a BÍBLIA para todos Edição Católica (BPTct)
5

O julgamento dos maus

51No dia do juízo, os justos enfrentarão, sem medo,

aqueles que os haviam perseguido

e que tinham zombado dos seus sofrimentos.

2Quando os maus os virem, tremerão de medo;

ficarão espantados e admirados ao vê-los sãos e salvos.

3Arrependidos, eles conversarão entre si;

cheios de aflição, gemerão e dirão uns aos outros:

4«Era deles que nós zombávamos antigamente;

como fomos tolos, falando mal deles!

Pensávamos que a sua vida era uma loucura

e que a sua morte tinha sido uma desgraça.

5Como é que agora eles são considerados filhos de Deus?

Como é que fazem parte do povo de Deus5,5 Ou: dos santos.

6Fomos nós que saímos do caminho certo;

a luz da justiça de Deus não brilhou sobre nós,

e para nós o sol não nasceu.

7Andámos sem parar nos caminhos da maldade e da perdição;

corremos sem rumo por desertos que não tinham estradas

e não acertámos com o caminho do Senhor.

8O que foi que ganhámos com tanta vaidade?

Que proveito tirámos da riqueza de que tanto nos orgulhávamos?

9Tudo isso desapareceu como se fosse uma sombra,

como um boato que passou depressa.

10Foi como um barco que abre caminho pelas ondas do mar;

depois de passar não deixa para trás nenhum rasto

nem sinal da sua passagem.

11Foi como um pássaro que voa no ar

e que não deixa nenhum sinal do seu voo;

as suas asas batem fortemente no ar leve,

abrindo um caminho por onde passa,

mas não fica nenhuma prova de que ele voou por ali.

12Foi como uma flecha disparada na direção do alvo,

a qual rasga o ar, que logo se junta de novo,

de modo que ninguém pode ver o caminho que seguiu.

13Assim somos nós:

mal nascemos, desaparecemos

e não deixamos nenhum rasto das nossas boas ações.

Fomos destruídos pela nossa maldade.

14Na verdade, a esperança dos ímpios é como a palha que o vento leva,

15como a espuma5,15 Alguns manuscritos dizem: geada. leve que a tempestade espalha no mar,

como o fumo que o vento faz desaparecer,

como a lembrança de um hóspede que ficou em nossa casa um dia só.

Mas os justos vivem para sempre,

e recebem do Senhor a sua recompensa;

o Deus altíssimo cuida deles.

16Portanto, eles receberão uma linda coroa;

o Senhor dar-lhes-á um belo diadema.

Porque com a sua mão direita ele os protegerá

e com o seu braço os defenderá.

17O Senhor vestirá a sua ira como armadura,

e tudo aquilo que criou lhe servirá como armas contra os inimigos.

18Ele vestirá a couraça da justiça,

e o seu julgamento justo servir-lhe-á de capacete.

19A sua santidade será o seu escudo invencível.

20Ele afiará a espada da sua ira em fúria

e o mundo inteiro lutará ao seu lado contra os tresloucados.

21Como flechas atiradas pela corda bem esticada de um arco,

os raios sairão das nuvens e voarão certeiros para o alvo.

22Como pedras lançadas por uma funda,

pesadas chuvas de pedra cairão sobre os seus inimigos;

as ondas do mar rugirão contra eles,

os rios afogá-los-ão sem dó nem piedade.

23Um vento impetuoso soprará contra eles

e espalhá-los-á como um furacão.

A maldade arrasará o mundo inteiro;

malfeitores derrubarão os poderosos dos seus tronos.

1

Introdução e saudação

11Este livro contém a revelação de Jesus Cristo que ele recebeu de Deus, para a dar a conhecer aos seus servos. Trata-se de coisas que hão de acontecer brevemente e que Cristo deu a conhecer ao seu servo João por um anjo que lhe enviou.

2João atesta tudo quanto viu em relação à palavra e ao testemunho de Jesus Cristo. 3Feliz aquele que lê este livro e felizes os que ouvem estas palavras proféticas e guardam o que aqui está escrito1,3 O autor afirma que é preciso ler, ouvir e guardar estas palavras. A Sagrada Escritura foi escrita por causa desta triologia verbal: ler, ouvir e guardar. Quem assim fizer, será feliz., porque tudo isto há de acontecer em breve.

4Eu, João, dirijo-me às sete igrejas da província da Ásia1,4 As sete igrejas são enumeradas no v. 11.. Desejo-vos graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e ainda da parte dos sete espíritos1,4 Sete Espíritos. O número sete simboliza a perfeição. Os sete espíritos simbolizam, portanto, a ação misteriosa de Deus na história dos homens. que estão diante do seu trono, 5e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primeiro dos ressuscitados, o soberano dos reis da Terra.

Cristo ama-nos e pela sua morte libertou-nos dos nossos pecados. 6Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai. A ele seja dada glória e o poder para todo o sempre. Ámen.

7Eis que ele vem com as nuvens.

Toda a gente o verá,

até mesmo os que o mataram.

Todos os povos da Terra se lamentarão por ele.

Assim há de ser! Ámen!

8Eu sou o Alfa e o Ómega1,8 Alfa e Ómega. Primeira e última letra do alfabeto grego (21,2; 22,13). A expressão significa: o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim., diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.

Cristo revela-se a João

9Eu sou João, vosso irmão, e participo convosco nas mesmas perseguições no reino de Deus e na perseverança por Jesus. Encontrava-me na ilha de Patmos1,9 Patmos. Pequena ilha do mar Egeu para onde os romanos exilavam as pessoas que julgavam politicamente indesejadas. por ter proclamado a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. 10O Espírito de Deus apoderou-se de mim, no dia do Senhor, e eu ouvi atrás de mim uma voz forte que parecia a voz duma trombeta. 11Dizia assim: «Escreve num livro aquilo que vais ver, e manda-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.» 12Voltei-me para ver quem é que me falava e, ao voltar-me, vi sete castiçais de ouro1,12 Sete castiçais. Representam as sete igrejas a quem o autor escreveu. Ver 1,20.. 13E no meio dos castiçais estava alguém semelhante ao Filho do Homem vestido até aos pés com uma túnica comprida e uma faixa dourada à volta do peito. 14A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã ou como a neve e os seus olhos eram ardentes como o fogo. 15Os seus pés brilhavam como bronze fundido na fornalha e a sua voz era como o ruído das grandes cascatas1,15 Para os v. 13–15, ver Dn 7,13; 10,5; 7,9; 10,6.. 16Na sua mão direita tinha sete estrelas; da sua boca saía uma espada de dois gumes muito afiada e o seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.

17Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Mas ele pôs a sua mão direita em cima de mim e disse: «Não tenhas medo! Eu sou o primeiro e o último1,17 Para os v. 16–17, ver Is 49,2; Hb 4,12; Is 44,6; 48,12.. 18Eu sou aquele que está vivo! Estive morto, mas agora vivo para sempre. Eu tenho poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos. 19Escreve pois aquilo que viste, o que está a acontecer agora e o que vai acontecer mais tarde. 20O significado das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete castiçais de ouro é o seguinte: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais são essas sete igrejas.»