a BÍBLIA para todos Edição Comum (BPT)
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Ao serviço da boa nova

31Será que com isto estamos outra vez a elogiar-nos a nós próprios? Porventura temos necessidade, como alguns têm, de pedir que nos passem cartas de recomendação ou de vo-las enviar da nossa parte? 2A nossa carta de recomendação são vocês mesmos. É uma carta escrita no nosso coração e que pode ser lida e conhecida por todos. 3É evidente que vocês são uma carta de Cristo que nos foi confiada. Foi escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo. Não uma carta gravada em pedras, mas em corações humanos3,3 Ver At 24,12; Jr 31,33; Ez 11,19; 36,26..

4Temos esta certeza em Deus por meio de Cristo. 5Não queremos com isso mostrar que é pela nossa capacidade que fazemos estas coisas. Pelo contrário, a nossa capacidade vem de Deus. 6Ele é que fez com que nós pudéssemos estar ao serviço da nova aliança. Não é uma aliança fundada na lei escrita, mas no Espírito de Deus. Pois a lei escrita produz morte; o Espírito é que dá vida3,6 Nova aliança. Ver Jr 31,31. A lei escrita é a do Antigo Testamento, que não consegue garantir a vida eterna. Ver Rm 2,29; 7,6..

7A lei foi gravada em pedras, letra por letra. E embora fosse uma lei que leva à morte, o brilho no rosto de Moisés era tão intenso que os israelitas não conseguiam olhar para ele3,7 Ver Ex 34,29.. E, afinal, era um brilho passageiro. Se esta lei apareceu de modo tão glorioso, 8quanto maior não será então a glória associada com o ministério do Espírito Santo? 9Se era glorioso servir uma lei que levava à condenação, quanto mais glorioso não há de ser estar ao serviço do plano da Salvação? 10Neste caso, a glória que brilhou no passado não se compara com a glória atual, que é muito maior. 11Pois se o que era passageiro foi glorioso, quanto mais aquilo que permanece!

12Uma vez que temos uma tal esperança, falamos com muita ousadia. 13E não fazemos como Moisés, que cobria o rosto com um véu para que os israelitas não prestassem atenção a um brilho passageiro3,13 Ver Ex 34,33.. 14Eles tinham o entendimento fechado. Ainda hoje, quando leem os livros da antiga aliança3,14 Da expressão aqui usada por Paulo, antiga aliança ou antigo testamento, nasceu entre os cristãos o hábito de designar desta maneira os livros da Bíblia escritos antes de Cristo., esse mesmo véu continua por levantar, pois só com Cristo é que ele desaparece. 15Até hoje esse véu permanece sobre o seu entendimento, quando leem os livros de Moisés3,15 Comparar com Jo 5,46.. 16Mas ao voltarem-se para o Senhor, esse véu é retirado3,16 Outra tradução: Mas quando ele se voltava para o Senhor, esse véu era retirado.. 17Aqui o Senhor significa o Espírito e onde estiver o Espírito do Senhor existe liberdade. 18Todos nós, porém, estamos de rosto descoberto e, como um espelho, somos um reflexo da glória do Senhor. Transformamo-nos assim numa imagem dele, com um brilho cada vez maior, porque é o Senhor, isto é, o Espírito, que faz isto.

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Tesouro em vasilhas de barro

41Por isso, tendo nós, pela graça de Deus, esta missão a cumprir, não perdemos a coragem. 2Antes, evitamos as coisas escondidas que envergonham. Não nos comportamos de má-fé, nem falsificamos a palavra de Deus. Pelo contrário, a nossa maneira de comunicar a verdade abertamente diante de Deus leva as pessoas a reconhecerem a nossa sinceridade. 3E se a boa nova anunciada por nós alguma vez se apresenta obscura, é para aqueles que se perdem. 4Eles não acreditam, porque o deus deste mundo4,4 Comparar com Jo 12,31. Este é o único texto em que o Diabo recebe o título de deus deste mundo. cegou os seus entendimentos, para não verem a luz maravilhosa do evangelho de Cristo, que é a imagem de Deus. 5De nós, apenas declaramos que, por escolha de Jesus, somos vossos servos. 6Pois Deus que disse: «Da escuridão brilhará a luz4,6 Ver Gn 1,3.» fez brilhar a luz no nosso coração, para podermos manifestar o conhecimento das maravilhas de Deus, manifestadas na pessoa de Jesus Cristo.

7Mas trazemos este tesouro como que em vasilhas de barro, para que se veja que esse poder extraordinário pertence a Deus e não a mim. 8Sofremos em tudo dificuldades, mas não ficamos angustiados. Sentimos insegurança, mas não nos deixamos vencer. 9Perseguem-nos, mas não nos sentimos abandonados. Deitam-nos por terra, mas não nos destroem. 10Trazemos continuamente no nosso próprio corpo o sofrimento mortal de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nós. 11Enquanto vivemos, estamos entregues à morte, por causa de Jesus, de modo que também a sua vida se manifeste no nosso corpo mortal. 12Portanto, aquilo que tem mais força em nós é a morte; em vós é a vida.

13A Sagrada Escritura diz: Acreditei e por isso falei4,13 Citação de Sl 116,10, segundo a antiga tradução grega.. Também nós acreditamos e falamos, pois temos o mesmo espírito de fé. 14Sabemos que Deus, que ressuscitou o Senhor Jesus, também nos há de ressuscitar, para nos reunir convosco e com Jesus na sua presença. 15Tudo isto acontece para vosso bem, a fim de que, sendo muitos a experimentar a graça de Deus, sejam muitos também a agradecer a sua bondade e a dar-lhe glória.

Desejo de estar com Cristo

16Por isso, não perdemos a coragem. E ainda que o nosso corpo se desgaste, o nosso interior renova-se de dia para dia. 17As aflições do momento presente são leves, comparadas com a grande e eterna glória que elas nos preparam. 18Não fixamos a nossa atenção nas coisas que estão à vista, mas naquelas que ainda se não veem. Pois o que se vê é passageiro, mas o que ainda se não vê é eterno.

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51Quando a tenda que nos serve de habitação aqui na Terra, isto é, o nosso corpo, for desfeita, sabemos que temos outra habitação no Céu, preparada por Deus. Esta não é uma casa como as que os homens fazem, mas uma habitação eterna. 2Por isso, suspiramos pelo momento5,2 Comparar com Rm 8,23. em que havemos de estar dentro da nossa habitação do Céu. 3Dentro dela, já não nos vamos sentir como que despidos. 4Os que estamos ainda na nossa tenda terrestre suspiramos profundamente também, não porque queiramos ser despojados dela, mas porque preferíamos ter a outra habitação, sem deixar esta, para que a nossa mortalidade fosse absorvida pela vida. 5Deus é que nos destinou para estas coisas e nos deu o seu Espírito, como garantia.

6Por isso, andamos sempre cheios de coragem, sabendo que enquanto estamos no corpo vivemos exilados da presença do Senhor. 7Caminhamos à luz da fé e não do que se vê. 8Quanto a nós, sentimo-nos cheios de coragem e pensamos que seria melhor sermos exilados deste corpo e estarmos na presença do Senhor. 9Contudo, quer estejamos na presença do Senhor, quer vivamos exilados dele, o que nos interessa é agradar a Deus. 10Pois todos nós temos de comparecer diante do tribunal de Cristo, para cada um receber segundo aquilo que fez de bem ou de mal, enquanto vivia aqui na terra5,10 Comparar com Rm 14,10..

Trabalhar pela reconciliação

11Conscientes portanto do respeito que devemos ao Senhor, tentamos convencer os outros. Deus sabe perfeitamente que somos sinceros e espero que a vossa opinião seja essa também. 12Não dizemos estas coisas para nos elogiarmos a nós próprios. O que queremos é dar-vos oportunidade de se sentirem honrados connosco. Assim, terão uma resposta para dar àqueles que se sentem orgulhosos por motivos exteriores, e não por aquilo que têm no coração. 13Se acham que perdemos o juízo, foi por Deus que o fizemos. E se fomos equilibrados, foi por vossa causa. 14O amor de Cristo absorve-nos completamente pois sabemos que se ele morreu por todos, então todos morreram. 15E ele morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

16Assim, de agora em diante, já não queremos julgar ninguém por critérios humanos. Ainda que noutro tempo tenhamos pensado dessa maneira sobre Cristo, agora já não o fazemos. 17É que quando alguém está unido a Cristo torna-se uma pessoa nova. As coisas antigas passaram. Tudo é novo. 18Isto é obra de Deus que, em Cristo, nos reconciliou consigo e nos chamou a colaborar nessa missão de reconciliação. 19Assim, Deus, por meio de Cristo, reconciliou consigo a Humanidade5,19 Ver Rm 1,17; 5,10; Ef 2,16; Cl 1,20–22., não tendo em conta os seus pecados e encarregando-nos de anunciar a palavra da reconciliação. 20Portanto, somos embaixadores de Cristo e é Deus que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos pedimos, irmãos, que se reconciliem com Deus. 21Cristo não tinha cometido pecado, mas Deus, para nosso bem, tratou-o como pecador5,21 Ou: tratou-o como sacrifício pelos pecados. para que nós, em união com ele, pudéssemos ser considerados justos por Deus.