Atribulados, mas não angustiados

Este texto, saído da pena inspirada de Paulo, é especialmente tocante porque descreve, de modo quase poético, as tribulações vividas pelo Apóstolo no decurso da pregação do Evangelho de Jesus Cristo. Tendo passado pela perseguição às mãos dos seus compatriotas judeus e das autoridades locais das diversas províncias do Império onde pregou a Boa-Nova, Paulo sabia bem o que era sofrer por amor ao Mestre (II Co 11:23-27).

Na verdade, os seus sofrimentos prefiguraram as tribulações que seriam experimentadas pelas gerações seguintes de Cristãos. Desde a perseguição desencadeada por Nero (em 64 d.C.) até à grande perseguição de Diocleciano (de 303 a 313 d.C.), muitos discípulos de Jesus perderam a vida ou foram torturados, presos, exilados. Ser Cristão, naquela época, era estar disposto a sofrer por Cristo. Será que, hoje, a situação é diferente? Não! Também nos nossos dias há Cristãos que estão sujeitos à perseguição. Desde a discriminação por parte da família até à morte às mãos de perseguidores fanáticos, muitos modernos discípulos de Jesus continuam a sofrer por amor d’Ele. Está estimado que cerca de 200 milhões de Cristãos veem quotidianamente negados os seus direitos fundamentais, e milhares são martirizados anualmente em países como a Síria, a Somália ou a Coreia do Norte.

Sabemos também, graças às declarações dos profetas bíblicos, que se aproxima a Grande Tribulação provocada pelas forças do Anticristo (Dn 12:1). Esta será a perseguição final movida contra os verdadeiros seguidores de Jesus. Tal tribulação, que antecederá a Segunda Vinda do Senhor, aproxima-se de nós a passos largos. De facto, por todo o lado, vemos os sinais que anunciam o regresso de Cristo à Terra. Presentemente, experimentamos na pele a realidade de um desses sinais. A pandemia do COVID-19 enquadra-se perfeitamente na referência que Jesus, no Seu sermão profético, fez às “pestilências” que antecederiam a Sua Segunda Vinda (Mt 24:7; Lc 21:11).

Contudo, o texto de Paulo, acima citado, também tem um lado espiritualmente positivo. O Apóstolo afirma claramente que o sofrimento da perseguição não só não destrói a fé do crente perseguido, mas é ocasião para que ele se identifique com Cristo nos Seus sofrimentos. Sofrendo por Cristo, e com Cristo, o crente manifesta a “vida de Jesus” na sua “carne mortal”. O Cristão sofredor torna-se num discípulo de Cristo mais unido ao seu Mestre, anunciando, com mais fervor, e com mais zelo, na própria vida, o Evangelho de Jesus, e aguardando, com mais esperança e com mais fé, a Segunda Vinda do Senhor.

Esta é a “bem-aventurada esperança” de todos os Cristãos (Tt 2:13). Nós sonhamos com ela, e oramos por ela! Pois, com ela, terão fim a perseguição e o sofrimento. Nela, veremos o rosto d’Aquele a Quem amamos. Contemplaremos Aquele com Quem nos identificámos no sofrimento e na perseguição.

Assim, hoje, é tempo de cantarmos: “Nós cremos na promessa do retorno de Jesus, / nós cremos que em breve vamos ver nosso Senhor, / e todos nós, unidos, desfrutando o novo lar / com Jesus vamos lá estar!” (Alessandra Samadello, “Nisto Cremos”)

 

Paulo Lima
Pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Editor da Revista Adventista

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