreter aquele manjar celestial

tão parecido com o gelo, que derrete facilmente.

22Em todas as coisas, ó Senhor,

tens feito com que o teu povo tenha grandeza e glória;

e não deixaste de estar junto deles

em todos os tempos e em todos os lugares.

1

Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»