Descanso

O que fazemos para descansar?
Como usamos o nosso tempo?
Será que todas as semanas tiramos tempo para descansar?

Génesis 1,26-31, conta-nos o relato da criação: Deus trabalhou, criou o mundo e tudo o que nele existe. No sexto dia, Deus criou o ser humano, terminou a sua obra e “achou que tudo aquilo que tinha feito era muito bom. Passou uma tarde e veio a manhã do sexto dia.”

Depois de ter criado o homem, no sétimo dia, Deus descansou, viu que a obra que tinha feito era boa e terminou a sua criação. Interessante que no relato do cap. 2,1-4, não temos a frase “Passou uma tarde e veio a manhã do sexto dia”, o descanso do Senhor continua. Agora, estamos no descanso do Senhor, era sua intenção usufruir do seu descanso com o ser humano, numa relação de próximidade com o Homem. Já pensou nisto?

O ser humano estava destinado a viver no descanso com Deus. Deus queria a companhia do homem para o seu descanso. O Homem, destinado a dominar a natureza e a trabalhar para a sustentação da mesma, usufruía do apoio de Deus, também, durante o seu descanso. Porém, o pecado acabou com o descanso, tal como Deus planeara  e deu origem ao trabalho árduo e com dor, ao stress, à ansiedade. Como consequência, temos que trabalhar arduamente e ganhar o sustento com o suor do nosso corpo.

A nossa sociedade decretou dois dias de descanso, que, na verdade, estão cheios de stress e trabalhos: limpezas, compras, preparação de atividades na igreja, etc.

Num tempo em que a terra atingiu o auge da decadência, Lamec, degradado pelo pecado, reconheceu que apenas pela providência divina poderíamos voltar ao descanso de Deus, e dá ao seu filho o nome Noé, que quer dizer descanso: semelhante ao verbo “aliviar” em hebraico.

“e exclamou: «Este é que nos há de aliviar dos trabalhos e fadigas que a terra, amaldiçoada pelo Senhor, nos provoca.» E, por isso, lhe chamou Noé.” (Gn. 5,29)

Lamec acreditava na promessa de libertação de Deus e ligou o nome do seu filho à esperança messiânica de que, um dia, o Salvador viria e devolveria o descanso ao mundo. Assim, Noé foi uma figura profética de Jesus Cristo, revelando parte do plano de Deus para a humanidade: reconciliação e recomeço. Um detalhe interessante é que Lamec viveu até aos 777 anos de idade (no sétimo dia Deus descansou).

Temos outros exemplos de servos de Deus que descansaram. Depois da grande manifestação do poder de Deus que, com fogo do céu, consumiu a oferta no altar derrotando assim os 400 profetas de Baal, Elias fugiu, dormiu, comeu, descansou e teve um encontro com Deus.
Jesus retirava-se regularmente para ter o seu momento de encontro – ou de descanso com o Pai.

Um dos 10 mandamentos: guardar o dia do sábado para o santificar explica isso mesmo.

“Recorda-te do dia de sábado para o consagrares ao Senhor. Podes trabalhar durante seis dias, para fazeres tudo aquilo de que precisares. Mas o sétimo dia é dia de descanso, consagrado ao Senhor, teu Deus. Nesse dia, não faças trabalho nenhum, nem tu nem os teus filhos e filhas, nem os teus servos e servas, nem os teus animais nem o estrangeiro que viver na tua terra. Porque durante os seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles, mas descansou no sétimo dia. Por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o declarou sagrado.”(Ex. 20,8-11)

Temos que considerar o contexto. O povo de Deus era escravo no Egito, Deus com grande poder liberta-o da escravidão e manifesta o seu poder, mas o povo tem de fugir para permanecer vivo e livre da escravidão.

Neste cenário, depois de uma vida de trabalho árduo, a fugir, no deserto, sem terra própria, em viagem contínua; sempre a levantar e a montar acampamento, o conceito de descanso, nestas circunstâncias, não parece fazer muito sentido.

Mas foi um dos mandamentos que Deus deixou ao povo com uma explicação em Deuteronómio 5,15: “Lembra-te que também tu foste escravo, quando estavas no Egito, e que o Senhor, com grande força e poder, te fez sair de lá. Por isso, ele te ordenou que guardasses o dia de sábado.”

Então o descanso do sábado, para além de nos fazer olhar para Deus, reconhecer quem ele é, reconhecer que é ele quem cuida de nós e nos guarda, tem a intensão de nos gratificarmos na liberdade que ele nos deu: a liberdade para usufruirmos do dia de descanso com Deus, como ele tinha originalmente planeado.

Hoje, se não nos cuidarmos podemos viver uma escravatura semelhante: o trabalho, a família, os amigos, o stress, as redes sociais, a “imagem”. Mas, com Deus podemos ser completamente transparentes e celebrar a liberdade que temos em Cristo: não é o meu trabalho nem a minha imagem que me define, mas quem eu sou em Cristo. Pensemos nisto nos períodos de descanso que teremos em férias. Que durante esse tempo, continuemos a colocar Deus no lugar principal das nossas vidas, celebrar a liberdade que ele nos deu, e desenvolver com ele o relacionamento de descanso que ele preparou para usufruir connosco desde a fundação do mundo.

Este conteúdo foi publicado em Sexta-feira 30 julho 2021
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