Em tempos de angústia

Estes dois textos reflectem o louvor e o clamor do salmista ao Senhor expressos no salmo em que se inserem. Podemos considerá-los a súmula deste cântico-oração, mostrando a relação do justo com Deus através da revelação divina que lhe foi outorgada aplicada à realidade física em que ele vive. Ou seja, depois de conhecer a vontade de Deus para a sua vida, o justo aplica-a às circunstâncias que o rodeiam e em que vive. O justo não nega que enfrenta dificuldades, não fecha os olhos a elas como se vivesse num mundo imaginário cor-de-rosa. Mas por ter recebido a revelação do Senhor, sabe que a única via para enfrentar essas mesmas dificuldades e aflições é cumprir o que Deus já havia declarado a Abraão, de andar na Sua presença. Ao fazê-lo, o justo sabe, por experiência própria, que na angústia o Senhor lhe dará alívio.

Sem embarcar em desvios espúrios da verdade cristalina do ensino de Jesus de que no mundo tereis aflições, o justo, sem bravatas, consciente da sua dependência do Senhor, entrega-se à protecção d’Aquele que disse que estaria com ele todos os dias da sua vida, independentemente do que as circunstâncias da vida lhe pudessem trazer. Essa rendição à revelação divina permite-lhe não negar a manifestação da aflição mas enfrentá-la com o poder e a virtude que ele encontra nessa revelação e assim esvaziar-se do medo que tal circunstância lhe possa querer infligir. Ao fazê-lo, confessa que crê nas promessas que estão à sua disposição, reconhece a certeza e a validade da revelação divina e ganha ânimo para o futuro, sabendo que, quer vivendo, quer morrendo, pertencemos ao Senhor em cuja mão estamos bem guardados.

Em momentos difíceis, em que é fácil sucumbir ao medo e ao seu filho desânimo, que o nosso quebrantamento seja não o do ânimo mas da nossa insuficiência, sabendo que o socorro vem de quem está acima das nossas circunstâncias. O conhecimento da revelação divina para a vida do ser humano não é um passaporte para um mundo feito à medida dos seus desejos mas que acaba por ser um mundo fechado, murado com as suas (in)certezas, mas um salvo-conduto para um universo inesgotável da manifestação das respostas do Senhor Omnipotente a todas as inquietações, aflições e apertos pelos quais o justo pode passar, mesmo que, no percurso, o medo ou a angústia o possam assustar.

 

Jorge Pinheiro
(Tradutor)

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