… e não há Natal.

O Natal é a celebração da «Verticalidade».

O Advento não é apenas a celebração de uma narrativa humana, mas de uma ação divina: Deus desceu do céu e tornou-se homem (Jo 1,14). É Deus inscrevendo-se a Si mesmo na História da humanidade. O Natividade tem de ser, acima de tudo, a festa da Encarnação. Não se trata de festejar uma doutrina ou conceito teológico subjacente à teofania em causa, mas celebrá-la como uma realidade concreta. Neste sentido, além de afirmar que Deus habita entre nós, o Natal declara também que Ele se manifesta através de nós! Até pode haver ruas iluminadas com símbolos bíblicos, músicas espirituais nos centros de comércio e casas religiosamente decoradas, mas se não convidarmos Jesus, a Palavra viva a habitar em nossas vidas, ele não de se manifesta como um de nós e não há Natal.

Natal é a celebração da «Horizontalidade».

Sendo Deus, o menino também é igual a nós. Ao abdicar de toda a sua glória e assumir a condição humana (cf. Fp 2,6-8) Jesus fez do Advento, por um lado, uma festa de esvaziamento de Si, por outro lado, uma celebração da semelhança connosco. Se desejamos experimentar a essência do Natal, à imagem do Deus menino, precisamos de olhar uns para os outros como iguais. A natividade não pode deixar de ser a celebração da conversão do coração de uns para com os outros (cf. Ml 4,6). Até pode haver imponência nas celebrações, familiares ou institucionais, seculares ou religiosas, mas se não houver humildade nos corações dos celebrantes, um despojamento genuíno como houve no Deus menino, não há Natal.

O Natal é a celebração da «Proximidade».

Antigamente Deus havia falado à distância pelos pais e profetas, agora, mediante o Natal, fala-nos intimamente através do Filho, Jesus Cristo, Emanuel Deus Connosco (cf. Hb 1,1-3). O advento celebra a aproximação do céu à terra, o momento em que Criador e criatura tornam-se «vizinhos». Á encarnação de Jesus, seguiu-se a aproximação dos anjos a cantarem para a humanidade (cf. Lc 2,13); assim como o Oriente se aproximou do Ocidente e a revelação do tempo foi completada pela informação do lugar do nascimento – Belém (cf. Mt 2,2). Mais do que aproximar, os festejos da Natividade invocam o Deus de Amor que toma a iniciativa de reconciliar o homem consigo e com os outros. Por isso, é Natal quando Jesus se oferece para dar água à samaritana a fim de reconciliar Jerusalém e Samaria; é Natal quando Jesus se convida para a casa de Zaqueu a fim de aproximar os santos dos pecadores. É Natal quando nos convidamos a romper as barreiras que nos dividem a fim de celebrarmos a nossa reconciliação com Ele e uns com os outros. Até pode haver festejos familiares com abundância de iguarias e prendas dispendiosas, mas se não nos tornarmos próximos, sobretudo se não percorrermos o caminho em direção àqueles que nos ofendem e que nós temos ofendido (cf. Mt 6, 9-13), provavelmente hipotecamos a essência do advento e não há Natal.

Simão Fonseca

Este conteúdo foi publicado em Terça-feira 23 novembro 2021
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