"Comprar saúde"

Hoje fui às compras. Trata-se de um ato tão banal que não parece merecer qualquer tipo de análise. Mas será mesmo assim? O mundo mudou. Num ápice, aquilo que antes era mera rotina hoje assemelha-se a uma cena saída de um filme futurista que roçava os limites do inconcebível. Mas a ficção tornou-se realidade. Escolhi um hipermercado, porque pensei: “Quanto maior o espaço mais hipóteses tenho de conseguir entrar!”. Quando cheguei, às 07.45, a fila já rodeava o edifício e pensei: “Jamais vou conseguir e mesmo que consiga entrar não haverá nada para comprar!”. Cá fora o cenário parecia uma cena decalcada do filme “Inferno”, com pessoas aglomeradas em fila indiana, vestidas com luvas de latex e máscaras de silicone, procurando proteger as suas frágeis vidas de um inimigo invisível e implacável, uma doença que não viam, mas pressentiam.

A porta abriu, a fila começou a andar, e pedia a Deus, numa oração silenciosa, mas persistente, “Senhor permite-me entrar”. Para minha surpresa, a enorme fila dissolveu-se à minha frente e vi-me entrar por aquelas portas, com uma alegria pueril, quase tão reconfortante como se estivesse a entrar pelas portas do céu! Lá dentro, a grata surpresa de descobrir que nada faltava, a não ser a paz. As pessoas moviam-se cuidadosamente procurando não se cruzarem e jamais se tocarem. A consternação era total. Olhei com atenção e vi inquietação, tristeza, angústia e medo. E senti inquietação, tristeza, angústia e medo! Já na caixa, de carrinho cheio, angustiado, penso, “Está quase!”. Mas quando olho em frente, vejo um sorriso. A menina da caixa, sem luvas, nem máscara, olhou para mim e disse-me, com voz simpática e alegre, “Seja muito bem-vindo!”. E começou a contabilizar os produtos, como se se tratasse de mais um dia normal. No final pergunta-me, com simpatia, “Não quer levar a revista do supermercado? São só cinquenta cêntimos e assim ajudava-me a atingir os meus objetivos e ainda recebia uma chávena de graça”. E de imediato respondi, “Claro que sim!”, não pela revista, nem pela chávena, mas por ter encontrado alegria no meio das trevas, um coração alegre no meio da consternação, um bálsamo para uma doença que não sabia como curar.

A Bíblia diz-nos que “Coração alegre dá saúde ao corpo, espírito abatido seca os ossos” (Provérbios 17.22 – BPT). Quem tem este coração alegre está de tal modo que nada o pode derrubar, nem mesmo uma pandemia, ou um pandemónio. Por outro lado, quem tem um espírito abatido está seco, murcho, quase destruído, de tal modo inerte que nem um dilúvio de bênçãos o faz ressuscitar. Aquele coração alegre que me “atendeu” fez-me olhar a realidade à minha volta com os olhos do sossego ao invés da consternação, do descanso ao invés da angústia, da gratidão ao invés do medo, da alegria ao invés da tristeza! Fez-me lembrar que, em Cristo, não vivo na expetativa das circunstâncias atuais, mas na esperança daquilo que virá e que está a ser preparado por Deus.

Vivemos um tempo nunca visto, em que o pânico e incerteza causados por esta doença nos podem levar ao desespero. Mas as Escrituras nos mostram que a alegria que vem da esperança que temos em Cristo, aquele que já sacrificou a sua vida por nós e que veio para que tenhamos vida, e vida em abundância (João 10.10-11), é intemporal e nos dá saúde e vigor. Ele é o bom Pastor que cuida de nós, mesmo se tivermos de passar pelo vale da sombra da morte (Salmos 23). Por isso, o espírito abatido pode ser substituído pela alegria no Senhor, pela esperança naquele que nos traz a paz, pois tem tudo nas suas poderosas mãos! Saí da loja de carrinho e coração cheios, e duas certezas: não podemos comprar cura física para o COVID-19 no hipermercado, mas podemos “comprar saúde” espiritual na alegria que só o Senhor pode colocar no nosso coração!

António José Bento

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