Olha para Isabel!

No início de cada ano dou-me conta de duas coisas que se repetem entre os meus colegas e amigos. No trabalho fechamos a primeira semana para fazer todos os balanços. Além da contagem do stock, procuramos aferir aquilo que ficou por fazer e apuramos novos objetivos. Entre os amigos fazemos as contas ao tempo e chegamos todos ao mesmo resultado: voou! Foi tão rápido. Parece que, no passar dos anos, a velocidade aumenta. O tempo esgota-se cada vez mais depressa. E, absorvidos por outro sentimento, de que o tempo nos suga, fazemos promessas de paragem, de abrandamento, de ter mais tempo para ver e sentir o tempo passar. Embora os minutos destinados à leitura destas linhas possam ser escassos façamos uma pequena pausa com as Escrituras. Por momentos possamos relembrar um episódio da história do primeiro natal.

Quando Isabel estava grávida de seis meses, Deus mandou o anjo Gabriel a Nazaré, na província da Galileia, para falar com uma virgem chamada Maria que estava noiva de José, descendente do rei David. O anjo aproximou-se dela e disse-lhe: «Eu te saúdo, ó escolhida de Deus. O Senhor está contigo.» Maria ficou perturbada com estas palavras e perguntava a si própria o que queria dizer aquela saudação. Então o anjo continuou: «Não tenhas medo, Maria, pois foste abençoada por Deus. Ficarás grávida e terás um filho, a quem vais pôr o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado o Filho do Deus altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono do seu antepassado David. Governará para sempre os descendentes de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria perguntou então ao anjo: «Como é que isso pode ser, se nunca tive marido?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e o poder do Deus altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, o que vai nascer é santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel vai ter um filho, apesar da sua muita idade. Dizia-se que era estéril, mas já está no sexto mês. É que para Deus não há nada impossível.»38 Maria disse então: «Eu sou a serva do Senhor. Cumpra-se em mim a tua palavra.» E o anjo retirou-se.

Lucas 1,26-38

Este episódio é conhecido como a Anunciação. Trata-se de um acontecimento tão belo como misterioso. Nele há muita matéria que poderíamos refletir e sobre muitos aspetos. Se a primeira parte nos pode parecer uma experiência distante do quotidiano humano, o final oferece-nos um desafio possível de concretizar. Trata-se de um gesto simples: Maria é convidada a olhar para Isabel. Não enquanto mulher, parente mais velha ou sábia mas como um exemplo que lhe daria esperança para enfrentar quaisquer dúvidas e receios quanto ao futuro. O medo de Maria esbater-se-ia na medida em que desse conta do testemunho da graça de Deus na vida daqueles que estavam perto de si.

Em tempo de balanços, de contas, de projeção de objetivos, é nosso desejo encarar cada desafio com a sugestão do anjo Gabriel: Não temas, olha o que Deus fez com Isabel! E incluir neste olhar reflexivo o que Deus fez também com Maria, Marta, Joana e tantas outras mulheres. Ainda hoje, confrontados com as mesmas palavras, somos convidados a olhar não só para aquela mas para todas as Isabéis que estão ao nosso lado e são exemplos de fé e esperança. Podem ser pessoas idosas, gente sofrida, anónima mas serão, certamente, mulheres a quem Deus ouviu, subverteu os medos e inverteu as suas circunstâncias.

Tal como fez com Maria, diante dos receios e dúvidas sobre o que respeita ao futuro, Deus convoca-nos também a desviar os olhos das incertezas vindouras, a tirarmos um pouco do nosso precioso tempo com o propósito de olharmos para àquelas pessoas que ele colocou à nossa volta como testemunho da sua graça. Não para elaborarmos comparações mas antes, conscientes do modo como Deus operou nelas ou através delas, tenhamos fé e esperança para enfrentarmos os nossos medos e desafios.

Este conteúdo foi publicado em Quarta-feira 13 fevereiro 2019
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