Aquietai-vos e vede... (o quê?) o livramento do Senhor!

Há semanas que venho a fazer um esforço para me aquietar. Nem sempre com sucesso. Faço o que posso para sossegar a minha ansiedade. Mas a leitura deste versículo (Ex. 14, 13) despertou a minha atenção e iniciou dentro de mim uma transformação. Em primeiro lugar senti-me provocado pela estranheza, senão mesmo paradoxo, do pedido no contexto da narrativa: Como aquietar perante uma situação limite da condição humana? Como ter calma quando estamos encurralados por um inimigo que nos quer tirar a vida? Em segundo lugar, pela contradita quietude que a leitura me ofereceu.

Esta frase deve inquietar-nos por duas razões (que também são ordens)! Além do pedido de Deus para apaziguarmos o turbilhão de pensamentos (e sentimentos) que se geram nestas circunstâncias, percebi que havia um outro imperativo que eu estava a descorar: a disposição para observar!!!! Provavelmente quando os israelitas a ouvirão da boca de Moisés poderiam, legitimamente, questionar: mas ver o quê? Olhar para onde? Provavelmente o que permanecia à vista de todos era o «bendito» confinamento entre o mar e o exército egípcio. Curiosamente, ou não, antes de olharmos para a solução, Deus pode desafiar-nos a prestar atenção ao modo como Ele já está a agir em nosso favor!  É importante sublinhar que, nem a quietude, nem a observação produzem ou sugerem sequer o livramento. A libertação é ideia e intervenção divinas! Sossegar e ver são apenas duas etapas distintas de um mesmo processo: a colaboração humana enquanto Deus age. Se, no que respeita ao aquietar não é difícil de perceber que se trata de um convite a ficarmos calmos, a combatermos todos os géneros de pânicos, e um apelo sobretudo à racionalização de pensamentos que geram perturbação. Por sua vez a observação convoca-nos a deixar de olhar para aquilo que nos causa medo e a prestarmos uma atenção particular (focarmo-nos) naquilo que ainda não se vê, ou ainda não se sabe, mas já está a acontecer. Trata-se, pois, de confiar Nele.

Enquanto refletia em tudo  isto, na televisão passavam reportagens sobre o modo como um dos países mais pequenos do mundo luta contra a pandemia. Então:

  1. olhei e vi homens e mulheres a produzir vários tipos de ventiladores. A um chamaram Atena a outro Pneuma. O primeiro era sofisticado e estava a ser produzido para ser usado na linha da frente da batalha. O segundo, concebido para ser fácil e rápida produção, atender o maior número possível de necessitados à retaguarda.
  2. olhei e vi homens e mulheres de uma fábrica de licores oferecer aos hospitais mil litros de álcool e adegas cooperativas a doarem 3 mil de uma solução anti-séptica, transformados a partir das suas aguardentes vínicas.
  3. olhei e vi homens e mulheres das universidades a trabalhar com empresas no fabrico de equipamento de proteção. Mas também vi homens e mulheres a confecionarem em suas fábricas e casas particulares material de proteção para técnicos de saúde e forças de segurança e proteção civil.
  4. olhei e vi homens e mulheres a conceberem zaragatoas para recolha de amostra, outros reagentes necessários à realização dos testes e ainda outros um teste prévio de natureza digital, para acelerar o rastreio à população.
  5. olhei e vi homens e mulheres recolhidos durante semanas sem ver a família para não pôr em risco a vida dos utentes dos lares de terceira idade. E ainda milhares de voluntários ajudando com tudo o que tinham disponível
  6. olhei e ainda deu para ver MILHÔES de homens e mulheres que, por um dever de consciência distanciaram-se socialmente e voluntariamente isolaram-se dentro de casa.
  7. Por fim, olhei e vi a imprensa internacional elogiar quer as medidas do governo, quer a autocontenção e autodisciplina do povo.

Inquieto os meus olhos deixaram de poder ver, mas agora, na medida em que vou sossegando, vou reavendo a visão e percebendo como Deus está a operar. Não, não foi uma visão! Tudo isto é realidade e ainda está a acontecer! E, qual cego a quem foi devolvida a vista, a minha alegria dobra ao perceber que tudo isto está a acontecer aqui mesmo no modo como Deus está a cuidar de Portugal! O que vejo impede que eu seja infetado? Não! Se for infetado garante que eu vou recuperar? Não!!! Por isso, permaneço em casa! Mas ver o que Deus está a fazer deixa-me muito, muito mais tranquilo! O meu profundo agradecimento a Deus, aos homens e às mulheres que, como anjos, têm cuidado de nós.

Simão Silva
(Colaborador da Sociedade Bíblica)

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