Se cá estivesses… não teria acontecido!

Se cá estivesses… não teria acontecido!

Na última sexta-feira de janeiro, do ano 2017, como milhares de famílias portuguesas os meus vizinhos saíram de casa às 8h30 para deixar filhos na escola e seguirem rumo ao trabalho. 15 minutos depois, apenas 15 minutos, um agente da polícia toca às campainhas e pede a todos os condóminos para sairmos de casa porque um dos andares estava a arder. Precisamente o deles! Enquanto esperávamos a chegada dos bombeiros, dois vizinhos verificaram quem tinha descido ou ficado para trás. Procurávamos sobretudo saber do pai do proprietário que se encontrava no interior da habitação em chamas. Já em fase de rescaldo dou conta de que, em momentos como estes, assistimos ao melhor do ser humano. Não obstante a indiferença de alguns e o instinto de sobrevivência de outros, o mais «estranho» dos vizinhos tinha acolhido o idoso na sua casa. Se, no dia do desastre somos dominados pelo sentimento de que aquilo não está a acontecer, é apenas um pesadelo que passará ao despertar. No dia seguinte, acordamos e somos assaltados pela necessidade de encontrar uma resposta, uma razão que explique o sucedido. A segunda reação é encontrar culpados. Sobretudo perguntar: onde estava Deus?

Diante de circunstâncias trágicas que vivemos somos confrontados com a experiência do sofrimento. Seja pela dor que sentimos, seja pela perda de pessoas queridas, direitos ou bens essenciais, é nestes momentos que precisamos, como nunca, de compreensão, consolo, esperança e um estímulo para continuar. A Bíblia tem histórias únicas que traduzem esta necessidade. Singularmente, a contestação de Marta e Maria à demora de Jesus para salvar o irmão da morte não é corrigida, sequer reprendida. Jesus responde mostrando a sua solidariedade chorando com eles a sua dor. De seguida oferece uma nova compreensão do significado da vida. Depois de apontar um caminho de esperança, desafia-as ainda a uma caminhada com ele. Convida-as a ir ao lugar da dor e ali transforma o sofrimento em alegria.

Voltando à estória inicial, entre os vizinhos, amigos e familiares, o casal encontrou ajuda, consolo e animo. Enquanto uns providenciaram casa para a família, outros removeram entre as cinzas as coisas que ainda era possível reaver ou restaurar. Outros ainda, quais corvos da história bíblica, providenciaram as refeições para todos, vítimas e voluntários. E muitos enviaram mensagens dizendo: “crê somente”. A seguradora foi ágil e a recuperação célere. E em todos estes gestos ouviu-se Jesus dizer, outra vez: “Não te disse há pouco que se acreditasses, havias de ver a glória de Deus?” (Jo 11, 41) Dois meses depois, renascida dos escombros, a vida ressurgiu e ocupou o seu lugar na nova casa.

Em meio da dor sentimo-nos vulneráveis! Incapacitados de impedir a pandemia ou de cuidar das pessoas durante o surto, experimentamos e percebemos os nossos limites. Mas através deles encontro Jesus em amigos que choram connosco e nos propõe novos sentidos. Vemos Jesus em vizinhos que eram estranhos e agora dão-nos alento e não nos deixam sós. Vemos Jesus em milhares de profissionais que nos desafiam a percorrer com eles o caminho em direção à VIDA.

Aconteceu! Sim! Mas Jesus nunca saiu daqui!!!

 

Simão Silva
Colaborador da Sociedade Bíblica

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