a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Respeito pela consciência dos outros

81Quanto ao problema da carne oferecida aos falsos deuses8,1 Comparar com At 15,20.29. Ver 10,23–31., sabemos que todos nós temos conhecimento. Mas o nosso conhecimento pode envaidecer-nos, ao passo que o amor edifica. 2Quem pensa que conhece bem alguma coisa, ainda não conhece como deve conhecer. 3Mas se alguém ama a Deus, é conhecido por ele.

4Quanto ao comer a carne oferecida em templos de falsos deuses, sabemos que «falsos deuses não representam absolutamente nada», pois «Deus há só um». 5Embora se fale em deuses do céu e deuses da terra, como se existissem vários deuses e vários senhores8,5 Alusão aos muitos deuses da religião grega conhecida e seguida pela população de Corinto., 6para nós existe um só Deus, o Pai. É dele que vêm todas as coisas e é para ele que nós existimos. E há igualmente um só Senhor, Jesus Cristo, por quem tudo existe e por quem nós vivemos também8,6 Um só Deus. Ver Dt 4,35.39; 6,4; 1 Co 12,6; Ef 4,6. Um só Senhor. Ver 1 Co 12,5; Ef 4,5..

7Mas nem todos têm conhecimento destas coisas. Pela força do hábito, alguns têm ainda tendência para pensar no falso deus, quando comem dessa carne. E com essa insegurança de consciência vão pensar que cometem pecado. 8A verdade é que a comida não tem importância nenhuma diante de Deus. Lá por deixarmos de comer não vamos perder nada. Nem vamos ganhar nada, se comermos8,8 Ver Rm 14,17.. 9Mas tenham cuidado! Que esta liberdade a que têm direito não seja ocasião de pecado para os mais fracos. 10Se algum deles te vir a ti, que és um homem consciente, sentado à mesa no templo dum falso deus, não poderá ele, de consciência pouco esclarecida, ser levado a comer dessa carne oferecida aos falsos deuses? 11E assim, pela tua atitude consciente, perdia-se um irmão mais fraco pelo qual Cristo morreu. 12Ofendendo estes irmãos e ferindo a sua consciência pouco esclarecida é Cristo que ofendem. 13Portanto, se o facto de comer dessa carne leva o meu irmão a pecar, nunca mais volto a comê-la, para não ferir a sua consciência8,13 A liberdade individual não deve causar escândalo aos mais fracos. Ver Rm 14,15.20–21..

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Direitos e deveres de um apóstolo

91Não sou eu um homem livre? Não sou um apóstolo? Não vi também eu Jesus, nosso Senhor9,1 Ver At 22,17–18; 26,16; 1 Co 15,8.? Não é a vossa comunidade de fé fruto do meu trabalho? 2Se para outros eu não sou apóstolo, sou-o com toda a certeza para a vossa comunidade. A vossa fé é o selo que dá garantia ao meu apostolado.

3Com isto quero defender-me contra aqueles que me criticam. 4Não tenho eu o direito de comer e beber? 5Não tenho também o direito de levar comigo uma mulher crente, como fazem os outros apóstolos9,5 Sobre os direitos dos apóstolos, ver Lc 10,8; 1 Co 9,13–14., os irmãos do Senhor e Pedro9,5 Ver 1,12 e nota.? 6Ou só eu e Barnabé9,6 Ver At 9,27; 11,22–25.30. é que temos de trabalhar para viver? 7Quem é que vai para a guerra à sua própria custa? Quem é que planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem é que anda a guardar um rebanho e não se alimenta do leite desse rebanho? 8E isto que eu digo não é apenas uma opinião pessoal. Não é o que diz a Sagrada Escritura? 9Está escrito na Lei de Moisés: Não tapes a boca ao boi que faz a debulha9,9 Ver Dt 25,4. Comparar com 1 Tm 5,18. Será mesmo com os bois que Deus se está a preocupar aqui? 10Não é antes a nosso respeito que ele fala? Sim, isto foi escrito para nós. E significa que aquele que faz a sementeira tem o direito de esperar alguma coisa do que semeou e o que faz a debulha espera participar do produto da colheita. 11Se nós fizemos, para vosso benefício, a sementeira das coisas espirituais, que haveria de extraordinário se recolhêssemos daí alguns bens materiais9,11 Comparar com Rm 15,27.? 12Se outros têm o direito de participar dos vossos bens, não temos nós ainda mais direito do que eles?

Mas nunca quisemos fazer uso desse direito9,12 Ver At 20,34–35; 2 Co 11,9.. Pelo contrário, suportámos tudo para não criar dificuldades à pregação da boa nova de Cristo.

13Não sabem que os que trabalham para o templo comem à custa do templo e os que vão apresentar as ofertas sobre o altar recebem uma parte dessas ofertas9,13 Ver Lv 6,9.19; Dt 18,1–3.? 14Do mesmo modo, o Senhor determinou que aqueles que anunciam a boa nova vivam à custa desse trabalho9,14 Ver Mt 10,10; Lc 10,7.. 15Mas eu nunca exigi isto a ninguém. Nem vos escrevo estas coisas com esse objetivo. Preferia morrer. Não quero que ninguém me tire este motivo de orgulho. 16E não é por anunciar o evangelho que eu me sinto orgulhoso. Isso é uma obrigação que eu tenho. Ai de mim se eu não anunciar a boa nova! 17Se o fizesse por minha iniciativa, podia ter um salário. Mas se não é por minha iniciativa é porque me sujeito a uma missão que me foi confiada, 18qual será então o meu salário? O meu salário é a satisfação de anunciar o evangelho sem exigir nada em troca, renunciando aos direitos que eu tenho.

19Sendo completamente livre diante de todos, fiz-me servo de todos, para poder converter para Cristo o maior número possível. 20Com os judeus portei-me como judeu, para os converter. Sujeitei-me à Lei de Moisés com aqueles que a cumprem, para os converter, mesmo sabendo que não estou obrigado a isso. 21Com gentios vivi como gentio para os converter. Mas não sou livre da lei de Deus; antes cumpro a lei de Cristo. 22Fiz-me fraco com os que são ainda fracos na fé, para os converter. Fiz-me tudo para todos, de modo que por todos os meios pudesse salvar alguns. 23Faço tudo isto por amor do evangelho, esperando ter parte nas suas promessas.

24Não sabem que no estádio todos os corredores tomam parte na corrida, mas só um é que recebe o prémio? Corram, portanto, de maneira a poderem recebê-lo. 25Aqueles que se preparam para uma competição privam-se de tudo. E fazem-no só para ver se conseguem um prémio9,25 Para exprimir a ideia de prémio, Paulo usa a palavra coroa, que é o prémio dos atletas e guerreiros vitoriosos. A coroa é um sinal de vitória (1 Ts 2,19; Ap 3,11) e um motivo de orgulho (Fp 4,1); pode significar igualmente o dom da vida eterna (Tg 1,12; 1 Pe 5,4; 2 Tm 4,8; Ap 2,10). que, afinal, dura pouco. Mas nós trabalhamos por um prémio que dura para sempre. 26É desta maneira que eu corro e não como quem corre sem saber para onde. É assim que eu luto e não como quem dá socos à toa. 27Mas eu luto contra o meu corpo, para o dominar, a fim de não acontecer que, andando a pregar aos outros, seja rejeitado por Deus.

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Ou Cristo ou os demónios

101Irmãos, lembrem-se bem daquilo que aconteceu aos nossos antepassados. Todos foram protegidos por Deus por meio da nuvem e todos atravessaram o mar10,1 Nuvem. Coluna de fumo descrita em Ex 13,21–22. Trata-se da passagem do Mar Vermelho. Ver Ex 14,22–29.. 2E por aquele batismo na nuvem e no mar ficaram unidos a Moisés. 3Todos comeram do mesmo pão espiritual 4e beberam da água que Deus fez sair da pedra espiritual que os acompanhava10,4 Sobre a comida (maná), ver Ex 16,35. Sobre a pedra espiritual, que segundo a interpretação dos antigos rabinos acompanhava os israelitas na sua caminhada pelo deserto, Ver Nm 20,8–11. E essa pedra era Cristo.

5Mas Deus não ficou contente com a maior parte deles e por isso caíram mortos no deserto10,5 Comparar com Nm 14,16.. 6Estas coisas são um exemplo para nós, para não nos deixarmos levar pelos maus desejos, como eles fizeram10,6 Ver Nm 11,4.. 7Não adorem falsos deuses, como alguns fizeram. Diz, com efeito, a Sagrada Escritura: O povo sentou-se a comer e a beber e depois pôs-se a dançar10,7 Ver Ex 32,6..

8Não nos entreguemos à imoralidade, como alguns deles fizeram e caíram mortos num só dia vinte e três mil10,8 Ver Nm 25,1–18.. 9Não provoquemos o Senhor10,9 Alguns manuscritos têm: Cristo. Ver Nm 21,5–6., como alguns deles fizeram e foram mortos pelas serpentes. 10Não protestem, como alguns deles fizeram e foram destruídos pela morte10,10 Ver Nm 17,6–14..

11Estas coisas aconteceram-lhes a eles para servirem de exemplo e foram escritas como aviso para nós que vivemos nestes últimos tempos. 12Portanto, aquele que pensa que está firme tenha cuidado, não caia. 13As provações por que têm passado são normais na vida humana. Pois Deus é fiel e não deixará que sejam provados acima das vossas forças. Se ele vos envia uma provação também fará com que encontrem a maneira de a poder suportar.

14Por isso, meus amigos, fujam dos falsos deuses. 15Estou a falar com pessoas inteligentes. Pensem então no seguinte: 16o cálice da ceia do Senhor, com o qual damos louvores a Deus, não é comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão do corpo de Cristo10,16 Ver Mt 26,26–28; Mc 14,22–24; Lc 22,19–20.? 17Pois sendo muitos, somos um só pão, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão.

18Olhem para o povo judeu. Os que comem do que é oferecido em sacrifício estão em comunhão com Deus, a quem o altar é consagrado10,18 Ver Lv 7,6.15–16.. 19Que quero eu dizer com isto? Será que a carne oferecida aos falsos deuses tem algum valor? Será que o falso deus é alguma coisa? 20Não. As ofertas que os não-crentes oferecem são para os demónios e não para Deus10,20 Texto de Dt 32,17, citado segundo a antiga tradução grega.. E não quero que estejam em comunhão com os demónios. 21Não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demónios. Não podem comer à mesa do Senhor e à mesa dos demónios. 22Ou andamos a desafiar o Senhor10,22 Comparar com Dt 32,21.? Será que somos mais fortes do que ele?

Tudo para glória de Deus

23Tudo é permitido10,23 A frase tudo é permitido, que também aparece em 6,12, pode constituir um dito conhecido e repetido pelos destinatários de Paulo., mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica. 24Que ninguém procure o seu próprio bem, mas sim o dos outros. 25Comam de tudo o que se vende no talho, sem levantarem problemas de consciência. 26Pois a Terra inteira com tudo o que nela existe pertence ao Senhor10,26 Ver Sl 24,1..

27Se forem convidados para casa de um pagão e aceitarem o convite, comam de tudo o que vos apresentarem, sem problemas de consciência. 28Mas se alguém te disser: «Olha que isto é carne oferecida a um deus», então não comas, por delicadeza para com a consciência daquele que te avisou. 29Isto que eu digo não se refere à tua consciência, mas sim à consciência do outro.

Mas por que é que a minha liberdade há de ser limitada pela consciência dos outros? 30Se eu agradeço a Deus pela comida que como, por que é que hei de ser criticado por aquilo que eu agradeço a Deus?

31Portanto, quer comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, devem fazer tudo para dar glória a Deus. 32Não ofendam a consciência nem dos judeus, nem dos pagãos, nem da igreja de Deus. 33Façam como eu, que procuro ser delicado para com todos, não pelo meu interesse mas pelo bem de todos, para que possam salvar-se.